A Bela e a Fera – O Musical chega ao Teatro Liberdade

Após encantar mais de um milhão de espectadores em cidades do Brasil, Argentina, Chile e Peru, A Bela e a Fera – O Musical, produzido pela Black and Red e dirigido por Billy Bond, chega ao Teatro Liberdade para curta temporada em comemoração ao Dia das Crianças, a partir do dia 23 de setembro. Para contar a história de Bela, a produção conta com 23 pessoas no elenco – 12 no corpo de baile e 11 atores interpretando 30 personagens. No total, 55 profissionais trabalham na montagem, entre técnicos de palco, de cabine e produtores. Os números do espetáculo impressionam: são 180 figurinos e quatro cenários principais, além de animações em mais de 30 metros quadrados de Led que ajudam a recriar a atmosfera lúdica deste clássico.

Quem garante a organização e atua comandando os bastidores para que tudo dê certo é a diretora de produção Andrea Oliveira. Que promete muitas surpresas especiais para o público nesta nova edição da megaprodução que vai encantar adultos e crianças.

O diretor Billy Bond revela que a partir dos anos 2000 sedimentou seu formato de encenar espetáculos musicais com total liberdade de criação. Italiano naturalizado argentino, o aclamado diretor é também responsável pela encenação de Mágico de Oz, Natal Mágico, Peter Pan, Cinderella e Os Miseráveis, entre outros.

Para envolver a plateia na sensação de fazer parte do espetáculo, o diretor faz questão de efeitos especiais e de iluminação, além de recursos de gelo seco, entre outros truques, como a levitação e o voo de um fantasma, efeitos de ilusionismo. O 4D aproxima ainda mais os espectadores do universo mágico da obra. “O público sente o aroma de rosas, da chuva, sente o vento, a neve e muitas outras sensações que fazem parte da história”, relata o diretor Billy Bond.

Romance originalmente escrito para adultos por Gabrielle-Suzanne Barbot, em 1740, A Bela e a Fera recebeu versão mais curta para crianças, em 1956, por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. O clássico conto de fadas foi eternizado no cinema pela animação de Walt Disney. Para salvar seu pai, a bondosa Bela vai morar no castelo da assustadora Fera. Mas, com o passar do tempo, a jovem descobre que a Fera não é tão má assim.

Bela deseja para sua vida muito mais do que a pequena cidade provinciana de Villeneuve pode oferecer. Lá, ela se destaca da multidão com um ponto de vista único, uma independência vigorosa e um notável amor pelos livros. Ela anseia por viagens e aventuras, e por uma vida tão empolgante quanto as histórias que lê, mas, quando seu amado pai é aprisionado por uma fera em um castelo encantado, o destino de Bela muda para sempre. Ao arriscar sua liberdade e seu futuro, ela assume o lugar do pai, jurando que escaparia em segredo. No entanto, conforme aprende mais sobre a Fera e seu misterioso castelo, Bela descobre que pode haver mais sobre a história dele – e sobre a sua própria – do que ela jamais poderia ter imaginado.

O diretor estimula os jovens e crianças a refletir, assim como Madame Jeanne (autora do conto), que se preocupava com a essência do ser humano e queria que os jovens aprendessem a ouvir seus corações. “Não é fácil fazer espetáculos para a família, pois temos que agradar a todos. As mais difíceis de agradar são as crianças, que são perceptivas e diretas. A história tem que ser contada com muita agilidade e surpreender a cada momento. A música e a dança devem acontecer em sincronia total e os figurinos devem ser impecáveis. Tudo isso somado a uma boa adaptação são os requisitos básicos para uma superprodução musical”, completa Billy, sempre rigoroso em seus trabalhos.

Bela e a Fera – O Musical é patrocinado pela Bradesco Seguros e conta com a Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Ficha Técnica 

ELENCO

  • Bela – Paula Canterini 
  • Fera – Marcio Yácoff
  • Gaston – Marcio Lousada 
  • Ulysses – Luana Martins 
  • Lumina – Diego Velloso  
  • Tic Toc – Italo Rodrigues  
  • Madame Tetê – Fernanda Perfeito 
  • Chiquinho – Laura Albuquerque 
  • Pai da Bela – Marcos Antonelli 
  • Mayla Betti – Anacleta e Poltrona
  • Carlota e Rosa – Amanda Flowers
  • Fariseo – Renan Cuise 
  • Tapete e Pom Pom – Rebeca Guilherme

