Encenando um monólogo pela primeira vez e se autodirigindo, Matheus Macena interroga o fenômeno da tragédia brasileira e suas repetições históricas. Com estreia marcada para o dia 03 de abril (6ª feira), às 20h, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, o solo inédito “Edson” se apresenta ao público como uma obra onde duas correntes dramatúrgicas se chocam. No espetáculo escrito, dirigido e interpretado por Matheus, o diretor musical e guitarrista Pedro Nego costura melodicamente a cena, onde os vestígios da factual morte de Edson Luís de Lima Souto, jovem estudante secundarista assassinado pela ditadura militar em março de 1968, enfrentam possíveis ficções do que poderia ter sido a vida da família Lima Souto e de Edson Luís.
“O projeto começou com um dia após o assassinato da vereadora Marielle Franco. Percebi que esses dois assassinatos, tão importantes para a história nacional, eram separados por exatos 50 anos – Marielle em março de 2018 e Edson em março de 1968. E esse espelho temporal tão evidente só comprovava pra mim a força do retorno dos ideais de extrema direita. Então, a necessidade de contar a perspectiva e história do Edson era urgente, porque é recontando o passado que formulamos um futuro. E é inegável que, conforme eu mergulhava na história desse jovem de 17 anos, mais claras ficavam as similaridades das nossas narrativas. A peça é um espelho do passado”, pontua Macena, acredita que este trabalho seja uma espécie de rito de passagem para seu amadurecimento profissional.
O epicentro da criação é a história nacional. Porém, o esforço e desejo artístico, em questão, intentam a possibilidade de contar a memória brasileira sem ter a colonização, ou a censura, como marco protagonista. No espetáculo, Pai, Mãe, Irmã e Edson criam um espelho alegórico que redime toda e qualquer família brasileira. Os quatro personagens recontam o panorama político durante a ditadura, não a partir da militância ou da classe média escolarizada, mas, sim, fundado na perspectiva do trabalhador de base, no ângulo do analfabetismo e do ponto de vista do emigrante nordestino e nortista.
“É inadmissível que a história do jovem assassinado pela ditadura militar e que se tornou o pivô da histórica Passeata dos Cem Mil, permaneça sem ser contada. Quando Edson é assassinado, para além da censura institucional que as notícias de sua morte sofreram, sua narrativa também foi apagada pela sistemática e estrutural opressão que um jovem migrante sofre. Ao lutar contra o próprio analfabetismo, ao morar na rua e ao nascer filho de trabalhadores de base. O super objetivo desse espetáculo é contar o período do regime militar brasileiro, mas a partir da perspectiva do trabalhador de base, do analfabetismo, do trabalhador rural”, adianta Matheus.
Para o ator, outros conhecidos assassinatos do período de regime militar, como Rubens Paiva, Vladmir Herzog e Stuart Angel, são tão trágicos quanto a morte de Edson. Mas em seu primeiro monólogo, o multiartista optou por reiterar o recorte social, étnico e regional de Edson Luís para revelar novos ângulos. “Edson morou na rua, fez faxina e morou no restaurante acadêmico Calabouço, no Centro do Rio. Foi assassinado numa manifestação na qual a reivindicação era a comida dos estudantes. Para mim precisamos elevar a discussão acerca da representatividade. Não basta apenas ver corpos semelhantes aos meus na televisão, no cinema e no teatro. O próximo passo para a representatividade é a complexidade emocional. Apenas assim restabeleceremos o principal fator que é retirado dos personagens negros e indígenas: a humanidade”, conclui.
Driblando o apagamento de histórico do assassinato do jovem que definiu a passeata dos Cem Mil e logo em seguida a proclamação do Ato Institucional nº 5, “Edson” analisa e verifica a história da família Lima Souto desde a saída de Belém do Pará até morte do jovem no Rio de Janeiro. No caminho narrativo, a obra tem como meta criar a oportunidade de fabular, de tomar este conto documental como reflexo de cada família brasileira.
“Conforme o processo artístico caminhava, notei que a justiça dos fatos não era suficiente. Era necessário fabular. Afinal, para um espetáculo teatral é através da poesia que se descobre dignidade. E creio que esses são os pilares da dramaturgia: justiça para os fatos e poesia para dignidade”, pondera Matheus, que mergulhou por meses num processo de arquivologia na Biblioteca Nacional, debruçando-se sobre jornais de época, notas de rodapé e reportagens censuradas, montando, assim, um mosaico que deu a Edson uma narrativa justa.
