Do Mangue ao Mar

Projeto Do Mangue ao Mar adere à Década da Restauração de Ecossistemas

ONG Guardiões do Mar, responsável pela iniciativa, é a organização que mais retirou resíduos sólidos do Recôncavo da Guanabara nos últimos 10 anos

por Redação

As baías de Guanabara e de Sepetiba acabam de ganhar um reforço para ações de conservação ecológica. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) anunciou que a ONG Guardiões do Mar, uma incubadora de ações socioambientais como o Projeto Do Mangue ao Mar — que conta com o convênio da Transpetro — acaba de se tornar uma parceira oficial no Brasil para a Década das Nações Unidas para Restauração de Ecossistemas (2021-2030).

A Guardiões do Mar celebra este ano 25 anos de atuação. Desde a sua fundação, a ONG produz estudos e apoia pesquisas científicas, promovendo o protagonismo juvenil e mobilizando lideranças comunitárias e povos tradicionais para a conservação de manguezais, em especial no combate ao lixo em ecossistemas costeiros. É ainda a organização que mais retirou resíduos sólidos no Recôncavo da Guanabara na última década: coletou 44 toneladas de lixo de 36 hectares deste ecossistema por meio da Operação LimpaOca, restaurou 410 mil metros quadrados de florestas de mangue na APA de Guapi-Mirim e plantou mais de 120 mil árvores das três espécies de mangue.

O presidente da ONG Guardiões do Mar, Pedro Belga, reconhece a imensa importância de ser um aliado da Década da Restauração. “Uma década pode parecer muito tempo. Mas essa é uma história que começou a ser construída lá em 2013, quando a primeira área foi restaurada por nós, junto com os povos tradicionais. Desde então, o aprendizado tem sido cotidiano. Agora são os próximos dez anos os mais importantes. Uma luta que não pode ser cumprida por nenhuma entidade sozinha. Na próxima década, todas as ações importam. Todo dia”, afirma Pedro Belga.

Com ações reconhecidas no fomento à restauração de manguezais, a instituição passou a integrar o grupo de atores do movimento global — ao lado de organizações como a SOS Mata Atlântica e a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE). O reconhecimento passa não só por ações de restauração, mas por todo um planejamento estratégico em andamento. Serão promovidos coletivos de jovens, implementação de Turismo de Base Comunitária, a construção de fóruns de lideranças e o lançamento de um Programa de Educação Ambiental para combate ao Lixo do Mangue ao Mar (PEA – CoaLiMMAR criado no Projeto Do Mangue ao Mar, em convênio com a Transpetro).

O movimento, liderado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), é um apelo para a proteção e revitalização dos ecossistemas em todo o mundo. Em benefício das pessoas e da natureza, a proposta é deter a degradação dos ecossistemas e restaurá-los para atingir objetivos globais.

Manguezais fluminenses

O Projeto Do Mangue ao Mar une ambientalistas, lideranças e pescadores, com o apoio da Transpetro, para mostrar que ações de restauração não necessariamente precisam ser de plantio de mudas e que atitudes conservacionistas, ajudam na manutenção do ecossistema onde o mar se mistura à terra. Recuperar a Mata Atlântica, o mais destruído dos biomas brasileiros (restam menos de 13% da área original) e do qual os mangues fazem parte, é possível mesmo em áreas densamente povoadas.

Atuando com conservação de manguezais e democratização de conhecimento sobre os ambientes costeiros marinhos e valorização de povos tradicionais, o projeto oferecerá pagamento de serviço ambiental para catadores de caranguejo e pescadores artesanais, via transferência de renda (bolsa-auxílio) para trabalho de limpeza nos manguezais do recôncavo da Baía de Guanabara. Esse ambiente representa o último reduto remanescente de manguezal em área contínua do estado do Rio de Janeiro, onde restam apenas cerca de 30% de sua cobertura original.

Muito além de berçários e fonte de alimento para peixes, crustáceos, moluscos e aves, os manguezais são ainda aliados contra as mudanças climáticas. Eles sequestram de quatro a cinco vezes mais carbono que as florestas tropicais.

Histórico de atuação

Nestes 25 anos, a ONG Guardiões do Mar participou da criação de várias cooperativas, nas áreas de reciclagem, pesca responsável e reaproveitamento de resíduos sólidos pós-consumo. Criou e coordenou, em parceria com catadores de material reciclável, duas redes de comercialização que envolveram 12 cooperativas de catadores de material reciclável no Estado do Rio de Janeiro.

Com os Projetos UÇÁ e EDUC (com a Petrobras), Sou do Mangue (com a Nova Transportadora do Sudeste/NTS), Guanabara Verde (com Patrocínio Oceanpact), Carbono Azul e o recém-contratado Mangue Doce (com a Fundação Grupo Boticário), além Do Mangue ao Mar (em convênio com a Transpetro), estará presente em ações integradas com a realização de serviços ecossistêmicos, educação ambiental e pesquisa em 8 municípios que fazem parte da região hidrográfica da Baía de Guanabara e 3 municípios da Baía de Sepetiba/Ilha Grande. Focada em seu planejamento estratégico, tem caminhado para atingir a meta de plantio de, no mínimo, meio milhão de árvores de mangue na Guanabara, serviços realizados em parceria com povos tradicionais do território.

Pioneira em educação ambiental inclusiva, a ONG Guardiões do Mar foi vencedora do Prêmio Hugo Werneck (2017) e do Prêmio Firjan Ambiental (2020). É cocriadora da Rede Águas da Guanabara – REDAGUA e da Rede Nacional de Manguezais – RENAMAN, coordena o Subcomitê Leste da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara e participa da Rede Manguezais Litoral Norte de SP, do Movimento Viva Água – Baía de Guanabara (capitaneado pela Fundação Boticário, SEA, INEA e FIRJAN) e da Rede Nós da Guanabara (composta por pescadores artesanais, catadores de caranguejo, quilombolas e agricultores familiares que tem como principal objetivo fomentar o Turismo de Base da Guanabara).

É ainda signatária da Rede Oceano Limpo, um projeto fruto de uma parceria entre a Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano (IO-USP/IEA-USP) com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e do movimento Plastic No Thanks, conectado a outras grandes coalizões internacionais para a aprovação de um acordo que objetiva reduzir a poluição de embalagens plásticas no planeta.

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