Quando JAG chegou ao fim em 2005 após dez temporadas bem-sucedidas, poucos imaginavam que aquele universo militar naval criado por Donald Bellisario estava apenas começando. O que nasceu como um spin-off daquela série sobre advogados da Marinha americana se transformaria no maior fenômeno televisivo de investigação das últimas duas décadas. E confesso que essa paixão pelo NCISverse não é apenas profissional para mim: foi a série que inspirou a batizar minha atual cadelinha de Ziva, uma homenagem à personagem icônica interpretada por Cote de Pablo.
São histórias que nos fazem rir, chorar e torcer pelos personagens como se fossem parte da nossa família. É impossível não se apaixonar pela dinâmica única entre investigação criminal e desenvolvimento de personagens que marca cada produção deste universo.
JAG: As raízes militares que germinaram um império
JAG (Judge Advocate General) foi muito mais que uma série sobre advogados militares. Durante suas dez temporadas (1995-2005), a produção centrada no Capitão Harmon “Harm” Rabb Jr. e na Tenente Coronel Sarah “Mac” Mackenzie estabeleceu os pilares narrativos que sustentariam todo o universo futuro. A série conquistou aprovação oficial da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais norte-americanos, algo muito raro na televisão.
Quando David James Elliott (Harm) decidiu deixar a série em 2005, aquele final ‘incompleto’ com Mac e Harm jogando uma moeda para cima para decidir o futuro deixou todos os fãs ansiosos por mais histórias daquele mundo mágico.
NCIS: O fenômeno que redefiniu a televisão
Em 2003, dois episódios de JAG (“Ice Queen” e “Meltdown”) apresentaram personagens que mudariam para sempre a paisagem televisiva: a primeira aparição de Leroy Jethro Gibbs, Anthony DiNozzo, Abby Sciuto e Donald Mallard. Era o nascimento oficial de NCIS, que rapidamente superou sua série-mãe em popularidade e impacto cultural.
O que começou como uma investigação sobre crimes navais evoluiu para algo muito maior. NCIS tornou-se a série mais assistida dos Estados Unidos, conquistando recordes históricos de audiência, como em 2013 que bateu 22,86 milhões de telespectadores e por isso, recebeu o International Television Audience Award como série de maior audiência mundial na categoria drama.
A fórmula de sucesso sempre foi clara: casos intrigantes combinados com relacionamentos autênticos entre os personagens. Gibbs e suas regras, a genialidade excêntrica de Abby, o humor de Tony DiNozzo e a força de Ziva David criaram uma química única que conquistou fãs em mais de 100 países.
As despedidas mais dolorosas da série original marcaram profundamente os fãs e testaram a capacidade de reinvenção de NCIS. A saída de Pauley Perrette em 2018, a morte de David McCallum em 2023 e claro, as saídas de Michael Weatherly (Tony) em 2016 e de Cote de Pablo (Ziva) em 2013 deixarem a série, colocando marcas profundas de saudades nos fãs, afinal é o casal mais queridinho da TV.
Mas nenhuma despedida foi mais impactante quanto a saída de Mark Harmon em 2021. Após mais de 18 anos dando vida a Leroy Jethro Gibbs, o ator deixou um vazio praticamente impossível de preencher. Ele não era apenas o líder da equipe, ele era a alma moral e emocional de toda a série, o pai figurativo de gerações de agentes e telespectadores. Mas hoje a série conseguiu se reinventar com novos personagens como Nicholas Torres, Jessica Knight e Alden Parker, mantendo sua essência enquanto evolui com os tempos.
NCIS: Los Angeles – Operações especiais e alta tecnologia
Em 2009, o primeiro spin-off oficial chegou com NCIS: Los Angeles, trazendo uma abordagem diferenciada das tramas originais do Departamento de Projetos Especiais. Esta divisão especializada tinha a missão complexa de prender criminosos que representavam ameaças diretas à segurança nacional americana.
