Fernando Sawaya retrata trabalhadores informais brasileiros em mural permanente no México

Artista visual carioca vai pintar obra de 4 m x 10 m durante o evento, em Aguascalientes

por Redação
Fernando Sawaya retrata trabalhadores informais brasileiros em mural permanente no México

O artista carioca Fernando Sawaya cresceu em Copacabana, acompanhando sua família no comércio informal como complementação da renda. Anos depois, quando mudou-se para a Lapa, passou de ator a observador e deu um novo olhar à rotina de milhares de trabalhadores informais que faziam parte da paisagem da cidade.

Hoje, muitos anos depois, o artista visual atravessa fronteiras e retrata esses trabalhadores em um mural de 4 metros de altura por 10 metros de comprimento durante o Festival Cultural de Calaveras 2026, realizado de 30 de outubro a 8 de novembro, em Aguascalientes, no México.

A obra, que permanecerá exposta na cidade, é resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo artista sobre o trabalho informal em diferentes países da América Latina e busca dar visibilidade a profissionais que, embora sejam parte essencial da dinâmica urbana, muitas vezes permanecem à margem das narrativas sobre as cidades.

“Eu faço uma investigação artística chamada de Cotidiano Informal, que tem como ponto de partida registros fotográficos próprios e a observação de personagens que ocupam as ruas e movimentam a economia das cidades. Ao transformar esses trabalhadores em protagonistas de grandes murais e obras, eu proponho uma mudança de perspectiva sobre o espaço urbano e as pessoas que o constroem diariamente” – explica Sawaya.

O Festival

Em sua 32ª edição, o Festival Cultural de Calaveras celebra a obra de José Guadalupe Posada, artista mexicano reconhecido por suas gravuras e pela criação da icônica Catrina, figura que se tornou um dos principais símbolos da cultura mexicana e das tradições relacionadas ao Dia dos Mortos. Nesse contexto, a participação de Sawaya promove um encontro entre a arte urbana brasileira e uma programação cultural dedicada à memória, à identidade e às expressões populares.

O artista

Fernando Sawaya retrata trabalhadores informais brasileiros em mural permanente no México

Nascido em Copacabana, no Rio de Janeiro, Sawaya iniciou sua trajetória no graffiti no começo dos anos 2000 e, há quase uma década, desenvolve trabalhos de muralismo. Sua pesquisa abrange as relações entre território, trabalho e cotidiano, reunidas no projeto Biografias Urbanas. Seus murais estão presentes em diversas cidades brasileiras e em países da América Latina, Europa e África.

A participação no festival mexicano reforça a importância de políticas públicas de fomento à cultura para a circulação internacional de artistas fluminenses e para a construção de conexões entre diferentes territórios, experiências sociais e linguagens artísticas.

A trajetória internacional

Fernando Sawaya participou de festivais e desenvolveu trabalhos artísticos em diferentes países. Entre os destaques estão o Festival Ciudad Mural, na Venezuela, em 2025; o Hola, Rio, na Colômbia, em 2024; o NUMO, no Equador, em 2023; o Plein Champ, na França, em 2026 e a Casa Brasil, em Cuba, em 2026.

O artista também participou de eventos como o Urbane Experiment, na Alemanha, em 2022, e o Meeting of Style, no Peru, em 2016. Entre suas obras internacionais está um mural dedicado a Amílcar Cabral, realizado na Guiné-Bissau, em 2019, com pintura acrílica em uma área de 12 metros por 10 metros.

O trabalho de pesquisa

Há quase uma década, Sawaya desenvolve a pesquisa Biografias Urbanas, dedicada às relações entre território, trabalho e cotidiano. A partir de fotografias produzidas pelo próprio artista, seus murais retratam pessoas e situações que, embora façam parte da dinâmica das cidades, nem sempre recebem visibilidade.

Sua pesquisa mais recente, Cotidiano Informal, volta-se aos trabalhadores informais e à presença desses profissionais no espaço urbano. A investigação inclui diferentes países da América Latina e busca registrar as histórias e experiências de pessoas que encontram nas ruas seu espaço de trabalho e sustento. As obras transformam esses personagens em protagonistas de retratos e cenas que documentam fragmentos da vida cotidiana.

Um exemplo dessa abordagem é o mural realizado no Festival Ciudad Mural, na Ilha de Margarita, na Venezuela, em 2025. A obra retrata a atividade pesqueira na comunidade de Manzanillo e destaca a importância do trabalho coletivo, da cooperação e da pesca para a subsistência das famílias locais.

Intercâmbio cultural

O edital Loco Por Ti, América 2026, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, prevê investimento total de R$ 4,02 milhões e seleciona 23 projetos culturais para circulação internacional. A chamada pública contempla iniciativas de música, teatro, dança, circo, arte urbana e gastronomia, com propostas destinadas a festivais e programações culturais na Argentina, na Colômbia, no México e no Uruguai, além de uma modalidade voltada à internacionalização.

A participação de Fernando Sawaya no Festival Cultural de Calaveras foi viabilizada pelo programa Hola, Rio, dentro dessa estratégia de incentivo à presença de artistas e projetos fluminenses no cenário cultural latino-americano.

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