Na Minha Terra, Carnaval é Religião

por Redação
Na Minha Terra, Carnaval é Religião

Cineasta brasiliense Rodrigo Resende Coutinho lançará seu primeiro longa no Cine Brasília, dia 6 de fevereiro

O documentário aborda o crescimento, a celebração e a regulamentação do carnaval brasileiro em Lisboa. Em clima de folia, o Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, grupo do Seu Estrelo, se apresentará, às 19h30, antes do início da sessão (20h)

Às vésperas do carnaval, Brasília entra no ritmo dos tambores com a sessão especial de estreia de “Na Minha Terra, Carnaval é Religião”, longa documental do cineasta brasiliense Rodrigo Resende Coutinho. A exibição acontecerá no Cine Brasília, dia 6 de fevereiro, sexta-feira, em uma noite que começa às 19h30 com a apresentação do Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, do Seu Estrelo – um dos nomes mais emblemáticos da cultura popular e do carnaval do DF – e segue às 20h com a projeção do filme. Ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia).

Produzido de forma independente, o documentário é uma experiência imersiva que acompanha, entre janeiro e março, a rotina de artistas e blocos brasileiros atuantes em Lisboa, como Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX, revelando como a música, o corpo e a ocupação do espaço público se transformam em gesto político e simbólico.

Filmado em 2024 e 2025, o longa atravessa ensaios, bastidores, reuniões e cortejos em um momento decisivo: 2025 foi o primeiro ano em que a cidade passou a reconhecer oficialmente os desfiles de carnaval de rua como manifestação cultural, uma virada descrita em detalhes no filme.

Na Minha Terra, Carnaval é Religião

O doc também será exibido pela quarta vez em Lisboa, dia 12 de fevereiro, no BOTA (Base Organizada Toca das Artes), entrando, inclusive, no calendário oficial do carnaval da cidade. E no dia 6 de fevereiro, na Universidade do Porto.

“Estou muito animado para exibi-lo no Cine Brasília. Além de ser um cinema pelo qual tenho imenso carinho, por ser frequentador há muito tempo, eu ainda não vi o filme em uma telona, então será duplamente especial. Além disso, exibir meu primeiro longa documental na Sala Vladimir Carvalho será uma enorme honra, ele é o mestre que melhor filmou a alma e as contradições desta cidade, e ser acolhido em uma sala que leva o seu nome é como receber uma bênção do cinema documental”, afirma Rodrigo.

“Na Minha Terra, Carnaval é Religião” traz depoimentos de vários batuqueiros e regentes de blocos de Lisboa que, após receber um grande número de brasileiros nos últimos anos – atualmente, são cerca de 500 mil apenas na cidade, segundo dados do Itamaraty -, já formou mais de 20 grupos de carnaval. Por meio dessas falas, o filme acompanha o sentimento de saudade das festas e do país de origem, o senso de comunidade que o carnaval cria entre os foliões, além da luta pela ocupação legítima e reconhecida das ruas com a cultura popular.

Na Minha Terra, Carnaval é Religião

“O que me deu o estalo para o filme foi perceber que, para aquela galera, o carnaval não era só uma ‘balada’ ou um evento no calendário. Era uma questão de sobrevivência emocional. Quando você está longe de casa, o bloco vira sua família, sua rede de apoio e reconexão com a nossa cultura”, afirma Rodrigo.

Para o cineasta, o ponto de virada foi quando ele percebeu que esses grupos não estavam só tocando, mas sim começando a se organizar politicamente para enfrentar as barreiras que surgiam.

“Ali eu senti que precisava ajudar de alguma forma e entendi que a minha ferramenta de luta era o meu olhar audiovisual e acho que, no fim, o filme acabou ajudando neste processo. Decidi colocar minha experiência e meus equipamentos a serviço desse movimento para amplificar essas vozes”, completa Rodrigo, que faz uma ressalva: “Vejo o reconhecimento pelo poder público como uma vitória gigante, mas que ainda está sendo ‘mastigada’. O que mudou de cara foi o respeito. Antes, o carnaval de rua em Lisboa era tratado quase como um problema de polícia ou um ‘barulho de imigrante’. Com a oficialização em 2025, a cidade teve que admitir que os blocos são cultura de verdade”.

