Proibição do Clobutinol pela Anvisa acende alerta sobre medicamentos comuns que afetam o ritmo cardíaco

Cardiologista esclarece os riscos da automedicação e ensina como identificar sinais de que um medicamento está afetando o seu coração. 

por Redação
Proibição do Clobutinol pela Anvisa

A recente proibição de xaropes com a substância Clobutinol pela Anvisa chama a atenção para um debate importante: o risco de efeitos colaterais graves em medicamentos amplamente usados no dia a dia. A decisão foi baseada na relação custo-benefício do medicamento – tratamento para tosse x risco de arritmias cardíacas graves – no entanto, diversos outros medicamentos usados em situações cotidianas, como febre, dor e inflamação também podem causar arritmias cardíacas e permanecem nas prateleiras das farmácias e são vendidos sem receita médica. O motivo? Eles tratam condições onde o risco de não medicar é ainda maior. Mas, para quem tem o coração vulnerável, essa fronteira é perigosa.

Isa Bragança, cardiologista e fundadora da Clínica Cardiomex, alerta que o problema muitas vezes é o fato de o paciente não ter conhecimento da sua real condição cardiovascular até que tenha uma reação grave. “A proibição do Clobutinol serve como um alerta pedagógico. O perigo real não é só a fórmula química, mas o encontro dela com um coração que já tem uma predisposição silenciosa. Muita gente caminha por aí com alterações genéticas na condução elétrica, como a Síndrome do QT Longo, sem fazer a menor ideia. Aí, tomam um remédio comum e o coração ‘sai do trilho'”, pontua a médica.

A cilada dos “inocentes”

A automedicação, especialmente com descongestionantes e anti-inflamatórios, é onde mora o maior gargalo. Segundo a especialista, o monitoramento médico é o que separa o sucesso do tratamento de uma tragédia evitável.

“É curioso como as pessoas se assustam ao saber que uma azitromicina ou um spray nasal podem descompassar o peito. Na Cardiomex, a gente bate muito na tecla de que não existe ‘receita de bolo’. Para manter esses remédios no mercado, a medicina conta com o monitoramento: um eletrocardiograma antes de começar um tratamento mais forte e prolongado pode ser um divisor de águas”, afirma Isa Bragança.

A cardiologista destaca que é preciso cuidado redobrado com crianças e idosos. Isso porque o risco de efeitos colaterais graves por medicamentos que causam arritmias cardíacas é significativamente maior em crianças e idosos. Idosos têm menor capacidade de metabolizar medicamentos, acumulando substâncias, enquanto crianças podem ter sensibilidade aumentada a fármacos com estimulantes. 

Outro alerta que a médica faz é sobre o uso prolongado de um medicamento ou em quantidade superior à recomendada. “Tem uma frase famosa na medicina que é ‘A diferença entre o remédio e o veneno está na dose’. Ou seja, a eficácia de um medicamento depende do equilíbrio entre a dose terapêutica e a dose tóxica. E, na automedicação é mais fácil cometer esse erro”, ressalta a cardiologista.

Como não correr riscos?

Para a cardiologista, o caminho não é o medo, mas a transparência. Ela aponta três pilares fundamentais:

  • Fale tudo: Seu médico precisa saber do seu termogênico, do seu pré-treino e até daquele “remedinho natural”.
  • Sinais do corpo: Sentiu o coração ‘trocar o passo’, tontura ou um suor frio estranho após tomar um remédio? Pare e ligue para o médico.
  • Check-up é base: Quem tem histórico de morte súbita na família não pode brincar de tomar estimulantes sem uma avaliação elétrica do coração.

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