Corpo de Baile 

  • Tayanne Zandonato  
  • Fernanda Perfeito  
  • Isabella Morcinelli
  • Carla Reis 
  • Achila Felix 
  • Thais Coelho 
  • Diego Fecini 
  • Willian Santana  
  • Italo Rodrigues
  • Vinicius Cosant 
  • Hudson Ramos 
  • Diego Velloso 
  • Direção geral e adaptação de texto: Billy Bond
  • Direção de Dramaturgia: Marcio Yacoff
  • Arranjos e Direção musical: Vila/Bond
  • Adereços e Próteses: Gilbert Becoust
  • Diretor vocal: Santiago Lemmos
  • Coreografia:  Italo Rodrigues 
  • Cenográfica: Paul Veskasky Cyrus Oficinas
  • Figurinos: Feliciano San Roman
  • Make Up Artist: Beto França
  • Direção Técnica: Angelo Meireles
  • Direção de Produção: Andrea Oliveira

Serviço

  • A BELA E A FERA – O MUSICAL – Temporada de 23 de setembro até 15 de outubro
  • Local: Teatro Liberdade
  • Datas: sábados 15h e domingos 11h e 15h. Sessão especial de Dia das Crianças: 13 de outubro, sexta, 15h.
    Pré-venda até dia 01 de setembro 
  • Balcão II: 50 inteira 
  • Balcão I: 50 inteira 
  • Plateia: 160 inteira 
  • Plateia Premium: 180 inteira 

Venda Normal 

  • Balcão II: 50 inteira 
  • Balcão I: 50 inteira 
  • Plateia: 180 inteira 
  • Plateia Premium: 200 inteira 

13.10 15h – SESSÃO POPULAR 

  • Balcão II: 50 inteira 
  • Balcão I: 50 inteira 
  • Plateia: 50 inteira 
  • Plateia Premium: 50 inteira 
  • *sessão com libras e audiodescrição
  • Capacidade: 900 lugares 
  • Classificação: Livre 
  • Duração: 1h30

‘Se não agora, quando’ realiza curta temporada gratuita no Teatro Ipanema

Se não agora, quando
Se não agora, quando – Foto de Bernardo Schelegel

Assuntos espinhosos, tratados com alguma leveza. Em seu primeiro solo, “Se Não Agora, Quando?”, a atriz, dramaturga e roteirista Marcélli Oliveira não abriu mão do humor para abordar temas difíceis e delicados como depressão, falta de perspectiva, solidão e suicídio. Circulando desde 2020 sob direção de Leonardo Hinckel, o espetáculo ganha uma nova e curtíssima temporada gratuita no mês em que se realiza a campanha Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção do suicídio. As apresentações acontecem às terças e quartas-feiras no Teatro Ipanema nos dias 19, 20, 26 e 27 de setembro, sempre às 20h.

Em cena, Marcélli interpreta uma mulher decidida a se matar. Da janela do seu apartamento, ela acompanha diariamente a vida dos vizinhos do prédio em frente. Como nada do que planejou para si deu certo, ela se alimenta do que acontece com eles. Depois de um tempo, porém, nem a vida deles lhe interessa mais. Tudo é igual, vazio e sem graça. Na sacada do seu apartamento, esta mulher solitária está decidida como nunca antes estivera. De repente, uma luz se acende no prédio da frente. E ela tem uma surpresa que desperta sua curiosidade.

“As pessoas ainda cochicham para falar de depressão e suicídio. Enquanto isso, os números só aumentam. A gente precisa começar a gritar sobre o assunto e não mais cochichar. Precisamos parar de esconder e falar sobre o assunto. Eu quero que as pessoas assistam a peça e conversem depois sobre esses temas numa mesa de bar. Quero que elas vejam que está tudo bem se sentir sozinho, que é normal ter algum medo e que está todo mundo se sentindo assim também. Não é vergonha e precisa ser conversado”, atesta Marcélli, que atuando há sete anos como roteirista de humor na TV, atualmente é umas das redatoras finais do “Vai Que Cola”, do MultiShow e TV Globo.

Os ingressos das quatro apresentações do Teatro Ipanema serão liberados 1 hora antes na bilheteria do próprio teatro. A decisão de fazer essas quatro apresentações gratuitas se deu justamente pela importância e urgência da temática, com o objetivo de que a peça chegue ao máximo de pessoas que puder. De acordo com pesquisa realizada em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, e uma pessoa atenta contra a própria vida a cada 3 segundos. No Brasil, os registros contabilizam aproximadamente 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 suicídios por dia.

