O que faz um compositor que morreu aos 26 anos continuar tão atual quase nove décadas depois? No dia 15 de novembro, domingo, às 18h30, a Acaso Cultural recebe “Noel Rosa: Poesia e Prosa”, aula-espetáculo conduzida por Geraldo Carneiro, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras, e Alfredo Del-Penho, cantor, violonista, compositor, ator e premiado pesquisador da música brasileira. O célebre Noel Rosa transformou o cotidiano do Rio de Janeiro em poesia, fez do humor uma marca do samba e retratou, com ironia e inteligência, os amores, as contradições e os personagens de seu tempo. Quase um século depois, sua obra continua surpreendentemente viva.
Nascido em Vila Isabel, em 1910, e morto em 1937, Noel Rosa teve uma trajetória tão breve quanto decisiva para a história da música popular. Em suas composições, o samba ganhou uma linguagem próxima da conversa cotidiana, com personagens, situações e conflitos que revelam o comportamento de uma cidade em transformação. A boemia, as relações amorosas, as desigualdades, as aparências sociais e as contradições humanas surgem em versos que combinam observação, irreverência e precisão poética.
Em um encontro que aproxima música, literatura e memória, os artistas revisitam a trajetória de Noel Rosa para além de seus clássicos, revelando o compositor de Vila Isabel como um observador perspicaz da sociedade carioca. Entre canções, histórias e comentários bem-humorados, a aula-espetáculo percorre a boemia, os amores, as conversas de botequim e as cenas da vida urbana que inspiraram sua obra, transformando o cotidiano em retratos musicais de rara precisão.
Canções como “Conversa de Botequim” e “O Gago Apaixonado” evidenciam a originalidade de Noel Rosa, que revolucionou a linguagem do samba ao combinar coloquialismo, sátira e sofisticação poética. Em meio às transformações culturais do Rio nas décadas de 1920 e 1930, à expansão do rádio e à popularização do samba, sua obra aproximou a tradição das ruas de uma escrita inovadora, tornando-se um retrato vivo dos costumes, das contradições e da identidade brasileira.
Ao unir a perspectiva literária de Geraldo Carneiro à experiência musical e cênica de Alfredo Del-Penho, “Noel Rosa: Poesia e Prosa” propõe redescobrir um compositor fundamental para compreender a identidade cultural do país. Mais do que revisitar uma obra consagrada, a aula-espetáculo ilumina a inteligência, a modernidade e a capacidade de Noel de fazer do samba uma forma extraordinária de narrar o Brasil.
Os dois artistas já participaram de um espetáculo dedicado à vida e à obra de Noel Rosa e agora retomam esse universo em um formato que privilegia a proximidade com o público, alternando canções, comentários e histórias. A proposta permite descobrir aspectos menos evidentes de um compositor frequentemente lembrado por seus sambas mais populares, mas cuja contribuição ultrapassa o repertório musical.
“Noel Rosa: Poesia e Prosa” integra a programação comemorativa de um ano da Acaso Cultural, que celebra seu primeiro aniversário em novembro com apresentações de artistas de diferentes gerações e linguagens. A escolha do poeta de Vila Isabel para essa programação estabelece também uma conexão direta com o Rio de Janeiro, cidade que Noel soube observar e traduzir como poucos.
Os artistas
Geraldo Carneiro, eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2016, é autor de nove livros de poesia, reunidos em Poesia Reunida, finalista do Prêmio Jabuti. Sua produção atravessa também a música, com mais de duzentas canções compostas em parceria com nomes como Egberto Gismonti, Astor Piazzolla, Francis Hime, Wagner Tiso e Martinho da Vila. No audiovisual, escreveu centenas de roteiros e recebeu o Emmy Internacional em 2012 pela minissérie O Astro, além de acumular importantes reconhecimentos por sua obra literária.
Alfredo Del-Penho, por sua vez, construiu uma carreira que transita entre a música, a composição, a pesquisa e o teatro. Com mais de dez discos lançados, indicação ao Grammy Latino e duas conquistas do Prêmio da Música Brasileira, também recebeu prêmios como Shell, Cesgranrio, Bibi Ferreira, APTR e Reverência. É fundador e diretor musical da Barca dos Corações Partidos, companhia reconhecida pela pesquisa e criação no campo do teatro musical brasileiro.
Acaso Cultural
Instalada em um charmoso casarão centenário em Botafogo, no Rio de Janeiro, a Acaso Cultural celebra, em novembro de 2026, seu primeiro aniversário, consolidando-se como um espaço multidisciplinar dedicado à música, ao teatro, às artes visuais, à literatura, à educação e à convivência. Ao longo desse primeiro ano, a casa reuniu mais de 500 artistas e profissionais da cultura. Um de seus diferenciais é a Sala Acaso, reconhecida pelos músicos que passaram por seu palco pela qualidade acústica e pelas condições de escuta. O espaço também abriga salas para cursos e ensaios, galeria de arte, livraria, ambientes de convivência e o restaurante Nonô.
Com uma programação que reúne concertos, espetáculos teatrais, exposições, oficinas, debates, encontros literários e atividades formativas, a Acaso Cultural busca aproximar artistas e público em diferentes experiências culturais.
Serviço:
Noel Rosa: Poesia e Prosa — Geraldo Carneiro e Alfredo Del-Penho (aula-espetáculo com música, literatura e histórias sobre a vida e a obra de Noel Rosa)
Dia 15 de novembro, quinta, às 18h30h
Local: Acaso Cultural
Endereço: Rua Vicente de Sousa, 16 — Botafogo, Rio de Janeiro
Telefone: 21 97358-6387
Ingressos entre R$ 55,00 a R$ 200,00.
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/
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Informações Adicionais: A Acaso conta com rampas, elevador e banheiros acessíveis. O ingresso vale desconto no restaurante Nonô e no estacionamento Estapar (Rua Muniz Barreto). Descontos exclusivos para membros do Clube O Globo. Não há lugares marcados na Sala Acaso.