“Ao longo de minha carreira fui beber na dança com a Lia Rodrigues, no musical com o Michel Melamed, nas artes visuais com o Bob Wilson… Mas acredito que foi no meu trabalho continuado com a Aquela Cia. que descobri uma linguagem autoral, minha e independente. Essa profusão e mistura de gêneros e linguagens teatrais formou uma espécie de quimera que é o ‘Edson’. O trabalho é muito físico, tem dança, tem canto, tem performance – e até circo, também. E vou ser honesto, estou me cuidando muito para encarar o desafio, mas sei que o que me mantém em cena é a missão de dar ao Edson, que foi uma pessoa real, a decência e a nobreza da contação de uma história que seja bela”, finaliza o realizador.
SERVIÇO
“Edson”
Temporada: 03 a 26 de abril de 2026
Horário: Sexta-feira e Sábado, às 20h; Domingo, às 19h
Ingressos: R$ 30 (meia-entrada) / R$ 60 (inteira)
Link para compra do Ingresso: https://bileto.sympla.com.br/event/117823/d/372524/s/2493515
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Endereço: Rua Humaitá, 163 – Humaitá – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2535-3846
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 75 minutos
Instagram: @edson.espetaculo
FICHA TÉCNICA
- DIRETOR, DRAMATURGO E ATOR: Matheus Macena
- FIGURINISTA E CENÓGRAFA: Bidi Bujnowski
- DIRETOR TÉCNICO E ILUMINAÇÃO: Gabriel Prieto
- DIRETOR MUSICAL E MÚSICO: Pedro Nego
- PROJETO GRÁFICO: Nina Bruno Malta
- FOTOGRAFIA: Lucas Nogueira
- ASSESSORIA DE IMPRENSA: Marrom Glacê Comunicação
- PRODUTORA LOCAL: Helena Panno
- PRODUÇÃO: Corpo Rastreado
O Último Dia no enfrentamento da violência contra a mulher

O último dia – Atores Taina Senna e Eduardo Hoffmann – foto de Rafael Oliveira 2
Baseada no livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça lança luz sobre os ciclos de controle, medo e violência que atravessam relacionamentos abusivos. O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos anos. Existem cinco tipos principais de violência doméstica e familiar contra a mulher: física,psicológica, moral, sexual e patrimonial. E não é raro que esses atos ocorram em conjunto. Inspirado em situações reais, o espetáculo “O Último Dia” estreia, no dia 7 de abril, no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, como uma obra potente e necessária de enfrentamento à violência contra a mulher. Adaptação do livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça propõe uma reflexão sobre uma realidade que atravessa gerações, classes sociais e territórios. Só em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no Brasil – o maior número de feminicídios dos últimos anos.
Com idealização de Ana Capella e direção de Paulo Reis, a encenação aposta em uma dramaturgia direta e sensível, que evita o sensacionalismo e privilegia a escuta, o silêncio e o confronto emocional. “O Último Dia” acompanha a trajetória de Luana, uma mulher que, aos poucos, vê sua relação se transformar em um ciclo de controle, medo e violência. A narrativa evidencia como o abuso raramente surge de forma abrupta, mas se instala de maneira progressiva e frequentemente naturalizada, até alcançar consequências mais graves.
“Escrevi esta peça movida pela esperança de contribuir para uma batalha que atravessa gerações: enfrentar o machismo que se infiltra no cotidiano, naturaliza a violência e ainda insiste em absolver culpados e silenciar vítimas. Diante da tragédia do Brasil de hoje — marcado por feminicídios, estupros e tantas violências que fazem meninas e mulheres sofrerem diariamente —, refletir sobre o machismo é urgente. Tenho esperança de que um dia essa realidade será outra. Que chegará o tempo em que nós, mulheres, possamos simplesmente viver, livres e sem medo”, observa a coautora Mariana Reade.
O espetáculo constrói sua força a partir da precisão cênica e do compromisso ético com o tema que aborda. No elenco, estão Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá, que dão corpo e voz a personagens atravessados por conflitos íntimos, familiares e sociais. O elenco sustenta uma encenação de forte carga emocional, em que cada gesto e cada palavra revelam sutilezas da violência cotidiana.
