5ª Parada LGBT do Capão Redondo ocupa a Zona Sul com cultura, diversidade e resistência

Evento reúne dois trios, dezenas de artistas e palco principal em um percurso entre as estações Campo Limpo e Capão Redondo do Metrô

por Peterson Baestero

A 5ª Parada LGBT do Capão Redondo ocupa a Zona Sul de São Paulo com uma programação que reúne música, diversidade, cultura periférica, performances e mobilização social. O evento começa com concentração às 12h, em frente à Estação Campo Limpo do Metrô, e segue ao longo do dia com atrações distribuídas em dois trios antes do início do trajeto em direção à Estação Capão Redondo do Metrô.

A proposta é transformar o território em parte da experiência da Parada, conectando dois pontos importantes da região por meio da cultura e da ocupação das ruas. Além de celebrar a diversidade, a programação abre espaço para artistas de diferentes linguagens, trajetórias e expressões da cena LGBT, com presença de DJs, cantores, performers, drags e dançarinos.

No Trio 1, passam pela programação DJ Medusa, DJ Camila Ferro, Pietra Dipoldi, DJ Pandora, Adan Costa, DJ Rawenne e DJ Jessie Trash. As apresentações acontecem ao longo da tarde e ajudam a construir o clima de concentração antes da saída do percurso.

Já o Trio 2 amplia ainda mais a diversidade artística da edição. Estão confirmados DJ Mika, Drag Tifanny, Saral, Kako, Cesar, DJ Iguinho Reis, Collynne, Vih Barbosa, Kaique e Ponto, Letícia, Jadeshima e Clhoe Woodsen.

A presença de dois trios permite que diferentes estilos e formatos de apresentação façam parte da mesma programação. Ao reunir música, performance, dança e arte drag, a Parada também reforça a pluralidade de expressões presentes dentro da própria comunidade LGBT.

A concentração segue até as 17h, horário previsto para o início do trajeto em direção à Estação Capão Redondo do Metrô. A escolha de deixar os pontos de partida e chegada ligados diretamente às estações também facilita a localização do público e reforça a conexão do evento com a mobilidade urbana da região.

Ao chegar ao Capão Redondo, a programação passa para o palco principal, que recebe os shows de encerramento.

A partir das 18h, Crys Rodrigues abre a sequência de apresentações. Às 19h, é a vez de Dornelles. Um dos principais destaques da programação, Lia Clark sobe ao palco às 20h. Depois, Natasha Princess se apresenta às 21h, seguida por Juninho 019, às 21h10.

Foto: Divulgação

A combinação entre nomes com maior projeção e artistas ligados à cena periférica fortalece uma das características da Parada: criar um espaço em que diferentes trajetórias possam dividir o mesmo palco e alcançar novos públicos.

Mais do que uma agenda de shows, a 5ª Parada LGBT do Capão Redondo também utiliza a cultura como instrumento de visibilidade. Realizar uma programação desse porte na Zona Sul contribui para ampliar o acesso da população periférica a eventos culturais e para descentralizar iniciativas que, muitas vezes, permanecem concentradas em regiões centrais da cidade.

O próprio percurso entre a Estação Campo Limpo do Metrô e a Estação Capão Redondo do Metrô ganha significado dentro dessa proposta. As ruas deixam de ser apenas um caminho entre dois pontos e passam a funcionar como espaço de convivência, manifestação cultural e afirmação da diversidade.

A edição mantém como tema “Enquanto houver ódio, vai haver luta: contra a LGBTfobia e o feminicídio, pela vida das mulheres trans e cis”.

A mensagem reforça o posicionamento social da Parada e conecta a celebração à necessidade de discutir violência, respeito, direitos e proteção. Ao incluir diretamente o combate ao feminicídio e a defesa da vida de mulheres trans e cis, o evento amplia o debate e aproxima diferentes pautas de enfrentamento à violência.

Essa dimensão também ajuda a diferenciar a Parada de um evento exclusivamente musical. A programação artística funciona como ponto de encontro, mas a mobilização social permanece como um dos eixos centrais da iniciativa.

Nas periferias, esse tipo de ocupação ganha ainda mais relevância por criar espaços públicos de encontro e representatividade para uma população que nem sempre encontra a mesma visibilidade nos grandes circuitos culturais.

A proposta é fazer com que o público reconheça o Capão Redondo e o entorno da Estação Campo Limpo não apenas como locais de passagem ou moradia, mas também como territórios de produção cultural, diversidade e criação artística.

Ao reunir dezenas de atrações ao longo do dia, a organização também abre espaço para diferentes nomes da cena local e independente. Essa diversidade de artistas contribui para que o evento dialogue com públicos distintos e ajude a revelar novas vozes dentro da cultura LGBT periférica.

A iniciativa é realizada pela OSC Identidade Periférica e pela DiverCidade Periférica, com coorganização da Família Stronger.

Serviço

Evento: 5ª Parada LGBT do Capão Redondo
Concentração: 12h
Local: em frente à Estação Campo Limpo do Metrô
Saída do trajeto: 17h
Destino: Estação Capão Redondo do Metrô
Shows principais: a partir das 18h
Tema: “Enquanto houver ódio, vai haver luta: contra a LGBTfobia e o feminicídio, pela vida das mulheres trans e cis”

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