Nascido na Lapa, Lunares retoma projeto interrompido pela pandemia com “Triptofano”

Trio instrumental carioca lança single pela Algohits, antecipa EP de estreia com os selos Abraxas e Urutu Discos e prepara nova fase nos palcos

por Bruno Pirozi

O trio instrumental Lunares, criado na efervescência da cena independente da Lapa, no Rio de Janeiro, retoma a trajetória com “Triptofano”. Já disponível nas plataformas digitais pela Algohits, o single abre caminho para o primeiro EP da banda, gravado antes da pandemia e realizado pelos selos Abraxas e Urutu Discos.

Seis anos depois de entrar em estúdio, o grupo transforma um projeto interrompido em ponto de partida. Formado por Bauer França, Guilherme Vaz e Vicente Barroso, o Lunares constrói em “Triptofano” uma experiência guiada por riffs de guitarra, improvisação, ritmos intensos e psicodelia pesada.

A faixa, composta pelo guitarrista Guilherme Vaz, alterna contemplação e explosões sonoras, atravessando referências do hard psych, rock progressivo, stoner rock e fusion. Sem vocais, deixa a guitarra no centro da narrativa e conduz a escuta por mudanças de clima, peso e intensidade.

O título faz referência ao triptofano, aminoácido associado à produção de serotonina e à regulação do sono. Para o Lunares, o nome também expressa a sensação de suspensão da rotina provocada pela música.

“‘Triptofano’ foi uma das primeiras músicas apresentadas pelo Lunares e, desde os primeiros ensaios no Coletivo Machina, era a que mais parecia definir a identidade da banda. Sempre nos sentimos bem tocando essa faixa, e o nome vem um pouco disso. Produzir esse tipo de som instrumental e pesado sempre foi instigante para nós”, explica Bauer França, baixista do trio.

Gravada no início de 2020, no Estúdio Terra, “Triptofano” integra o EP homônimo, que terá quatro faixas. O trabalho foi produzido pela própria banda, com coprodução de Daniel Duarte e Francisco Patetucho. O percussionista Tom Andrade participa de todo o repertório; Patetucho assina ainda a mixagem, a masterização e os sintetizadores.

As bases foram registradas ao vivo para preservar a troca entre os integrantes e abrir espaço para improvisos. Nomes como Earthless, Psilocibina e Quarto Astral ajudam a situar o universo de referências do trio, que aposta em arranjos diretos e na força da interação instrumental.

A história do Lunares começa em 2016, no Coletivo Machina, espaço da Lapa que funcionou como estúdio, casa de shows e ponto de encontro de artistas da cena independente carioca. Foi ali que os músicos desenvolveram sua linguagem enquanto também produziam eventos e acompanhavam a movimentação de diferentes vertentes do rock nacional.

A banda passou por palcos e eventos como Audio Rebel, Aparelho, Void, Aldeia Rock Festival, Hocus Pocus Festival e produções do selo Abraxas. A relação dos integrantes com o skate e outros esportes radicais também levou o grupo ao MIMPI Surf Skate Film Sessions, ao Osklen Surfing Concrete Sessions e ao encerramento do festival I Love XV, em 2019.

A capa do primeiro EP, inclusive, nasceu desse universo: a imagem registrada pelo fotógrafo Matheus Perissé durante o I Love XV foi escolhida sete anos depois para representar o trabalho.

A pandemia adiou o lançamento e os músicos passaram a viver em cidades diferentes: Guilherme está em Lisboa, Bauer permanece no Rio de Janeiro e Vicente mora em São Paulo. O reencontro aconteceu em 2024, com apresentações no Rio e em São Paulo, reacendendo a vontade de concluir o projeto.

“Tocar essas músicas é um momento de escape da rotina. Também é um prazer reencontrar pessoas que, mesmo com o passar dos anos, continuaram acompanhando e valorizando nosso trabalho. Agora queremos voltar aos shows, lançar as outras faixas, compor e nos divertir juntos novamente”, completa Bauer.

“Triptofano” chega com um visualizer formado por imagens de apresentações do Lunares em São Paulo, em 2024, conectando a gravação feita antes da pandemia à retomada do grupo nos palcos. Além das próximas faixas do EP, a banda prevê novos shows e gravações para 2027.

 

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