“Vimos o número de feminicídios crescer no ano passado, um panorama desolador. Diante desse quadro, é cada vez mais urgente que não só a imprensa noticie os novos casos, mas que a arte traga este tema à tona. A arte também tem essa função de alertar e conscientizar a população, por isso montar essa peça é tão importante”, comenta a atriz Tainá Senna, que vive Luana. "O Último Dia" evidencia que o feminicídio é o desfecho extremo de uma longa sequência de abusos. Ao colocar o público diante dessa escalada, o espetáculo rompe com a ideia de que a violência se resume ao ato final, revelando suas múltiplas formas e permanências.
Produzido pela Nanni Produções Artísticas, com coordenação de Guilherme Nanni, em parceria com Ana Capella, o projeto reafirma o papel da arte como instrumento de reflexão social e transformação. Em um país que registra índices alarmantes de violências contra a mulher, reconhecer a violência é o primeiro passo para interrompê-la.
Ficha técnica
- Texto: Mariana Reade e Wagner Cinelli
- Direção: Paulo Reis
- Elenco: Taina Senna, Ana Carbatti, Julia Tupinambá e Eduardo Hoffmann
- Cenografia: José Dias
- Figurinos: Rosângela Nascimento
- Produção: Ana Capella e Guilherme Nanni – Nanni Produções Artísticas
- Assistência de produção: Aline Mendes
- Captação de parcerias: Renata Leite
- Sonoplastia: Jojo Rodrigues
- Técnica de iluminação: Brisa Lima
- Coordenação de comunicação: Guilherme Nanni
- Assessoria de imprensa: Rachel Almeida – Racca Comunicação
- Marketing digital: Influencie Marketing Digital
- Fotografia: Lorena Zschaber
- Design: Rg Studio Criativo
Serviço:
Espetáculo: O Último Dia
- Temporada: de 07 a 29 de abril
- Centro Cultural Justiça Federal: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
- Telefone: (21) 3261-2550
- Dias e horários: terças e quartas, às 19h
- Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).
- Lotação: 141 lugares
- Duração: 1h15
- Classificação etária: 16 anos
- Venda de ingressos: pelo site Sympla (https://share.google/hsmZrH8hN512PsjFa) e na
- bilheteria do centro cultural, a partir das 17h, nos dias de espetáculo.
- Instagram: @oultimo.dia
Baseada no livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça lança luz sobre os ciclos de controle, medo e violência que atravessam relacionamentos abusivos. O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos anos.
Existem cinco tipos principais de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. E não é raro que esses atos ocorram em conjunto. Inspirado em situações reais, o espetáculo “O Último Dia” estreia, no dia 7 de abril, no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, como uma obra potente e necessária de enfrentamento à violência contra a mulher. Adaptação do livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça propõe uma reflexão sobre uma realidade que atravessa gerações, classes sociais e territórios. Só em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no Brasil – o maior número de feminicídios dos últimos anos.
Com idealização de Ana Capella e direção de Paulo Reis, a encenação aposta em uma dramaturgia direta e sensível, que evita o sensacionalismo e privilegia a escuta, o silêncio e o confronto emocional. “O Último Dia” acompanha a trajetória de Luana, uma mulher que, aos poucos, vê sua relação se transformar em um ciclo de controle, medo e violência. A narrativa evidencia como o abuso raramente surge de forma abrupta, mas se instala de maneira progressiva e frequentemente naturalizada, até alcançar consequências mais graves.
“Escrevi esta peça movida pela esperança de contribuir para uma batalha que atravessa gerações: enfrentar o machismo que se infiltra no cotidiano, naturaliza a violência e ainda insiste em absolver culpados e silenciar vítimas. Diante da tragédia do Brasil de hoje — marcado por feminicídios, estupros e tantas violências que fazem meninas e mulheres sofrerem diariamente —, refletir sobre o machismo é urgente.
Tenho esperança de que um dia essa realidade será outra. Que chegará o tempo em que nós, mulheres, possamos simplesmente viver, livres e sem medo”, observa a coautora Mariana Reade. O espetáculo constrói sua força a partir da precisão cênica e do compromisso ético com o tema que aborda. No elenco, estão Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá, que dão corpo e voz a personagens atravessados por conflitos íntimos, familiares e sociais. O elenco sustenta uma encenação de forte carga bemocional, em que cada gesto e cada palavra revelam sutilezas da violência cotidiana.