“Os números são alarmantes. Precisamos falar sobre suicídio e depressão! Os antidepressivos estão em segundo lugar na fila dos remédios mais consumidos, atrás apenas dos analgésicos. A estimativa da OMS indica que nos próximos anos a depressão será a segunda maior causa de afastamento do trabalho”, diz a atriz, que, em sua pesquisa para o desenvolvimento da peça, além dos dados da OMS, se valeu do livro “Talvez você deva conversar com alguém”, da terapeuta norte-americana Lori Gottlieb.

A peça estreou em fevereiro de 2020 no Sesc Tijuca, mas teve sua temporada interrompida pela pandemia de Covid-19. No ano seguinte, uma versão on-line do espetáculo foi apresentada em uma plataforma virtual. Esse ano, a peça ganhou uma circulação por oito unidades do SESC do Rio Grande do Sul nos meses de março e abril. “Se Não Agora, Quando?” é o terceiro texto teatral escrito por Marcélli, sendo os dois primeiros “Casório” (2012) e “Às Terças” (2014).

Com uma trajetória como roteirista de programas humorísticos como “Zorra” e “Escolinha do Professor Raimundo” na Rede Globo, a atriz acredita que o humor ajuda a falar de forma leve sobre temas pesados. “A personagem tem uma leveza, tem momentos de graça. O humor ajuda muito a falar de temas espinhosos, é quase como se você não estivesse falando sobre aquilo”, finaliza.

 FICHA TÉCNICA

  • Dramaturgia e atuação: Marcélli Oliveira
  • Direção: Leonardo Hinchel
  • Assistente de Direção: Bernardo Schlegel
  • Direção de Produção: Bruno Paiva
  • Assistente de Produção: Marilha Gala
  • Cenário: Marieta Spada
  • Figurino: Thiago Ribeiro
  • Luz: Paulo Cézar Medeiros
  • Montagem e Operação: Thiago Monte
  • Música Original: Leandro Castilho
  • Fotógrafa: Livia Kessedjian
  • Programação Visual: Raquel Alvarenga
  • Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação
  • Idealização: Marcélli Oliveira

SERVIÇO

  • Espetáculo: “Se Não Agora, Quando?”
  • Temporada: de 19 a 27 de setembro de 2023
  • Dias e horários: Terças e quartas, às 20h
  • Local: Teatro Ipanema (Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema)
  • Estação de Metrô: Nossa Senhora da Paz
  • Ingressos: Gratuitos, liberados 1 hora antes na bilheteria do teatro
  • Duração: 55 minutos
  • Classificação: 14 anos
  • Gênero: Comédia dramática
  • Instagram: @senaoagoraespetaculo

Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery atualiza clássico de Plínio Marcos 

Dois perdidos numa noite suja
Dois perdidos numa noite suja – Foto de Nycholas Alves

Escrita em 1966, a peça Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos, aborda a precariedade no mundo do trabalho e as práticas de destituição da vida. Em montagem dirigida por José Fernando Peixoto de Azevedo, essa temática é atualizada a partir de uma perspectiva interracial. O espetáculo estreia no Teatro Aliança Francesa em uma temporada que vai de 23 de setembro a 26 de novembro de 2023, com sessões aos sábados, às 20h30 e, aos domingos, às 18h30. Os ingressos custam R$60 (inteira) e R$ 30 (meia).

Com Michel Pereira e Lucas Rosário, Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery mantém o texto de Plínio Marcos na íntegra. Entretanto, os personagens que eram carregadores de caminhão no original se transformaram em entregadores delivery nesta nova proposta.

Além disso, na história dirigida por José Fernando, Tonho é um jovem negro e Paco um jovem branco. Ambos são da periferia e vivem em uma residência estudantil, pois estão lutando para se manter na universidade. “Queríamos atualizar a peça sem alterar o texto. Foi quando o Michel teve a ideia de transformá-los em entregadores. Essa precarização total da vida acaba se revelando um desdobramento daquilo que já aparece no texto de Plínio”, comenta o encenador.

A mistura desses dois universos, verificável hoje na vida universitária, pós-cotas, em que permanência e acolhimento são demandas que emergem num contexto ainda inóspito, dão a ver o tom e a fisionomia de um país em que as promessas de mobilidade social revelam o seu fundo falso no cotidiano.

“Durante a pandemia, ficávamos reclusos nas nossas casas enquanto os entregadores trabalhavam pesado. Muitas matérias foram escritas com essa temática e resolvemos  explorar isso na montagem. Há diversas referências, como o livro “Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0″ (2020), do sociólogo Ricardo Antunes”,  conta Michel.

Toda a ação acontece dentro de um quarto, que é o espaço habitado pelos protagonistas. No cenário está presente uma cama, que se converte em um objeto de disputa muito importante.