Eles assumiam identidades falsas, usavam tecnologia de ponta e muito mais. Esta equipe de agentes especializados vivia constantemente no mundo dos disfarces, colocando suas vidas em risco para derrotar alvos de alto nível.
A dupla principal de agentes era formada por “G” Callen (Chris O’Donnell) um verdadeiro camaleão, e seu parceiro, o Sam Hanna (LL Cool J), com a experiência de ser um ex-Seal com expertise militar. Junto a eles ainda tinham: Kensi Blye (interpretada pela atriz portuguesa Daniela Ruah), a atiradora de elite da equipe e seu parceiro, o detetive da polícia de Los Angeles, Marty Deeks (Eric Christian Olsen), mas logo virou parte do time. Ah! E ainda casou com Kensi!
Nos bastidores tínhamos o irreverente Eric Beale (Barrett Foa) e sua ‘parceira’ Nell Jones (Renée Felice Smith) que cuidavam da tecnologia. Todos sob o comando da incomparável chefona, ou ‘chefinha’ por seu tamanho, Henrietta “Hetty” Lange (Linda Hunt).
Por 14 temporadas, a série construiu sua própria identidade dentro do universo NCIS, mantendo conexões com a série original. O sucesso foi tão grande que mesmo após seu cancelamento, em 2023, o agente Sam Hanna continuou fazendo participações especiais em outras franquias, demonstrando como alguns personagens transcendem suas séries originais para se tornarem patrimônio de todo o universo.
NCIS: New Orleans – O charme do sul americano
NCIS: New Orleans (2014-2021) trouxe o sabor único da Louisiana para a franquia. Com Scott Bakula liderando a equipe como Dwayne Pride, a série incorporou a cultura local de forma orgânica, criando uma atmosfera única dentro do universo NCIS. Durante suas sete temporadas, New Orleans estabeleceu tradições próprias de crossovers com a série original, incluindo episódios especiais em duas partes que uniram as equipes de diferentes cidades. Esses eventos sempre foram momentos especiais para os fãs, vendo seus personagens favoritos interagindo em casos complexos.
NCIS: Hawaii – Pioneirismo e representatividade
NCIS: Hawaii marcou a história da franquia ao ter a primeira protagonista feminina: a Agente Jane Tennant, interpretada por Vanessa Lachey, chefe da equipe havaiana. Estreando em 2021, a série trouxe as paisagens paradisíacas do Havaí e uma perspectiva mais leve, e divertida, para o universo NCIS. Infelizmente, a série foi cancelada em 2024 após três temporadas, gerando frustração entre os fãs que haviam se conectado com a nova equipe e a representatividade que ela oferecia.
NCIS: Sydney – O primeiro passo internacional da franquia
NCIS: Sydney representa um marco histórico para o universo NCIS: a primeira série da franquia a ser produzida inteiramente fora dos Estados Unidos. Desenvolvida com elenco e equipe de produção 100% australianos. Criada por Morgan O’Neill e com Shane Brennan (produtor de NCIS: Los Angeles) incorporado desde o início do projeto, a série acompanha uma equipe conjunta do NCIS e da Polícia Federal australiana sediada em Sydney. Protagonizada por Olivia Swann e Todd Lasance. Esta produção se diferencia das demais por não ter surgido de episódios piloto inseridos na série principal (NCIS), construindo sua identidade própria desde o primeiro episódio.
O que torna a equipe de Sydney tão interessante é sua abordagem aos crimes envolvendo pessoal militar norte-americano em território australiano, criando uma dinâmica cultural única dentro do NCISverse. A série foi renovada para uma terceira temporada e tem previsão de estreia para 14 de outubro de 2025.
NCIS: Origins – Desvendando a origem do lendário Gibbs
E para os fãs que sempre quiseram entender como Gibbs se tornou Gibbs, NCIS: Origins é um mergulho profundo no passado mais doloroso do personagem. Um trama corajosa que nos transporta para 1991, logo após ele perder sua primeira esposa e filha, definindo toda sua personalidade dali para frente. Austin Stowell assume o desafio gigantesco de interpretar o jovem Gibbs, enquanto Mark Harmon retornou ao NCISverse como narrador e produtor executivo, garantindo autenticidade emocional e continuidade narrativa da história do personagem.
