Sucesso de público, com mais de 100 mil espectadores, “King Kong Fran” comemora 2 anos em cartaz e retorna ao Teatro Riachuelo Rio 

por Waleria de Carvalho
King Kong Fran [Foto por Patricia Almeida)

Faça tudo que eu mandar. Caladinho, que vou te ensinar. Tira a roupa, baby”. Essas são as primeiras falas da Fran, personagem da atriz Rafaela Azevedo e protagonista em voo solo no espetáculo King Kong Fran, que volta ao Teatro Riachuelo Rio no próximo dia 27 de janeiro, em única apresentação. A fala é logo na entrada da Fran ao palco, enquanto ela canta e dança uma paródia da música Toxic, da americana Britney Spears – escolha da cantora e compositora Letrux, que assina a direção musical da peça. O recado está dado logo no início do monólogo – que já atingiu mais de 100 mil pessoas em teatros no Brasil e na Europa. 

Com direção e dramaturgia da própria Rafaela Azevedo em parceria com o diretor Pedro Brício, a montagem tem um caráter de performance. Em uma fusão das linguagens de circo e teatro, o solo, protagonizado pela personagem-título Fran, convida o público a conhecer o avesso dos estereótipos do feminino disseminados na sociedade. 

O exercício da dupla de diretores e dramaturgos foi inverter a lógica machista, fazendo com que os homens experimentem um pouco a sensação de objetificação. “Todas as frases e dramaturgias que eu criei para a Fran são coisas que eu ouço, ou seja, que foram ditas com naturalidade por um ex-namorado, pelo marido de uma amiga ou em uma conversa entre os caras, na qual eles objetificam mulheres, mas nunca problematizam isso”, explica Rafaela Azevedo, que, além da direção, dramaturgia e atuação, assina também a produção do espetáculo. 

Partindo de referências como a atração circense Monga, A Mulher Gorila, e, claro, o filme King Kong, a personagem Fran acaba conduzindo uma irreverente e debochada reflexão sobre machismo, assédio, abuso, consentimento e violência de gênero, por meio de uma conversa cheia de humor e ironia. “Na comunicação com o público, sobretudo o feminino, a Rafa expõe de uma maneira muito crítica os papeis sociais do homem e da mulher. E como ela consegue inverter o jogo”, explica Brício, coautor e codiretor do espetáculo. 

Hoje, Fran vive também fora dos palcos. Seja com seu perfil no Instagram, seu podcast FranCast, no seu reality show, ou no livro King Kong Fran, publicado pela editora Cobogó, que reúne o texto da peça na íntegra, e ainda textos extras de Viviane Mosé, Letrux, Rafaela Azevedo, Pedro Brício, Maria Ribeiro, e ilustrações de Juliana Montenegro. 

Rafaela Azevedo é formada em atuação pela Casa das Artes de Laranjeiras (Rio de Janeiro) em 2011, e participante do programa Polo Carioca de Circo, na Escola Nacional de Circo, em 2015 – mesmo ano em que a profissional criou a personagem Fran. 

Teatro Riachuelo Rio

O prédio, tombado como patrimônio histórico-cultural, é imponente e se destaca na Rua do Passeio, número 40, reunindo passado, presente e futuro em um só lugar. O ícone da belle époque brasileira ficou com as portas fechadas por dois anos até 2016, quando foi devolvido à população como Teatro Riachuelo Rio, sempre com uma programação plural e acessível. Desde então, foram realizadas diversas peças, musicais, concertos e shows. 

Com uma área de aproximadamente 3.500 m², o teatro oferece uma estrutura completa para seus frequentadores, incluindo foyer, salas de ensaio, escritórios, camarins, área externa e uma grande sala com plateia para 999 pessoas. Mais do que um espaço físico, o teatro representa um compromisso com a promoção da cultura e da arte em suas diversas formas. O espaço conta ainda como o Bettina, Café & Arte, que além de abrir como bomboniere para atender ao público do teatro, funciona também para café da manhã e almoço.

Ficha Técnica:  

  • Direção e Dramaturgia: Rafaela Azevedo e Pedro Brício
  • Atuação e Idealização: Rafaela Azevedo
  • Direção Musical: Letrux
  • Cenografia: Carola Leal, Gabriela Prestes e Álvaro Antônio Ferreira
  • Figurino: Natascha Falcão, Bruno Pimentel e Bold Strap
  • Iluminação: Ana Luzia de Simoni
  • Direção de Arte: Gabriela Prestes e Carola Leal
  • Assistência de Direção de Arte: Álvaro Antônio Ferreira
  • Identidade Visual: BBhiits
  • Assistência de Direção: Tamie Panet
  • Operadora de Som: Joana Guimarães
  • Operadora de Luz: Cris Ferreira
  • Produção: Victor Vaz

Serviço: 

King Kong Fran
Dia 27 de janeiro, terça-feira, às 20h
Vendashttps://www.ingresso.com/espetaculos/king-kong-fran 

Valores:
Plateia VIP – R$ 150,00
Plateia – R$ 120,00
Balcão Nobre – R$ 80,00
Balcão  – R$ 50,00

Classificação: 18 anos
Duração: 60 minutos

Mariana Xavier volta aos palcos com a comédia “Antes do Ano que Vem” no Teatro Nova Iguaçu Petrobras

Mariana Xavier

Mariana Xavier – Foto de Rodrigo Lopes

Durante um plantão de réveillon no CAD (Centro de Apoio aos Desesperados), a psicóloga responsável não aparece e Dizuite, funcionária do local, resolve atender as ligações e auxiliar os pedidos de ajuda que surgem na Noite de Ano Novo. Este é o ponto de partida de “Antes do Ano que Vem”, monólogo cômico estrelado por Mariana Xavier, que volta aos palcos no Teatro Nova Iguaçu Petrobras para apenas duas sessões nos dias 23 e 24 de janeiro, sexta e sábado, às 20h.