Fazendo um paralelo com a sua cidade-natal, Rodrigo aproxima Lisboa de Brasília a partir da disputa pela rua.

“Brasília é uma cidade onde o urbanismo foi desenhado para organizar fluxos, mas a vida e a cultura sempre transbordaram pelas frestas desse planejamento rígido. Vejo uma ponte direta entre a disputa pelo espaço urbano em Lisboa e a nossa vivência brasiliense: ambas as cidades enfrentam tentativas de controle e ‘higienização’ do espaço público. O Carnaval, nas duas capitais, surge como o momento em que a soberania popular retoma a rua, transformando o asfalto em um território de afeto, política e memória”, acrescenta.

Circulação em festivais amplia o alcance do filme

Além da sessão em Brasília e das exibições em Portugal marcadas para fevereiro, o filme vem sendo exibido em salas e festivais mundo afora. Em janeiro, integrará a programação do Film Invasion Lima, no Peru, com exibição marcada para o dia 29. O longa também será exibido em São Paulo, no All That Moves International Film Festival, no dia 11 de abril. No ano passado, o filme também teve passagem por mostras e festivais como Brazil New Visions Film Fest e o Pupila Film Festival.

SINOPSE: Em Lisboa, o carnaval de rua floresce como manifestação de identidade e resistência cultural. Grupos como Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX mantêm viva a tradição brasileira em território estrangeiro, enfrentando desafios como a ausência de regulamentação da arte de rua e o peso de exigências burocráticas. Entre ensaios, reuniões políticas e a vibração dos desfiles, o documentário acompanha músicos e artistas imigrantes que transformam tambores, pífanos e pandeiros em instrumentos de luta, criando novas formas de pertencimento, memória e comunidade.

FICHA TÉCNICA:

  • Direção, produção e roteiro: Rodrigo Resende Coutinho
  • Assistência de produção: Ana Paula Andrade e Larissa Malty
  • Direção de fotografia, cinegrafistas e som direto: Rodrigo Resende Coutinho
  • Câmeras adicionais: Larissa Malty e Roni Sousa
  • Elenco: Alice Caetano, Cynthia Bravo, Diogo Presuntinho, Ely Janoville, Fabrício Soares, Heloise Medeiros, José Neto, Júlio Brechó e Juninho Ibituruna
  • Grupos: Baque do Tejo, Baque Mulher, Lisbloco, Palhinha Maluca, Pandeiro LX e Roda de Santo
  • Montagem e pós-produção: Rodrigo Resende Coutinho
  • Supervisão de áudio: Guilherme Resende
  • Foto still: Nina Bufferli Barbosa

SERVIÇO:

“Na Minha Terra, Carnaval é Religião” no Cine Brasília

  • Data: 6 de fevereiro de 2026 (sexta-feira)
  • Local: Cine Brasília – Entrequadra Sul 106/107 (EQS 106/107), Asa Sul, Brasília
  • 19h30 – Apresentação do Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata (Seu Estrelo)
  • 20h – Início da sessão
  • Ingressos: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia)
  • 83 minutos. Livre.

RODRIGO RESENDE COUTINHO:

Rodrigo Resende Coutinho transita entre Direção de Fotografia, Edição e Desenho de Som há mais de 15 anos. Fundador da produtora Lab 61 Audiovisual, desenvolve uma assinatura multissensorial em documentários, curtas, videoclipes e publicidades, com um trabalho que dialoga continuamente com sua experiência musical como multi-instrumentista. Assina a direção de fotografia e/ou montagem de obras recentes como “Coração de Mar” (2024), “Memórias do 25 de Abril – 50 anos da Revolução dos Cravos” (2024), além do som direto de “Feldsher” (2024) e “O Sótão” (2024); foi diretor de fotografia e editor de “Despertador” (2023), “O que Transborda” (2022), “O Sonho de Joel” (2022) e “Linha do Tempo do Nico” (2022), e também dirigiu e editou “Mostra Afro Cena de Teatro” (2018) e “Circulou 10 Anos – Por um festival sustentável” (2016), entre outros trabalhos. Em “Na Minha Terra, Carnaval é Religião”, realiza seu primeiro longa documental como diretor, reafirmando um percurso em que imagem e som se entrelaçam como narrativa.

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