Há sessenta anos, um galpão alugado de um padre no Leblon abrigou um café teatro que ninguém sabia, ainda, que se tornaria um dos maiores símbolos culturais do Brasil. O Teatro Casa Grande completa, em 25 de agosto de 2026, seis décadas de história — e o aniversário chega com uma programação especial ao longo do ano e um novo nome na marquise, fruto de uma parceria inédita com a AXIA Energia.
Uma história que é também a história do Rio
Em 1966, os sócios Max Haus e Moysés Ajhaenblat transformaram um simples café em teatro — e o que veio depois entrou para a história do país. Nos anos de chumbo, o regime militar tentou fechar o Casa Grande e fracassou: a classe artística e a intelectual se uniram em um movimento de resistência que fez do espaço um símbolo. Foi lá que aconteceu o primeiro ato em favor da anistia no Rio de Janeiro e a primeira reunião do movimento Diretas Já.
Quando a redemocratização chegou, Fernando Lira, Ministro da Justiça no governo José Sarney, escolheu o Casa Grande para a assinatura do documento que selaria o fim da censura no Brasil. Tancredo Neves batizou o espaço de “Território livre da democracia no Brasil” — frase que segue estampada no salão principal até hoje.
Pelo palco passaram Nara Leão, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elis Regina, Chico Buarque e Vinícius de Moraes, entre muitos outros. O maior teatro da Zona Sul carioca é tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro e, em 2022, recebeu o título de Patrimônio Cultural Carioca pela Prefeitura do Rio.
60 anos em cena
À frente da casa estão Leonardo Haus, Silvia Haus e Rodrigo Gerheim, segunda geração das famílias fundadoras, que mantêm vivo o compromisso que guiou o teatro desde sua origem: a arte, a cultura e a democracia como pilares inegociáveis.
“Completar 60 anos é revisitar tudo o que nossos pais construíram com coragem e visão. O Casa Grande nasceu de uma aposta na cultura quando apostar em cultura era um ato quase revolucionário. Carregar esse legado é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade enorme e um privilégio que nos move todos os dias”, afirma Silvia Haus.
“O teatro tem uma relação única com o Rio de Janeiro — a cidade moldou o teatro e o teatro ajudou a moldar a cidade. Manter esse espaço vivo, relevante e acessível é o nosso compromisso mais fundamental. Sessenta anos depois, seguimos acreditando que cultura não é entretenimento: é o que nos faz humanos”, comenta Rodrigo Gerheim.
Para celebrar as seis décadas, o teatro preparou uma programação especial ao longo de 2026, com espetáculos e atividades que percorrem a trajetória do espaço do início aos dias de hoje.
As celebrações têm início hoje (07/05), com o retorno da temporada de O Céu da Língua, espetáculo escrito e protagonizado por Gregório Duvivier — e com a estreia oficial do novo nome do teatro.
Teatro Axia Casa Grande: um naming que valoriza a cultura
A parceria de naming rights com a AXIA Energia, com duração de três anos, representa um investimento estratégico na sustentabilidade e na projeção de um dos espaços mais relevantes da cena cultural brasileira.
Para uma empresa cujo nome carrega o significado grego de “valor”, associar-se ao Casa Grande vai além da comunicação: é uma declaração de posicionamento. A AXIA não chega para mudar o teatro — chega para celebrá-lo.
“Na AXIA Energia, acreditamos em conexões que geram valor. Este naming rights amplia nossa presença para além do setor de infraestrutura e nos aproxima de um público formador de opinião, em um endereço que é símbolo da vida cultural e da melhor produção artística do país. Dar nome ao Teatro AXIA Casa Grande e fazê-lo na volta de O Céu da Língua torna essa parceria ainda mais significativa”, afirma Leandra Peres, diretora de Comunicação da AXIA Energia.
Para o teatro, a parceria representa um passo importante para fortalecer a sustentabilidade do espaço e ampliar sua capacidade de programação. “Ter a AXIA Energia como parceira nomeadora é um reconhecimento de que cultura exige investimento consistente e visão de longo prazo. Essa aliança nos ajuda a ampliar a agenda de espetáculos, acolher novos projetos e seguir como referência para o teatro carioca”, afirma Leonardo Haus, um dos sócios e diretor artístico do teatro.
Uma parceria que gera valor dos dois lados
O acordo também dialoga com uma tendência crescente no setor cultural brasileiro: o naming rights como ferramenta de valorização mútua. Para o teatro, o modelo contribui para um financiamento mais estável e para maior visibilidade.
Para a marca patrocinadora, cria proximidade com um público engajado, formador de opinião e consumidor de cultura. A modalidade, já consolidada no esporte, ganha espaço nas artes cênicas como estratégia de alto impacto reputacional.