“Vimos o número de feminicídios crescer no ano passado, um panorama desolador. Diante desse quadro, é cada vez mais urgente que não só a imprensa noticie os novos casos, mas que a arte traga este tema à tona. A arte também tem essa função de alertar e conscientizar a população, por isso montar essa peça é tão importante”, comenta a atriz Tainá Senna, que vive Luana.
O Último Dia evidencia que o feminicídio é o desfecho extremo de uma longa sequência de abusos. Ao colocar o público diante dessa escalada, o espetáculo rompe com a ideia de que a violência se resume ao ato final, revelando suas múltiplas formas e permanências.
Produzido pela Nanni Produções Artísticas, com coordenação de Guilherme Nanni, em parceria com Ana Capella, o projeto reafirma o papel da arte como instrumento de reflexão social e transformação. Em um país que registra índices alarmantes de violências contra a mulher, reconhecer a violência é o primeiro passo para interrompê-la.
Ficha técnica
- Texto: Mariana Reade e Wagner Cinelli
- Direção: Paulo Reis
- Elenco: Taina Senna, Ana Carbatti, Julia Tupinambá e Eduardo Hoffmann
- Cenografia: José Dias
- Figurinos: Rosângela Nascimento
- Produção: Ana Capella e Guilherme Nanni – Nanni Produções Artísticas
- Assistência de produção: Aline Mendes
- Captação de parcerias: Renata Leite
- Sonoplastia: Jojo Rodrigues
- Técnica de iluminação: Brisa Lima
- Coordenação de comunicação: Guilherme Nanni
- Assessoria de imprensa: Rachel Almeida – Racca Comunicação
- Marketing digital: Influencie Marketing Digital
- Fotografia: Lorena Zschaber
- Design: Rg Studio Criativo
Serviço:
Espetáculo: O Último Dia
- Temporada: de 07 a 29 de abril
- Centro Cultural Justiça Federal: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
- Telefone: (21) 3261-2550
- Dias e horários: terças e quartas, às 19h
- Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).
- Lotação: 141 lugares
- Duração: 1h15
- Classificação etária: 16 anos
- Venda de ingressos: pelo site Sympla (https://share.google/hsmZrH8hN512PsjFa) e na
- bilheteria do centro cultural, a partir das 17h, nos dias de espetáculo.
- Instagram: @oultimo.dia
Companhia Ballet Dalal Achcar celebra 5 anos com temporada especial no Teatro Riachuelo

Sem Você – Foto Pedro Ivo de Oliveira
A Cia Ballet Dalal Achcar celebra cinco anos de história com uma temporada especial no Teatro Riachuelo Rio, entre os dias 10 e 12 de abril. A programação reúne nove coreografias do repertório da companhia, combinando clássicos do ballet e criações contemporâneas assinadas por grandes nomes como Dalal Achcar, Eric Frédéric, Vassili Sulich e Ivonice Satie.
Formada por bailarinos profissionais, a companhia apresenta ao longo de três noites programas distintos que percorrem diferentes linguagens da dança, reafirmando a proposta artística do grupo: unir técnica clássica, expressão contemporânea e identidade brasileira.
A companhia nasce da trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à dança por Dalal Achcar, uma das figuras mais importantes da formação e difusão do balé no Brasil. Os espetáculos contam com produção da Aventura e patrocínio da Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
“É com emoção e orgulho que comemoramos 5 anos da Cia Ballet Dalal Achcar, concretizando um trabalho que vem sendo desenvolvido há anos. Graças ao esforço conjunto, que contou com a participação de Eric Frédéric, de Mariza Estrella e Cristiane Quintan, conseguimos dar aos nossos bailarinos, um preparo técnico e artístico de alta qualidade. Temos a esperança que nossos artistas realizarão suas carreiras no Brasil e serão reconhecidos, admirados e aplaudidos pelo seu povo”, afirma Dalal Achcar
Dalal Achcar leva para o palco, uma coreografia, criada no período da pandemia da 19, onde as aulas estavam acontecendo de forma online e antes mesmo da criação da Cia Ballet Dalal Achcar. Durante o lockdown, o coreógrafo e maître de ballet da Cia Eric Frederic, inspirado pela valsa “Cinderella”, de Johann Strauss, criou uma coreografia fazendo de palco o espaço de cada bailarina em sua casa. O resultado foi a Valsa do Varal, a obra teve sua estreia ao vivo na reabertura pós-pandemia do teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch, usando um dos mais fantásticos recursos, característica singular, dos teatros projetados por Oscar Niemeyer, o palco aberto para o ar livre.