Ao mesmo tempo, existe a presença da câmera como um instrumento complementar à narrativa. Desta vez, o trânsito entre imagens captadas ao vivo e gravadas, desdobram outros aspectos da linguagem cinematográfica em jogo – marca registrada de Azevedo.

O espetáculo é permeado por uma forte sensação de claustrofobia. Tonho e Paco vivem de maneira miserável e lutam diariamente pela sobrevivência. A convivência deles naquele ambiente minúsculo ganha contornos violentos, potencializados por questões relativas ao convívio  interracial.

“Pode-se dizer que Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery é uma continuidade ao trabalho que desenvolvi em Ensaio sobre o Terror. Isso porque as duas peças discutem a dessolidarização entre brancos pobres e negros pobres. E quando colocamos esses dois jovens periféricos morando juntos, em uma situação de igualdade, o que deveria se tornar uma aliança, transforma-se em ressentimento e disputa”, detalha o diretor.

A peça de Plínio Marcos foi escrita com inspiração no conto “O Terror de Roma”, de Alberto Moravia. “A filiação aponta já para um duplo movimento: um realismo, em chave crítica, depurado em linguagem, de um lado, e a intuição sobre a violência como uma instância de terror, de outro”. Esses elementos também dialogam com a pesquisa desenvolvida por Azevedo.

Sinopse

Tonho, um jovem negro, e Paco, um jovem branco, são da periferia e dividem uma residência estudantil. Eles têm um cotidiano ambivalente, entre a chegada na universidade e a dificuldade de permanência. Os dois ganham a vida como entregadores delivery. A mistura insuspeitada desses dois universos, verificável já hoje na vida universitária pós-cotas, dá o tom e a fisionomia de um país no qual as promessas de mobilidade social revelam o seu fundo falso no cotidiano supressivo.

 FICHA TÉCNICA

  • Espaço cênico, dispositivo de imagem e direção geral: José Fernando Peixoto de Azevedo
  • Atuação: Michel Pereira e Lucas Rosário
  • Músicos em cena: Mateus Jesus e Mariê Olops 
  • Operador de câmera: Nycholas Alves 
  • Operador de imagem: Diego Roberto 
  • Assistente de direção: Thaina Muniz 
  • Desenho de Luz: Denilson Marques 
  • Cenotecnia: Zito Rodrigues  e Nilton Ruiz
  • Assessoria de imprensa: Canal Aberto
  • Produção executiva: Michel Pereira
  • Produção: Corpo Rastreado – Anderson Vieira 

SERVIÇO

Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery

  • De 23 de setembro a 26 de novembro, aos sábados, às 20h30 e, aos domingos, às 18h30
    Teatro Aliança Francesa – Rua Gen. Jardim, 182 – Vila Buarque
  • Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$20 (lista amiga)
    Classificação indicativa sugerida: 16 anos 
  • Duração: 90 minutos 
  • Lotação: 50 lugares
  • Acessibilidade: elevador

 CCBB apresenta “Brás Cubas” em montagem inédita da Armazém Companhia de Teatro

Brás Cubas
Brás Cubas – Foto de Mauro Kury

O espetáculo da Armazém Companhia de Teatro, Brás Cubas, versão cênica de Paulo de Moraes para a obra-prima de Machado de Assis, que traz o Bruxo do Cosme Velho para o centro da cena como personagem, segue em cartaz até o dia 1 de outubro,  no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Com dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça, a nova montagem da Armazém tem elenco formado por Bruno Lourenço, Isabel Pacheco, Jopa Moraes, Felipe Bustamante, Lorena Lima e Sérgio Machado, iluminação de Maneco Quinderé, cenografia de Carla Berri e Paulo de Moraes, figurinos de Carol Lobato e direção musical de Ricco Vianna. A temporada no CCBB Rio de Janeiro começou no dia  23 de agosto e vai  até 01 de outubro, de quarta à sábado, às 19h, e domingos, às 18h, para maiores de 14 anos, com ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou antecipadamente pelo site bb.com.br/cultura.

Foi a partir da 1881, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, seguido por Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial Aires que Machado de Assis começou a desenvolver seu extraordinário realismo psicológico, permeando seus romances com impetuoso sarcasmo. Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado um romance original desde a sua dedicatória “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver” e prossegue na ideia de um defunto autor que, para fugir ao tédio do túmulo, escreve suas memórias.

