Cirurgia de catarata dói? O que os estudos mediram e o que o paciente sente em cada etapa

por Redação
Cirurgia de catarata dói? O que os estudos mediram e o que o paciente sente em cada etapa

A cirurgia de catarata costuma ser um procedimento bem tolerado, realizado com anestesia para controlar a dor e proporcionar conforto ao paciente. Na maioria dos casos, a pessoa permanece acordada, mas isso não significa que conseguirá enxergar os detalhes da operação.

Durante a cirurgia, é possível perceber luzes, sombras ou outras sensações discretas, que variam de pessoa para pessoa. Conhecer essas características com antecedência ajuda a esclarecer dúvidas e a chegar ao procedimento com expectativas mais realistas.

A seguir, entenda como funciona a anestesia, o que os estudos mostram sobre a dor e como costuma ser a experiência do paciente durante a cirurgia e nos primeiros dias de recuperação.

O que os estudos mostram sobre dor na cirurgia de catarata?

Uma revisão sistemática da Cochrane comparou duas técnicas utilizadas para controlar a dor durante a cirurgia de catarata: a anestesia tópica e a anestesia sub-Tenon.

A análise reuniu dados de sete estudos, envolvendo 742 olhos operados de 617 participantes. Os pesquisadores identificaram pequenas diferenças médias na dor relatada entre as técnicas, consideradas provavelmente sem relevância clínica.

Durante a cirurgia, a diferença foi equivalente a 1,1 ponto em uma escala de 0 a 10, favorecendo a anestesia sub-Tenon. Nas 24 horas seguintes, houve uma diferença de aproximadamente 0,2 ponto no sentido contrário.

Esses valores representam diferenças entre os grupos estudados, e não a intensidade da dor sentida individualmente pelos pacientes.

Os resultados mostram que existem diferentes técnicas anestésicas capazes de proporcionar controle da dor durante o procedimento. A escolha considera as características de cada paciente, as condições oculares e a avaliação da equipe médica.

Você fica acordado durante a cirurgia?

Na maioria dos casos, a cirurgia de catarata é realizada com anestesia local e o paciente permanece acordado.

Isso não significa acompanhar visualmente todos os detalhes do procedimento. O olho está anestesiado, e a percepção visual costuma ficar limitada a luzes, sombras e movimentos.

Quando necessário, a equipe também pode utilizar sedação para ajudar o paciente a relaxar. A necessidade e o tipo de sedação são definidos de acordo com as condições clínicas de cada pessoa e com o protocolo adotado.

Se a ideia de permanecer acordado causar ansiedade, vale conversar sobre isso durante a consulta pré-operatória. O oftalmologista poderá explicar como será realizada a anestesia e quais cuidados estão previstos para proporcionar conforto durante o procedimento.

Como o olho é anestesiado?

A cirurgia de catarata pode ser realizada com diferentes técnicas de anestesia local.

Na anestesia tópica, o anestésico é aplicado diretamente no olho por meio de colírios. Em outras técnicas, como a anestesia sub-Tenon, o anestésico é administrado ao redor do olho.

A escolha considera as características do paciente, as condições oculares, a técnica cirúrgica e a avaliação da equipe responsável.

Como mostrou a revisão da Cochrane, as duas técnicas comparadas apresentaram pequenas diferenças médias em relação à dor relatada. Por isso, o mais adequado é conversar com o oftalmologista sobre o método indicado para cada caso.

O procedimento, etapa por etapa

Do ponto de vista técnico, a cirurgia consiste em retirar o cristalino opacificado e implantar uma lente intraocular em seu lugar. Para quem vai passar pelo procedimento, conhecer as etapas pode ajudar a entender o que acontece desde a preparação até o término da operação.

Durante o preparo, são aplicados colírios para dilatar a pupila e realizar a anestesia, conforme a técnica escolhida. A visão pode ficar progressivamente embaçada, e alguns colírios podem provocar um ardor breve.

Depois da anestesia e do posicionamento para a cirurgia, o paciente pode perceber principalmente claridade e mudanças no campo visual.

Ao longo do procedimento, algumas pessoas relatam sensações como pressão, toque ou movimento no olho, além de sons produzidos pelos equipamentos. Essas percepções podem ocorrer sem necessariamente indicar dor ou algum problema.

A equipe acompanha o paciente durante a cirurgia. Caso surja dor ou desconforto importante, basta comunicar o que está sentindo para que a situação seja avaliada e sejam tomadas as medidas necessárias.

O que o paciente enxerga durante a cirurgia?

Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), durante a cirurgia o paciente pode perceber movimentos e mudanças de luz e sombra, mas é improvável que consiga enxergar detalhes do que está acontecendo.

A luz do microscópio cirúrgico pode ser percebida com intensidade. Algumas pessoas também relatam variações de brilho, sombras ou cores, embora essa experiência varie individualmente.

Na prática, permanecer acordado não significa assistir à cirurgia. A percepção visual costuma ser bastante diferente da imagem nítida que algumas pessoas imaginam antes do procedimento.

O que esperar dos primeiros dias de recuperação?

Após a cirurgia, o paciente recebe orientações sobre os cuidados necessários e o uso dos colírios prescritos. A recuperação acontece gradualmente, e o tempo para perceber melhora na visão pode variar de pessoa para pessoa.

Nos primeiros dias, é possível apresentar visão embaçada, sensibilidade à luz ou algum desconforto ocular passageiro. Essas manifestações devem ser acompanhadas conforme as orientações fornecidas pelo oftalmologista.

Nesse período, é importante utilizar corretamente os medicamentos prescritos, evitar esfregar o olho e respeitar as recomendações sobre atividades físicas, direção e proteção ocular.

A equipe também informa quais sinais exigem atenção. Dor intensa, piora repentina da visão, flashes luminosos ou aparecimento súbito de manchas e sombras no campo visual justificam avaliação médica urgente.

Além dos cuidados específicos do pós-operatório, reconhecer alterações que merecem avaliação profissional faz parte da preservação da saúde ocular. Orientações sobre riscos e cuidados com a saúde dos olhos ajudam a compreender a importância dessa atenção ao longo da vida.

Essas recomendações gerais não substituem as orientações individualizadas do oftalmologista responsável pela cirurgia.

O que observar ao escolher onde fazer a cirurgia de catarata?

Embora a técnica cirúrgica e os cuidados necessários sigam critérios médicos independentemente da cidade, a escolha do local onde o procedimento será realizado também envolve questões práticas.

Além da qualificação do oftalmologista responsável, vale conhecer a estrutura disponível para avaliação inicial, realização dos exames necessários, procedimento cirúrgico e acompanhamento após a operação.

A localização também pode ter importância nesse processo. O tratamento não termina na saída do centro cirúrgico, já que consultas e avaliações posteriores podem exigir novos deslocamentos. Por isso, a facilidade de acesso ao estabelecimento é um aspecto que merece ser considerado.

Em grandes centros urbanos, onde existem diferentes opções de atendimento oftalmológico, procurar uma estrutura que reúna as diversas etapas do cuidado pode facilitar a continuidade do acompanhamento.

No Rio de Janeiro, por exemplo, estabelecimentos que concentram atendimento oftalmológico, recursos para diagnóstico, estrutura para realização do procedimento e acompanhamento pós-operatório permitem integrar diferentes momentos do tratamento.

Para quem pesquisa onde realizar a cirurgia de catarata no Rio de Janeiro, verificar essas características, além da qualificação do profissional responsável, ajuda a comparar os serviços disponíveis antes do agendamento.

Independentemente da cidade ou do estabelecimento escolhido, a indicação da cirurgia, a técnica utilizada e os cuidados necessários devem ser individualizados pelo oftalmologista após a avaliação do paciente.

Afinal, cirurgia de catarata dói?

A cirurgia de catarata é realizada com anestesia para controlar a dor e costuma ser bem tolerada. Embora algumas sensações possam ser percebidas durante o procedimento, a equipe acompanha o paciente e pode avaliar qualquer desconforto comunicado.

Conhecer antecipadamente como funciona a anestesia, o que acontece durante a operação e quais cuidados fazem parte da recuperação ajuda a esclarecer dúvidas e a se preparar melhor.

Para quem sente receio de realizar a cirurgia, conversar abertamente com o oftalmologista é uma etapa importante. O profissional poderá explicar as particularidades do caso e orientar o paciente sobre o procedimento, a anestesia e o acompanhamento necessário.

Fontes

  • Guay J, Sales K. Sub-Tenon’s anaesthesia versus topical anaesthesia for cataract surgery. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015, CD006291. Disponível em pmc.ncbi.nlm.nih.gov.
  • Moreira FG, Silva RFL, Saraiva FP, Valbon BF. Estudo da dor no período pós-operatório de cirurgia de catarata: utilização de dipirona no intraoperatório. Revista Brasileira de Oftalmologia, 2019;78(2):98-102. Disponível em  rbojournal.org.
  • Organização Mundial da Saúde. Blindness and vision impairment, ficha técnica de 10 de fevereiro de 2026. Disponível em who.int.

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