Entre os outros destaques está a suite de “Don Quixote”, coreografia de Dalal Achcar inspirada no clássico da literatura e em um dos balés mais populares do repertório mundial. Criada originalmente pela coreógrafa em 1982, a montagem apresenta uma leitura própria da obra e enfatiza a figura do cavaleiro sonhador que move a narrativa. Dalal acrescentou extratos de zarzuelas espanholas do início do século XIX à música original de Minkus, mudou a ordem de algumas cenas e fez adaptações no libreto procurando dar maior importância à figura do Don Quixote, mas manteve uma parte da coreografia original de Marius Petipa o “Divertissement do Ballet Don Quixote” pas de deux final.
Outra obra marcante do repertório é “Cardinal”, também de Dalal, inspirada na música de Johann Sebastian Bach. A coreografia dialoga com o estilo neoclássico e incorpora, de forma sutil, referências à dança brasileira, criando um encontro delicado entre tradição e identidade cultural.
A temporada também traz criações de Eric Frédéric, coreógrafo e maître de ballet da companhia, como Fuga Technic@, obra que explora os limites técnicos do corpo em movimento, Sem Você, balé dedicado às múltiplas formas do amor e às relações humanas e as coreografias As Horas e Slow Dancer.
“Ser mestre de ballet e coreógrafo da companhia é uma experiência muito especial para mim. Estou aqui desde o início da sua criação e tive a oportunidade de acompanhar toda a evolução do grupo, desde os primeiros passos até o caminho que estamos construindo hoje. É um prazer poder trabalhar diariamente com esses bailarinos, que têm tanta força e energia. Procuro compartilhar com eles tudo o que aprendi ao longo da minha trajetória, abrir meu coração e transmitir o máximo possível do meu conhecimento. Mesmo com todos os desafios que existem no Brasil, me sinto muito feliz por fazer parte desses cinco anos de história da companhia e dessa comemoração ao lado da Dalal Achcar. Que venham mais cinco, dez, quinze, vinte anos de trabalho e conquistas.”, completa Eric Frédéric.
Completam o programa coreografias de importantes nomes da dança internacional, como “Paradise Garden”, do coreógrafo croata Vassili Sulich, e “Shogun”, de Ivonice Satie, obra marcada por referências simbólicas ligadas à meditação, equilíbrio e espiritualidade.
BAILARINOS
- Camila Lino
- Fernando Mendonça
- Debora Gomes
- Gabriel Agnéz
- Gabriela Sisto
- Julia Pera
- Lais Lourenço
- Lívia de Castro
- Luana Gali
- Sophia Themis
- Thais Cabral
- Gustavo Ventali
- Jean Pires
- João Luís da Matta
- Luiz Machado
- Matheus Benevides
- Matheus Brito
- Mirosmar RibeiroVinícios Oliveira
FICHA TÉCNICA
- Diretora Artística: Dalal Achcar
- Diretora Técnica: Mariza Estrella
- Maitre de Ballet e Coreógrafo Convidado: Éric Frédéric
- Remontadora, ensaiadora e Prof. Cristiane Quintan
- Produtora Executiva: Sonja Figueiredo
- Pianista: Lucie Monsarrat
- Coordenadora Técnica: Gláucia Avanzini
- Camareiras: Graziele Freitas e Rosi Ferreira
SERVIÇO
CIA DE BALLET DALAL ACHCAR – 5 ANOS
- Local: Teatro Riachuelo Rio- R. do Passeio, 38/40 – Centro, Rio de Janeiro
- Datas e Coreografias:
- 10/04 – DON QUIXOTE , AS HORAS, PARADISE GARDEN, FUGA TECHNIC@
- 11/04 – CARDINAL , SHOGUN, SEM VOCÊ
- 12/04 – DON QUIXOTE , SLOW DANCER, VALSA DO VARAL, SHOGUN, CARDINAL
- Horários: sexta e sábado às 20h e domingo às 17h
- Duração: 75 minutos
- Classificação indicativa: livre
- Valor dos ingressos Plateia VIP: 90 / 45,00 Meia
- Plateia: 70,00 / 35,00 Meia
- Balcão nobre: 50 / 25,00 Meia
- Balcão simples: 40,00 / 20,00 meia
Dom Casmurro de graça no Otaú Cultural, em São Paulo

Dom Casmurro
Após o sucesso de estreia em 2024 e das novas apresentações em 2025, o premiado musical “Dom Casmurro” retorna a São Paulo para uma nova temporada, desta vez no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. As apresentações acontecem de 2 a 12 de abril, de quinta a domingo, com sessões às 20h (quinta a sábado) e às 18h (domingo), com ingressos gratuitos e reservas realizadas pela plataforma Inti, abertas sempre às terças-feiras, a partir das 12h, na mesma semana de cada apresentação.
