Ondas de calor, alterações no sono e irregularidades menstruais estão entre os sinais da menopausa, mas nem sempre é necessário fazer exames hormonais para confirmar essa fase. Na maioria das mulheres com mais de 45 anos, o diagnóstico é clínico, baseado na idade, nos sintomas e no histórico menstrual. No mês em que se celebra o Dia Mundial da Menopausa, em 18 de outubro, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) chama a atenção para a importância da avaliação médica individualizada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural ocorre geralmente entre os 45 e os 55 anos. O diagnóstico é estabelecido após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não haja outra causa para a interrupção. “Na maioria das mulheres acima dessa idade e sintomas típicos, não é necessário solicitar exames hormonais de rotina para confirmar a menopausa. A avaliação clínica costuma ser suficiente”, explica o Dr. Pedro Saddi, membro da SBPC/ML, endocrinologista e especialista em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.
Exames como FSH e estradiol podem gerar dúvidas quando realizados sem indicação. Durante a perimenopausa, período de transição que antecede a última menstruação, os níveis desses hormônios oscilam significativamente. “Uma única dosagem hormonal não reflete necessariamente o estágio reprodutivo da mulher. O FSH e o estradiol podem variar bastante. Um resultado isolado pode levar a interpretações equivocadas”, alerta Saddi.
Quando investigar?
Os exames podem ser indicados para mulheres com menos de 40 anos que apresentam interrupção ou irregularidade menstrual, na suspeita de insuficiência ovariana prematura e em mulheres entre 40 e 45 anos com dúvidas sobre o diagnóstico. Também podem ser necessários após quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos ovários. “É importante investigar precocemente os casos em que há suspeita de menopausa antecipada. Nessas situações, os exames laboratoriais ajudam a esclarecer o quadro e orientar a conduta médica”, afirma o especialista.
Outros testes podem auxiliar na investigação de sintomas semelhantes aos do climatério. O TSH, por exemplo, avalia a função da tireoide, enquanto o hemograma pode identificar anemia, especialmente em mulheres com sangramento uterino anormal. A indicação depende dos sintomas e do histórico clínico.
O uso de anticoncepcionais hormonais e de terapia hormonal também exige atenção, pois esses tratamentos podem mascarar alterações menstruais e interferir nos resultados. “A mulher não deve suspender medicamentos por conta própria para realizar exames. A necessidade de investigação e a escolha dos testes devem ser definidas pelo médico”, orienta Saddi.
A menopausa é uma transição natural, mas pode afetar o sono, o bem-estar emocional e a saúde sexual, além de estar associada a mudanças na saúde óssea e cardiovascular. Por isso, o acompanhamento médico é importante para avaliar sintomas, fatores de risco e medidas de prevenção.“Mais importante do que fazer uma bateria de exames é entender as necessidades de cada mulher. A idade, os sintomas e o histórico menstrual devem orientar a decisão sobre quais testes são realmente necessários”, conclui o membro da SBPC/ML.
