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Nem todos morrem no final

Daniel Herz dirige o grupo Há Um Motivo em espetáculo no qual seis dos mais significativos personagens de Shakespeare expõem, a partir das falas originais, seus conflitos de forma surpreendente. A montagem fará temporada no Glaucio Gill de 07 a 30 de outubro

por Redação
Sexteto Conflito

Desejos que vão de vingar o pai morto ao de se apossar de um trono. Um crime é cometido em nome de uma ambição. Uma jovem vive uma paixão proibida; outra, rebela-se contra casar. Não, não se trata de nenhuma nova série de streaming, mas das observações sobre o comportamento humano feitas por um gênio do teatro em idos do século XVII.  O gênio em questão é William Shakespeare (1564-1616), não à toa considerado por especialistas o pai do teatro moderno, fascinando gerações até hoje. Uma prova disso está nos cinco jovens atores do grupo Há Um Motivo. Após um período de leituras e estudos da obra shakespeareana, escolheram seis dos mais significativos personagens do bardo e os colocam cara a cara em Nem todos morrem no final, que chega aos palcos sob a direção de Daniel Herz. As falas são originais e, a partir delas, foi criado o roteiro dramatúrgico por Nicole Musafir, integrante do grupo juntamente com Bernardo Pupe, Clara Nery-Brandão, Maria Paula Marini e Pedro Torquilho. O elenco conta ainda com Bob Neri como ator convidado. Após estrear em maio, com sucesso de público na Laura Alvim, a montagem fará temporada de 07 a 30 de outubro, agora no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, numa realização da Caramello Produções. O Teatro Glaucio Gill é um espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa\FUNARJ.

Ao longo de 52 anos, Shakespeare deixou 38 obras dramáticas. Elas estão divididas entre tragédias, comédias, dramas históricos e peças finais. O número de obras é questionável, uma vez que dois dos dramas históricos estão divididos cada um em três partes. Egressos de respeitados cursos de teatro, esses cinco jovens atores decidiram seguir com os estudos e iniciaram um processo de pesquisa desse legado, chegando, portanto, a seis peças.

E quais são elas? A comédia “A megera domada”; o drama histórico “Ricardo III” e quatro tragédias: “Hamlet, o príncipe da Dinamarca”, “Rei Lear”, “Macbeth” e “Romeu e Julieta”. Escolhidos os textos, um desafio se impôs: quais os personagens a interpretar? Os escolhidos são: Catarina (Nicole Musafir), de ‘A megera domada”; Hamlet (Bernardo Pupe), da tragédia de mesmo nome; Lady Macbeth (Clara Nery-Brandão), de “Macbeth”; Julieta (Maria Paula Marini), de “Romeu e Julieta”, e Ricardo III (Pedro Torquilho), do drama homônimo. Outro papel escolhido foi o do rei Lear, confiado a Bob Neri, especialmente convidado para a montagem.

Cada um desses personagens vive seus conflitos. Lear divide seu reino entre as três filhas e acaba por rejeitar Cordélia, a única que o ama de fato. Julieta apaixona-se por um jovem da família rival à sua. Hamlet quer vingar o pai, assassinado num conluio entre a mãe e seu tio. Lady Macbeth é cúmplice do marido num crime. Catarina rejeita o casamento por conveniência até encontrar num pretendente o seu reflexo. Ricardo não mede esforços para usurpar o trono que anseia… Como alinhar personagens tão cheios de idiossincrasias?

A partir das falas originais, Nicole Musafir costurou um roteiro cuja trama suscita novas discussões. Um exemplo? A apaixonada Julieta e a contestadora Catarina expõem uma à outra suas visões sobre a sina de amar num embate que acaba por tratar de temas como o de seguir conveniências. A partir disso, Daniel Herz opta por uma direção calcada em realçar os conflitos (inter)pessoais dos personagens. O resultado é uma performance contemporânea a partir da obra de Shakespeare, sem que o texto seja sacralizado. No palco, cadeiras vão sendo realocadas pelos próprios atores na medida em que a trama avança, compondo novos cenários e corroborando o entendimento das questões propostas pelo roteiro. E o resultado mostra às novas gerações que Shakespeare é, sim, um clássico. E que continua atualíssimo.

Sinopse:

Seis personagens de diferentes obras de William Shakespeare encontram-se gerando embates surpreendentes. A partir das falas originais, eles revelam suas angústias ao mesmo tempo em que expõem suas semelhanças e diferenças.

Ficha técnica:

  • Elenco: Bernardo Pupe, Bob Neri, Clara Nery-Brandão, Maria Paula Marini, Nicole Musafir e Pedro Torquilho.
  • Direção: Daniel Herz
  • Diretora assistente e roteiro dramatúrgico: Nicole Musafir
  • Design de Luz: Aurélio de Simoni
  • Operador de luz: Francisco Hashigushi
  • Design Gráfico: Gabriel Delman
  • Trilha sonora: Banda Apoema
  • Preparação vocal: Alessandra Quintes
  • Operador de Som: William Lopes
  • Figurinos: Clara Nery-Brandão
  • Confecção de Figurino: Leandro Melo e Terezinha Cândido
  • Assessoria de Imprensa: Christovam de Chevalier
  • Produção: Carol Leipelt/Caramello Produções
  • Assistência de produção: Clara Nery-Brandão

Serviço:

  • Temporada: de 07 a 30 de outubro
  • Dias e horários: sexta a domingo, às 20h
  • Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s\nº, Copacabana, próximo ao metrô. Tel: 2332-7904)
  • Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
  • Vendas antecipadas: http://funarj.eleventickets.com/
  • Duração: 90 minutos
  • Classificação indicativa: 14 anos
  • Instagram do grupo: @grupohaummotivo

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