O governo dos Estados Unidos vai designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras. O Departamento de Estado anunciou a decisão em 28 de maio, com vigência marcada para 5 de junho de 2026.
A classificação como FTO recoloca o combate às facções brasileiras no terreno da segurança internacional. Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a decisão representa risco à soberania do país e pode travar a cooperação investigativa entre Brasil e Estados Unidos. Antes do anúncio, o governo brasileiro tentou evitar a medida por meio de negociações com Washington.
O anúncio vem após uma sequência de ações militares dos EUA na América Latina em 2025 e 2026, justificadas pelo combate ao chamado “narcoterrorismo”. Esse histórico, segundo analistas, alimenta o temor de que a designação abra precedente para uma ação dos Estados Unidos no Brasil.
Destaques
- Os EUA designam o CV e o PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras, com vigência em 5 de junho de 2026.
- A base legal é a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade somada a uma ordem executiva de Donald Trump.
- Especialistas apontam risco à soberania e à cooperação investigativa entre Brasil e EUA.
- O anúncio partiu do secretário de Estado Marco Rubio, em comunicado de 28 de maio.
O que muda com a designação de CV e PCC como terroristas
A designação como Organização Terrorista Estrangeira é o instrumento mais severo do governo dos EUA contra grupos estrangeiros. A medida se apoia na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e em uma ordem executiva de Donald Trump, informou o Departamento de Estado. As designações entram em vigor após a publicação no Federal Register.
O Departamento de Estado designou o CV e o PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras em 28 de maio, com vigência em 5 de junho de 2026. A mudança pode alterar o nível de sigilo das informações trocadas entre os órgãos de segurança dos dois países, segundo especialistas. Esse fluxo passaria a ser centralizado na CIA ou em órgãos militares dos EUA.
O efeito, na avaliação dessas fontes, atrapalharia investigações conjuntas em curso e inviabilizaria cooperações futuras. A apuração paralela sobre o teor do comunicado seguia em aberto até o fechamento desta edição.
Por que o governo Lula tentou evitar a classificação
O governo brasileiro vinha resistindo à designação por temer dois desdobramentos. O primeiro é a abertura de caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil. O segundo é a aplicação de sanções severas a setores econômicos e financeiros do país.
Em maio, durante visita aos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu com Trump frentes de trabalho para asfixiar financeiramente o crime organizado transnacional. Os dois não trataram especificamente de facções como o CV e o PCC, afirmou Lula na ocasião.
Do Caribe à Venezuela: o precedente que preocupa Brasília
A política externa de Donald Trump para a América Latina passou a priorizar o combate ao chamado “narcoterrorismo”. Sob essa justificativa, forças militares dos EUA atacaram embarcações no Caribe, fora da jurisdição norte-americana, segundo a Agência Brasil.
A invasão militar da Venezuela, no início de 2026, também foi justificada pelo combate ao narcoterrorismo, de acordo com a mesma agência. A operação resultou na deposição do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, informou a reportagem. Para analistas, uma ação semelhante no Brasil é incerta, mas se tornou um risco concreto.
Rubio, os Bolsonaro e o cenário político do anúncio
O secretário de Estado Marco Rubio classificou o CV e o PCC como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Em comunicado, ele afirmou que as facções comandam milhares de membros e atacam policiais, autoridades e civis. Rubio acrescentou que a influência dos grupos “se estende muito além das fronteiras do Brasil”.
O anúncio coincidiu com um encontro entre Rubio e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em Washington. Pré-candidato à Presidência, o senador também se reuniu com Trump na Casa Branca, ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Os dois são filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A vigência da medida, em 5 de junho, marca o próximo passo de um processo que o governo brasileiro tentou evitar. O Departamento de Estado classificou o Comando Vermelho e o PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras, com vigência em 5 de junho de 2026.
A partir de junho, combater facção no Brasil vira tema de segurança internacional.
Entenda em quatro pontos
- O que foi anunciado: a designação do CV e do PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras.
- Quando entra em vigor: 5 de junho de 2026, após publicação no Federal Register.
- Base legal: seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e ordem executiva de Donald Trump.
- Quem anunciou: o Departamento de Estado dos EUA, pelo secretário Marco Rubio.
Perguntas frequentes
O que é uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO)? A Organização Terrorista Estrangeira é a categoria usada pelo governo dos EUA para enquadrar grupos estrangeiros tratados como ameaça. No caso do CV e do PCC, ela se apoia na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade. A medida passa a valer em 5 de junho de 2026.
Quando a designação de CV e PCC entra em vigor? A designação do CV e do PCC como organizações terroristas entra em vigor em 5 de junho de 2026. As medidas passam a valer após a publicação no Federal Register, segundo o comunicado do Departamento de Estado.
Por que o governo brasileiro tentou evitar a classificação? O governo brasileiro tentou evitar a classificação por avaliar dois riscos. O primeiro é a abertura de caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil. O segundo é a aplicação de sanções a setores econômicos e financeiros.
O que a designação pode mudar na cooperação entre Brasil e EUA? A cooperação entre Brasil e EUA pode ser afetada porque o nível de sigilo das informações trocadas mudaria, segundo especialistas. O fluxo passaria a ser centralizado na CIA ou em órgãos militares, o que poderia travar investigações conjuntas.