Com texto de Gustavo Pinheiro escrito especialmente para a atriz emprestar toda a sua versatilidade para um vasto leque de personagens e situações, o espetáculo tem direção de Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos. O solo já foi visto por 50 mil espectadores e percorreu 24 cidades brasileiras.

O espetáculo é mais uma realização da Trampo Produções e da WB Produções, dos produtores associados Bruna DornellasMariana Xavier e Wesley Telles

Desde março de 2022, “Antes do Ano que Vem” fez temporadas lotadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e percorreu as cinco regiões do Brasil com apresentações em Manaus, Vitória, Maceió, Brasília, Curitiba, Teresina, Salvador, Aracaju, Belo Horizonte, São Luíz, Porto Alegre, Campinas, São José dos Campos, Uberlândia, Pelotas, Caxias do Sul, São Francisco do Sul, São Lourenço do Oeste, Niterói, Joinville e São Bento do Sul.

Humor para falar de saúde mental, autocuidado e acolhimento

O embrião do espetáculo surgiu da necessidade de falar sobre questões fundamentais da vida contemporânea, como solidão, empatia e a ditadura da felicidade imposta pelas redes sociais, temas que atingem frontalmente a saúde mental de uma parcela imensa da população.

– A peça se passa justamente na noite de Réveillon, quando há um aumento significativo no número de ligações com pedidos de ajuda. Datas como esta, de “felicidade obrigatória”, fazem aflorar ainda mais as emoções de quem não está lá muito satisfeito com a própria vida – conta Mariana, que vem rodando o Brasil com a peça e levantando este debate, além de espalhar uma mensagem de acolhimento e esperança.

– Acredito muito na comédia como ferramenta não só de entretenimento, mas de crítica e reflexão. Acredito também no poder transformador da empatia e é através dela que esperamos que o público saia do teatro leve, afagado e um pouco transformado também – analisa a atriz que, inclusive, passou a dar algumas palestras sobre autoconhecimento, autocuidado, construção da identidade e sobre o lugar da mulher na sociedade.

– O humor abre portas para novas percepções do mundo. Vivemos num tempo em que rir é o primeiro remédio para as nossas mazelas. Com este texto e o grande talento de Mariana, damos um salto além no humor atual que fala das mulheres – afirma Lázaro Ramos, que assina a direção do espetáculo com Ana Paula Bouzas.

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Escrito sob medida para o talento de Mariana Xavier, o texto de Gustavo Pinheiro flagra uma série de mulheres que se encontram em alguma situação-limite na noite da virada do ano. Enquanto a protagonista, Duzuíte, é uma funcionária da limpeza do local que só queria terminar o expediente e passar o réveillon com a família, as outras personagens se encontram em estados emocionais bem intensos.

É o caso de Telma, uma terapeuta deprimida, Jussara, uma atendente de telemarketing, Gracinha, uma anfitriã cujos convidados não aparecem em sua festa de ano novo e Maria de Lourdes, milionária falida que está prestes a matar o marido. Enquanto as ligações se desenrolam, as histórias vão se descortinando para o público sem que Mariana faça uma mudança de figurino ou na cenografia. Os tipos vão ganhando vida no trabalho gestual, de corpo e voz da atriz.

A ideia é que o público olhe para as personagens sempre com compaixão e nunca com deboche. Gustavo Pinheiro diz que o texto busca o riso da empatia, de quem também tem as suas dores e sabe que vivê-las e superá-las são parte do jogo. ‘Torço para que este espetáculo seja um convite para que cada pessoa na plateia também pense o que pode fazer por si mesmo, pela sua felicidade, o quanto antes. Se possível, antes do ano que vem’, diz o autor.

Mariana Xavier

Com 20 anos de carreira, a atriz Mariana Xavier iniciou a vida artística no teatro com apenas nove anos de idade.  Lançada nacionalmente com o filme “Minha Mãe é Uma Peça”, a carioca conquistou o carinho e o reconhecimento do público com sua personagem Marcelina. Depois de brilhar nas telonas, seguiu provando o seu talento e aumentando sua popularidade.  Atuou nas novelas da Globo:  Além do Horizonte, I Love Paraisópolis e A Força do Querer, marcou presença como repórter do Vídeo Show e participou do quadro Dança dos Famosos (TV Globo). No teatro, acumula no currículo 17 espetáculos, entre eles “Quer TC?”, “O Garoto Que Não Sabe Rir”, “Escandaloso Desejo de Amar”, “Histórias Que o Eco Canta” e “O Último Capítulo”. Presença marcante no cinema, a atriz já filmou nove longas-metragens. 

No verão de 2019, outro estouro: “Jenifer”. Quebrando padrões ao protagonizar o clipe de Gabriel Diniz (in memoriam) que foi o hit da estação, Mariana despertou imensa identificação no público, consolidando de vez seu posto de referência de autoestima para muitas mulheres. Em 2022 esteve presente nos filmes Medida Provisória e Esposa de Aluguel. Atualmente, Mariana é protagonista na série de humor “Tem que Suar”, do Multishow, atuando ao lado de Marcelo Serrado, e filma o longa “Missão Porto Seguro”, no Prime Vídeo.  Aos 43 anos e com um trabalho bastante consistente na internet, a atriz sempre procura mostrar ao seu público que é possível ser feliz e ter uma vida saudável, mesmo fora dos padrões. Na literatura, Mariana Xavier é uma das autoras do livro “Gordelícias” (Editora Planeta).

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