Fornecedores de querosene de aviação na Europa já se recusam a garantir entregas além de quatro semanas. Executivos reunidos em Bruxelas nesta semana revelaram o dado. A campanha militar de EUA e Israel contra o Irã encerra sua quarta semana com o Estreito de Ormuz efetivamente bloqueado. Os preços de referência no Noroeste da Europa atingiram US$ 239 o barril, ante US$ 85 a US$ 90 antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro.
Destaques
- Querosene de aviação no Noroeste da Europa atinge recorde histórico de US$ 239 o barril. Na Ásia, o preço se aproxima de US$ 200.
- Aproximadamente 20% do fornecimento mundial de petróleo transita pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado por ataques iranianos à navegação comercial.
- Na África, 70% das importações de combustível de aviação dependem da rota do Golfo. Companhias aéreas do continente já aplicam sobretaxas.
- Deutsche Bank alerta que milhares de aeronaves poderão ficar em solo. As operadoras mais vulneráveis podem encerrar operações.
70% de dependência: por que a África é o epicentro da crise
Nenhum continente enfrenta vulnerabilidade tão expressiva quanto a África. Cerca de 70% das importações de combustível de aviação e querosene da região passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a Reuters. A escalada de preços obrigou companhias aéreas a adotar sobretaxas e reajustar tarifas em cadeia.
A FlySafair, da África do Sul, registrou alta de aproximadamente 70% no preço do Jet A1 em aeroportos do país em uma única semana. A companhia instituiu sobretaxa temporária em todas as passagens. Ethiopian Airlines, Kenya Airways, RwandAir e Air Mauritius adotaram medidas semelhantes.
Jannie de Klerk, diretor de operações de voo da National Airways Corporation, descreveu a volatilidade como imprevisível. “Você negocia preços ao chegar, mas quando pousa os valores já mudaram”, declarou à Reuters. De Klerk afirmou acreditar que, se a guerra persistir, a disponibilidade de combustível se tornará o problema central. Na Somália, Dahir Macow, da Hass Petroleum, indicou que a capacidade de armazenamento é adequada, mas a rota de abastecimento a partir de Omã configura o principal risco.
Três semanas de garantia: Europa planeja voos sob racionamento
Executivos de companhias aéreas europeias consolidaram um quadro preocupante em Bruxelas. Fornecedores de combustível se recusam a assegurar disponibilidade além de três a quatro semanas.
Kenton Jarvis, CEO da EasyJet, declarou que fornecedores confirmaram entregas apenas para as próximas três semanas. “Ninguém nos diz que não há problemas em seis semanas, porque não estão dispostos a afirmar isso”, relatou ao Financial Times. Ben Smith, CEO da Air France-KLM, informou que a companhia elabora cenários para operar sob condições de escassez. A dependência do Sudeste Asiático em relação ao combustível do Golfo torna incertos os voos de retorno da região.
Michael O’Leary, CEO da Ryanair, projetou aumento de 4% nas tarifas caso a guerra encerre antes do verão. Se o conflito persistir, o reajuste seria “significativamente maior”. Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo, classificou o cenário como um desafio de abastecimento sem precedentes.
Milhares de aeronaves em solo: o alerta do Deutsche Bank
Analistas do Deutsche Bank alertaram que, sem alívio a curto prazo, companhias aéreas em todo o mundo poderão ser forçadas a deixar milhares de aviões parados. As operadoras financeiramente mais vulneráveis podem encerrar operações por completo. A Agência Internacional de Energia já classificou a crise como o maior desafio à segurança energética global da história.
FAQ
Por que o combustível de aviação atingiu preços recordes? A campanha militar de EUA e Israel contra o Irã provocou o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. A via marítima concentra aproximadamente 20% do fornecimento mundial de petróleo. Ataques iranianos à navegação comercial e à infraestrutura petrolífera do Golfo interromperam o tráfego de petroleiros.
Quais companhias aéreas africanas já adotaram sobretaxas? FlySafair, Ethiopian Airlines, Kenya Airways, RwandAir e Air Mauritius instituíram sobretaxas de combustível ou reajustaram tarifas. A FlySafair registrou alta de 70% no preço do Jet A1 em uma única semana.
As companhias europeias podem ficar sem combustível? Fornecedores europeus confirmam entregas para as próximas três semanas, mas se recusam a garantir disponibilidade além desse prazo. O Deutsche Bank alerta que milhares de aviões podem ficar em solo caso a situação persista.