– Brás Cubas é um dos personagens mais icônicos da literatura brasileira. Tratar de um personagem pretensioso e prepotente, um recordista de fracassos, que têm uma aversão por si mesmo absolutamente merecida – e que nos fala tanto sobre a formação da elite brasileira –, era muito sedutor. Mas traduzir a experimentação formal de Machado para o palco – conversando com o público de hoje – me parecia desafiador. Porque Machado escreve com um nível de sutileza raro. Então, com certeza o nosso grande embate durante a descoberta da peça tem sido como fazer com que essa literatura sutil se transforme numa ação dramática contundente. –, declara o diretor Paulo de Moraes.

A dramaturgia de Brás Cubas, assinada por Maurício Arruda Mendonça, é uma adaptação do romance de Machado de Assis, mas não uma adaptação no sentido clássico porque insere o próprio autor na peça, como personagem. “O espetáculo tem uma certa vinculação com o sonho. A gente constrói essa história como se estivéssemos dentro da casa do Machado, acompanhando a sua criação. E o ponto central da nossa adaptação é o delírio que o personagem do Brás tem momentos antes de sua morte.”, comenta Paulo de Moraes.

A peça da Armazém desmembra o personagem Brás Cubas em dois. Sérgio Machado interpreta Brás Cubas desde seu nascimento até sua morte (não necessariamente nessa ordem) e Jopa Moraes assume Brás Cubas já como o defunto que narra suas memórias póstumas. “Esse defunto está pouco vinculado ao século 19, quer e precisa se comunicar com as pessoas de agora”, comenta o diretor. A dramaturgia tem uma estrutura em três planos: o plano da memória – que são as cenas vividas por Brás; o plano da narrativa – onde entram as divagações e reflexões do defunto; e um terceiro plano em que o próprio Machado de Assis (vivido por Bruno Lourenço) invade sua narrativa com comentários que visam conectar contemporaneamente suas críticas à sociedade brasileira. “Nosso Machado não é um personagem biográfico. Embora todas as questões que o personagem coloque na peça tratem de assuntos sobre os quais Machado escreveu, estão colocadas em contextos diferentes. É uma brincadeira a partir de detalhes biográficos. Um personagem imaginário tentando se comunicar com o nosso tempo.”, finaliza Paulo.

Privilegiando acessibilidade do público, além dos lugares para cadeirantes, durante a temporada haverá uma sessão com intérprete de Libras e Audiodescrição. Acompanhe as redes sociais do CCBB @ccbbrj bb.com.br/cultura e da @armazemciadeteatro para saber mais a respeito desta e de outras notícias do Brás Cubas da Armazém Companhia de Teatro.

Brás Cubas da Armazém Companhia de Teatro dá continuidade a celebração dos 35 anos de sua formação.

Ficha técnica

  • Direção: Paulo de Moraes
  • Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça
  • Montagem da Armazém Companhia de Teatro
  • Elenco/personagens: Sérgio Machado (Brás Cubas), Jopa Moraes (Defunto), Bruno Lourenço (Machado de Assis), Isabel Pacheco (Virgínia), Felipe Bustamante (Quincas) e Lorena Lima (Marcela e Natureza).
  • Músicos em cena: Ricco Viana ou Rafael Tavares
  • Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
  • Iluminação: Maneco Quinderé
  • Figurinos: Carol Lobato
  • Direção Musical: Ricco Vianna
  • Preparação Corporal: Patrícia Selonk e Paulo Mantuano
  • Colaboração na Dramaturgia: Paulo de Moraes
  • Designer Gráfico: Jopa Moraes
  • Fotografias: Mauro Kury
  • Cabeça do Hipopótamo: Alex Grilli
  • Assessoria de Imprensa: Ney Motta
  • Direção de Produção: Patrícia Selonk e Bruno Mariozz
  • Produção Executiva: Sérgio Medeiros
  • Assistente de Produção: Amanda Rumbelsperger
  • Coordenação do Projeto: Paulo de Moraes e Patrícia Selonk
  • Patrocínio: Banco do Brasil
  • Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Serviço

  • Estreia nacional de Brás Cubas: dia 23 de agosto de 2023, quarta-feira, às 19h
  • Em cartaz até o dia  01 de outubro de 2023
  • Dias e horários: Quarta à sábado, às 19h, e domingo, às 18h.
  • Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro II
  • Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
  • Informações: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
  • Valor do ingresso: R$ 30 (inteira) e R$15 (meia)
  • Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada.
  • Ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou antecipadamente pelo site bb.com.br/cultura
  • Funcionamento do CCBB Rio: de quarta a domingo, das 9h às 20h (fecha às terças).
  • Capacidade de público: 153 lugares
  • Classificação: Indicado para maiores de 14 anos.
  • Duração: 110 minutos