A série se passa no escritório do NIS em Camp Pendleton, antes de ser NCIS, acompanhando Gibbs como um agente novato lidando simultaneamente com sua dor pela da perda da família e o aprendizado das complexidades de ser um investigador criminal. É a oportunidade de ver o nascimento das famosas ‘regras de Gibbs’.
O futuro promissor do NCISverse
Com múltiplas produções ativas e projetos em desenvolvimento, o NCISverse segue com sua expansão implacável. Diversos prêmios acumulados durante décadas, comprovam o impacto cultural duradouro da franquia. O que começou modestamente como dois episódios de JAG se transformou num universo que define padrões de excelência para séries policiais mundialmente reconhecidas. E cada nova produção mantém o DNA original intacto: investigações inteligentes, personagens cativantes e histórias que tocam profundamente o coração dos fãs.
Para nós, apaixonados pela franquia, o NCISverse representa muito mais que simples entretenimento. É um universo onde encontramos família verdadeira, humor genuíno, emoção autêntica e a certeza reconfortante de que, independentemente da complexidade do caso, sempre existe uma solução quando trabalhamos unidos com lealdade e dedicação. É exatamente por isso que continuaremos acompanhando fielmente cada nova aventura que este universo extraordinário generosamente nos oferecer.
NCIS: Tony & Ziva – Enfim, a realização do sonho de milhões de fãs
Se existe um momento definitivo na história do NCISverse que representa a materialização dos desejos mais profundos dos fãs, é a estreia de NCIS: Tony & Ziva em 4 de setembro deste ano. Após uma década de espera angustiante, Michael Weatherly e Cote de Pablo finalmente retornam aos papéis que os consagraram mundialmente, prometendo uma experiência emocional avassaladora para quem viveu cada momento da jornada romântica mais marcante do casal na franquia.
ATENÇÃO PARA SPOILERS DE NCIS: TONY & ZIVA
NCIS: Tony & Ziva nos fará reencontrar com Tony e Ziva, agora construindo uma vida familiar em Paris, criando sua filha Tali após os eventos dramáticos da 17ª temporada de NCIS. Tony comanda uma empresa de segurança privada, desfrutando de uma tranquilidade merecida longe dos perigos constantes do NCIS. Mas tudo muda de figura quando a empresa sofre um ataque misterioso e a família se vê forçada a embarcar numa fuga desesperada através da Europa, desencadeando uma trama internacional repleta de espionagem, traições e segredos do passado.
A série terá 10 episódios exclusivos da Paramount+ e contará com três episódios simultâneos seguidos e depois seguirá com episódios semanais todas às quintas-feiras até o final de temporada em outubro. Nas palavras dos próprios protagonistas, a série promete “mentiras, espiões, perigo, desejo… e carros assassinos autônomos”, uma combinação que mistura elementos clássicos do NCISverse com inovações tecnológicas contemporâneas.
Para nós, fãs do universo NCIS e do casal TIVA, que vivenciamos a angústia da suposta morte da personagem e a devastadora saída de Tony, esse spin-off representa a alegria pura de um arco emocional de quase duas décadas. É a oportunidade única de ver como esses personagens evoluíram como pais dedicados, como parceiros inseparáveis e como sobreviventes resilientes num mundo repleto de perigos invisíveis.
A promessa de uma ‘viagem alucinante’ pela Europa, combinando ação cinematográfica, romance maduro e drama familiar intenso, pode ser exatamente a catarse emocional que os fãs do mundo inteiro precisavam para encerrar (ou não) definitivamente a história de amor mais impactante e duradoura do NCISverse.

Carioca com alma paulista. Jornalista Digital, Assessora de Imprensa, Escritora, Blogueira e Nerd. Viciada em séries de TV, chocolate, coxinha & Pepsi.