O trauma do deslocamento, a reconstrução da vida longe de casa e, sobretudo, as marcas invisíveis vividas pelas mulheres nos períodos pós-guerra ganham os palcos do Rio de Janeiro. No dia 30 de outubro (sexta-feira), às 20h, a Cia. de Teatro Contemporâneo Botafogo recebe a estreia do espetáculo inédito “Nhá Eva”, que realiza curta temporada até o fim de novembro, de quinta-feira a domingo. Com atuação de Sofia Félix e direção de Isabele Félix, o monólogo mergulha na trajetória das correntes migratórias que desembarcaram no Brasil no século passado, propondo um olhar sensível sobre dores, tradições e esperanças que atravessam gerações.
Inspirado no conto homônimo de Marcelo Lavalle, que também assina a adaptação dramatúrgica, o espetáculo é ambientado no Sul do Brasil em 1982. A narrativa acompanha Eva, uma verdureira polonesa chamada para uma conversa secreta por Gaia, menina acamada por uma grave doença. A partir desse encontro, a peça entrelaça as memórias da invasão da Polônia em 1939, quando a protagonista tinha apenas 15 anos, o simbolismo alquímico e a transmissão de um livro secreto repassado exclusivamente entre gerações de mulheres ao longo de um milênio. Nesse universo, um misterioso pássaro também integra a narrativa, acrescentando uma dimensão enigmática à história.
Para a atriz Sofia Félix, que encara seu primeiro monólogo após uma trajetória consolidada no teatro, a montagem lança luz sobre uma perspectiva histórica frequentemente silenciada. “Quando a diretora me mostrou o texto, fiquei encantada, principalmente porque ele aborda muito a questão feminina no período pós-Segunda Guerra Mundial. Quando ouvimos falar sobre a guerra, o foco geralmente está nos homens, no que eles fizeram e no que viveram durante e depois do combate, mas pouco se fala sobre o que aconteceu com as mulheres nesse período”, pondera a atriz.
Sem se prender à rigidez do drama convencional, a encenação aposta em uma estética fluida e viva. Os saltos temporais da obra literária são transpostos para a cena com dinamismo, alternando a tensão do conflito europeu em 1939 e o cotidiano da imigração no Brasil dos anos 1980. Para dar tom a essa travessia, a atriz desdobra-se em cena com recursos do teatro físico, além de executar a trilha sonora ao vivo tocando acordeon, elemento que reforça a atmosfera envolvente do espetáculo.
“A obra será apresentada ao público de uma forma imersiva, para que as pessoas possam entrar na história e compreender o que esses personagens passaram durante e depois da guerra, o que ouviam, o que viam e o que vivenciavam. É um mergulho sensível. A peça traz diversas formas de arte e praticamente todas as linguagens artísticas. Temos a música, por exemplo, e eu vou tocar acordeon. Também temos a commedia dell’arte e forte expressão corporal. De forma que o público consiga não apenas assistir, mas entrar junto com a gente nessa história”, diz Sofia Félix.
Com direção de Isabele Félix, cenografia de José Dias, iluminação de Ana Luzia de Simoni, figurinos de Sophia Toledo e sonoplastia de Edith de Camargo, “Nhá Eva” reflete sobre temas universais e urgentes, como xenofobia, violência, resiliência e acolhimento, lembrando que a história da imigração conversa diretamente com o presente e com a memória afetiva de tantas famílias brasileiras. A peça toca também em questões sobrenaturais e no próprio sentido da existência humana.
SERVIÇO
“NHÁ EVA”
- Temporada: 30 de outubro a 29 de novembro de 2026
- Horário: Quinta-feira a sábado às 20h, Domingo às 18h e 20h
- Ingressos: R$ 20 (meia-entrada) | R$ 40 (inteira)
- Link para compra do Ingresso: https://www.sympla.com.br/
evento/nha-eva/3614258 - Classificação Indicativa: 14 anos
- Duração: 50 minutos
- Instagram: @nhaeva_
Local: Cia. de Teatro Contemporâneo Botafogo
Endereço: Rua Conde de Irajá, 253 – Botafogo – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 974496483
FICHA TÉCNICA
- Roteiro e Adaptação Dramatúrgica: Marcelo Lavalle
- Direção: Isabele Félix Pereira
- Elenco: Sofia Félix
- Cenografia: José Dias
- Sonoplastia: Edith de Camargo
- Figurino: Sophia Toledo
- Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação
- Produção: Catarina Kravetz
