‘Adorável Face de Andronieva Petrosa’, espetáculo baseado em personagem de conto russo estreia no Sesc Tijuca

Solo de Fabianna de Mello e Souza, com dramaturgia de Cecilia Ripoll e direção de Denise Stutz, investiga os limites entre autoria, memória e ficção

por Redação
Adorável Face de Andronieva Petrosa Foto: © Renato Mangolin

‘Adorável Face de Andronieva Petrosa’, com Fabianna de Mello e Souza, direção de Denise Stutz e dramaturgia de Cecilia Ripoll, mistura humor, suspense e reflexão para discutir originalidade e criação artística. Estreia no dia 23 de abril, no Sesc Tijuca, marcando o primeiro solo da atriz após mais de quatro décadas dedicadas ao teatro de grupo. A temporada vai até 17de maio.

Em cena, uma atriz recebe uma carta anônima acusando-a de plágio. A denúncia desencadeia uma vertigem: o que é original? De quem são as ideias? Ao tentar se defender, ela revisita uma peça criada nos anos 1990 a partir de um suposto conto russo.

A narrativa gira em torno de Andronieva Petrosa, uma mulher cujo rosto se desprende do corpo para viver outra vida. A partir daí, tempos, versões e identidades se embaralham, criando um jogo metateatral entre realidade e ficção. Com humor e ironia, o espetáculo tensiona temas como plágio, autoria e circulação de ideias, além de refletir sobre a condição da mulher.

A encenação de Denise Stutz propõe um jogo dinâmico em que a atriz transita entre narradora, personagem e acusada, convocando o público como cúmplice ou júri. A diretora resume o processo: “O espetáculo nasceu de um processo colaborativo, a partir de encontros e improvisações que nos levaram à questão do plágio e das fronteiras entre realidade e ficção. O trabalho segue aberto e vivo”.

A dramaturga Cecilia Ripoll comenta: “A criação partiu da inquietação sobre autoria e da sensação de que as ideias nunca são totalmente nossas. A partir disso, surgiu a história de uma mulher acusada de plágio sem saber de quê”.

A atriz Fabianna de Mello e Souza destaca: “Este solo nasce do encontro com Denise e Cecilia e dialoga diretamente com minha trajetória. É uma reflexão sobre o ofício da atriz e sobre autoria nos dias de hoje”.

SINOPSE

Atriz recebe uma carta onde é acusada de plágio. Ao preparar sua defesa, relembra a estranha personagem de um conto russo, que inspirou a peça. Entre mistérios e revelações, o espectador é convidado a acompanhar um jogo onde ficção e realidade confundem.

Cecilia Ripoll

Dramaturga, diretora, atriz e professora, Cecilia Ripoll é formada em Licenciatura Artes Cênicas pela UNI-RIO. Como autora foi nos últimos anos indicada a importantes prêmios de teatro, como APTR (2026), Prêmio de Humor (2026) e Shell RJ (2023 e 2018). Em 2025 teve 4 textos inéditos estreando: Felizarda (dir. Beatriz Barros); O Fantástico Cérebro do Dr. Frederico (dir. Fernando Maatz/Teatro à Varejo); Quem é todo mundo? (dir. Pablo Aguilar); e Como nos Livros (dir. André Paes Leme).

Denise Stutz

Diretora, coreógrafa e bailarina, fundadora do Grupo Corpo. Trabalhou com Lia Rodrigues e desenvolve carreira autoral desde 2003. Criadora dos solos DeCor, Finita e Só, destacados pela crítica. Atuou com o Coletivo Improviso e colaborou com Luiz Fernando Carvalho em produções como Hoje é Dia de Maria e Capitu. Dirigiu espetáculos como Azira’i (indicação ao APTR) e Desabamentos.

Fabianna de Mello e Souza

Fabianna de Mello e Souza é atriz, diretora e fundadora da Cia dos Bondrés, reconhecida por sua pesquisa sobre a linguagem das máscaras aplicada ao treinamento do ator. Integrou por nove anos o Théâtre du Soleil, participando de montagens como Et soudain des nuits d’éveil, Tambour sur la digue e Le Dernier Caravansérail. No Brasil, atuou em Incêndios, de Wadji Mouawad, com direção de Aderbal Freire Filho, e em As Comadres, sendo indicada ao Prêmio Aplauso. Realizou pesquisas em Bali, Sri Lanka e Japão, e fundou, em 2006, o Ateliê de Pesquisa e Treinamento com Máscaras. Ministrou oficinas no Brasil e no exterior e coordenou o Ateliê do Ator no Sesc Paraty (2020–2023). Fundadora da Cia dos Bondrés, teve trabalhos indicados a prêmios como Cesgranrio e Zilka Sallaberry. Atuou também como preparadora de elenco em produções audiovisuais e participou de projetos internacionais, como o Ano França-Brasil (2025).

SERVIÇO

  • Temporada: 23 de abril a 17 de maio de 2026
  • Horário: quinta a sábado, às 19h | domingo, às 18h
  • Local: Sesc Tijuca | Teatro II (Rua Barão de Mesquita, 539, Rio de Janeiro – RJ)
  • Ingressos: 30,00 (inteira) / 15,00 (meia) / 21,00 (associado do Sesc) / Gratuito (PCG)
  • Duração: 60 minutos
  • Capacidade: 44 lugares
  • Classificação: Livre

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