A produção, parceria entre A Casa Que Fala e Tomate Produções, amplia seu reconhecimento no cenário do teatro musical brasileiro, reforçando a potência dos musicais autorais ao consolidar uma trajetória marcada por prêmios e indicações relevantes. Indicada ao Prêmio APCA nas categorias Melhor Espetáculo e Melhor Ator, a montagem venceu o Prêmio Bibi Ferreira 2025 na categoria Dramaturgia Original em Musicais, além da indicação em Letra e Música, e foi indicada a cinco categorias do Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID), conquistando os troféus de Dramaturgia Original e Letra Original.
Com texto de Davi Novaes (“O Que Restou de Você em Mim”) e músicas, letras e direção musical de Guilherme Gila (autor do premiado “A Igreja do Diabo”), o espetáculo conta com direção de Zé Henrique de Paula e propõe uma releitura contemporânea, sensorial e musicalmente pulsante da obra de Machado de Assis, autor que também ganhou uma exposição na série Ocupação, do Itaú Cultural, em 2023.
O projeto do musical foi desenvolvido ao longo de três anos, em um processo colaborativo que buscou traduzir para a cena as tensões psicológicas e ambiguidades presentes na narrativa original. “Percebi que muitos musicais que admiramos no exterior partem de obras literárias. Voltar o olhar para os nossos clássicos foi um movimento natural, e ‘Dom Casmurro’ reunia todos os elementos para essa adaptação”, comenta Gila.
Na dramaturgia, Davi Novaes preserva a essência machadiana enquanto abre espaço para novas camadas de leitura. “A estrutura do romance permanece, mas a encenação permite que dúvida, memória e ciúme ganhem voz através da música”, explica.
A encenação se constrói a partir de uma linguagem integrada entre corpo, luz, som e espaço. A direção de movimento e coreografias são de Zuba Janaína, com desenho de luz de Fran Barros, desenho de som de Cauê Palumbo, figurinos de Ùga agÚ, visagismo de Jo Sant Anna e cenografia assinada pelo diretor Zé Henrique de Paula, em diálogo direto com as nuances psicológicas da obra.
O elenco retorna para esta temporada com Rodrigo Mercadante como Bentinho, Luci Saluzzi como Capitu e Cleomácio Inácio como Escobar. A nova fase do espetáculo marca a entrada de Bibi Tolentino, que assume os papéis de Prima Justina e Sancha. Completam o elenco Fábio Enriquez como José Dias, Nábia Villela como Dona Glória e Eduardo Leão como Tio Cosme.
A trilha sonora, executada ao vivo, transita entre o rock e a MPB, acompanhando as transformações emocionais dos personagens. A banda é formada por Guilherme Gila (piano e regência), Samir Alves (violino), Felipe Parisi (violoncelo), Pedro Macedo (contrabaixo) e Cássio Percussão (percussão).
Mais do que uma adaptação, o musical “Dom Casmurro” propõe uma experiência que articula literatura, música e interpretação em uma construção sensorial que convida o público a revisitar um dos maiores clássicos brasileiros sob novas perspectivas.
SERVIÇO:
Musical “Dom Casmurro”
- Local: Itaú Cultural
- Avenida Paulista, 149 – São Paulo
- Temporada: 2 a 12 de abril (quinta a domingo)
- Sessões: Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 18h
- Excepcionalmente no dia 03/04, a sessão será às 18h.
- Ingressos gratuitos
Sou formada em jornalismo pela Universidade Gama Filho, apaixonada por
eventos culturais, em especial o teatro, que nos faz viajar, pensar, sonhar,
sorrir, chorar e amar.