A voz falada já é conhecida por milhares de brasileiros. A voz cantada está se tornando mais, não só no Brasil como no mundo. A razão deve-se a uma canção. Uma indicação, melhor dizendo. “Nilo”, faixa de “Reflexo”, segundo álbum de estúdio de Zanna, concorre ao Grammy Latino na categoria Canção do Ano. Composta em parceria com Massimo Giovanardi, o tema – uma autêntica bossa nova com arranjos de cordas sofisticados – concorre com outras oito músicas, de astros internacionais como a espanhola Rosalía, o uruguaio Jorge Drexler, a colombiana Carol G e o argentino Milo J, entre outros. E pode ser que seja nos Estados Unidos a próxima parada de Zanna – cuja voz é comumente associada aos avisos sonoros do metrô do Rio de Janeiro. A cerimônia de premiação está marcada para 12 de novembro na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, Nevada, nos EUA.
Não é a primeira vez que a artista é indicada ao prêmio. Seu álbum de estreia, “Zanna” (2017), concorreu ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de MPB e em duas outras que resvalaram sobre o trabalho de Moogie Canázio (1955-2026), produtor do projeto: Melhor Produtor e Melhor Engenharia de Gravação. “Reflexo” é o segundo álbum de estúdio de Zanna. Lançado em novembro de 2025, o projeto reúne 12 faixas autorais, entre gêneros que vão da MPB ao pop, numa produção assinada pela própria cantora juntamente de Alexandre Kassin.
“Nilo”, em especial, foi composta quando a artista se encontrava no Egito. Ela e um grupo de amigos singravam aquelas águas quando, motivada por aquele cenário, a canção surgiu. “Peguei emprestado um violão e comecei a dedilhar os acordes e a elaborar os primeiros versos, que não por acaso contam a história de um amor acontecido há milênios, rememora Zanna.
Um arrebatamento. A relação de Zanna com a música tem muitos deles, e ela não vem de hoje. As primeiras canções foram rascunhadas no início da adolescência, ali na virada dos 12 para os 13 anos. Aos 18, ela viu que se tratava mesmo de uma vocação. O estudo de canto lírico foi iniciado no Brasil, continuado na Itália, onde ela viveu por nove anos, e concluído no Brasil, no Conservatório Brasileiro de Música.
Com o Bossa Nostra, abriu simplesmente o show do pianista norte-americano Herbie Hancock no tradicional Festival de Jazz de Montreaux, Suíça, saindo em turnê do Japão a Nova York, onde viveu, aliás, por cinco anos. “A música é minha segunda mãe. Ela me educou e me deu a base para eu ser a pessoa que sou hoje”, pontua Zanna.
A vivência no exterior foi crucial para Zanna abrir seus horizontes na música. Ela sabia que poderia ir além das funções de cantora-compositora-instrumentista. E isso seria seu diferencial na volta em definitivo ao Brasil. Sound o quê? Sound branding. Criação de identidade sonora. O termo é hoje mais conhecido por aqui, mas não era em 2007.
Sound branding é o carro-chefe da Zanna Sound, a primeira agência do segmento na América Latina. O Banco do Brasil foi o primeiro a abraçar a proposta. Não demoraria para o carro-chefe virar um trem-bala. E, quatro anos depois, munida de ousadia, Zanna sugeriu ao MetrôRio que tivesse uma identidade sonora própria. E assim nasceu a música que já é uma marca da companhia. E o timbre inconfundível da artista passou a acarinhar os ouvidos das dezenas de milhares de usuários daquele meio de transporte. Os ventos sopraram a favor, e a voz de Zanna chegou também aos aeroportos (o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, entre eles), além de trens e metrô de capitais como São Paulo (onde é ouvida em quatro linhas do metrô).
Sim, a voz de Zanna já é bem conhecida pelos brasileiros. Acontece que esse timbre tem diferentes coloraturas. E algumas delas ganham vida no campo da música. E, neste terreno, ela tem muito a mostrar e a dizer. E atenção: não há nenhum gap ou vão entre as plataformas onde esta artista atua. Portas se abrindo…
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