Projeto Ubuntu transforma memória e cultura ancestral em ferramentas de autonomia econômica e combate ao racismo religioso

Iniciativa reúne oficinas de Produção Cultural, Empreendedorismo e Economia Criativa, além de seminário, festival e ações culturais gratuitas em Madureira

por Redação
Baile Black Bom

Madureira será palco, entre 19 e 21 de novembro, de uma programação que reúne samba, jongo, cultura negra, formação profissional e debate sobre justiça racial. As atividades fazem parte do Projeto Ubuntu, que desde setembro promove oficinas gratuitas de produção cultural, empreendedorismo e economia criativa, em formato híbrido, voltadas ao fortalecimento de iniciativas ligadas à cultura ancestral e às comunidades tradicionais de terreiro. No Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, a programação ganha o Viaduto de Madureira, com um seminário sobre resistência e justiça racial, além de shows, e segue no dia 21 com atividades infantis, roda de samba e jongo.

A trajetória do projeto começou em 24 de maio, data em que se celebra o Dia da África; ocupou o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), que reuniu atividades voltadas à valorização da memória, ancestralidade e cultura negra com atividades conduzidas por G’leu Cambria, visita guiada com Alcino Amaral, oficina de baile charme com o Baile Black Bom e shows de Marina Íris, Marcele Motta e Fabíola Machado.

Mais do que oferecer capacitação profissional, o projeto parte da valorização dos conhecimentos e das estratégias de sobrevivência já construídas dentro dos terreiros de religiões de matriz africana. A proposta é transformar esse patrimônio em possibilidades de geração de renda e fortalecimento dos empreendimentos.

  • O projeto foi desenhado para instrumentalizar participantes oriundos de comunidades tradicionais de terreiro para que se tornem pessoas preparadas para rentabilizar sua cultura e proteger seu território com conhecimento técnico e político
  • explica Sheila Suzane, produtora do Projeto Ubuntu.

Ao longo das oficinas, os participantes são estimulados a potencializar tecnologias de liderança, organização coletiva e resistência que já existem nos territórios.

  • A premissa pedagógica não é apenas ensinar conceitos tradicionais de gestão, mas sim reconhecer e potencializar as tecnologias de sobrevivência, liderança e organização coletiva que já existem nos terreiros. Ao longo das atividades e vivências práticas, percebe-se que os alunos passam a enxergar seu próprio modo de vida e suas tradições não apenas como resistência, mas como base sólida para estruturar empreendimentos, gerir projetos e exercer o protagonismo no mercado cultural — afirma Sheila.

Cultura e economia circulando pelo território

A escolha de Madureira como território do projeto também está diretamente ligada à sua história cultural. Berço de manifestações como o samba e o jongo e marcado pela presença das religiões de matriz africana, o bairro concentra uma produção

cultural potente, mas ainda enfrenta dificuldades de acesso a formações gratuitas.

A partir dos três eixos (produção cultural, empreendedorismo e economia criativa), o Ubuntu busca contribuir para a construção de um mercado de cultura popular local, fazendo com que o valor gerado pela produção cultural permaneça e circule dentro da própria comunidade.

  • A região historicamente enfrenta escassez de opções de formação qualificada e gratuita voltadas para a gestão dessa produção. Trabalhar esses três eixos é importante para incentivar um mercado potencial de cultura popular local, permitindo que o valor financeiro e social circule dentro da própria comunidade. É tirar o Axé do papel e fazer o valor circular — destaca a produtora.

A formação acontece em formato híbrido, com encontros online e presenciais. As oficinas são realizadas semanalmente, com Emanuele Sanuto, Mariane Duarte e Elaine Rosa, às segundas, terças e quartas-feiras, sempre às 19h30.

Confira a programação das oficinas e atividades formativas:

  • Produção Cultural – segundas-feiras, com Emanuele, às 19h30;
  • Empreendedorismo – terças-feiras, com Mariane, às 19h30;
  • Economia Criativa – quartas-feiras, com Elaine, às 19h30;
  • Aulas online: 5, 6, 7, 19, 20, 21 e 31 de outubro; e 9, 10 e 11 de novembro

Vivências e encontros presenciais

Além das aulas, o projeto promove encontros presenciais que aproximam os participantes de diferentes manifestações culturais e espaços do território:

12/09 – Chegança | Aula inaugural: das 14h às 17h;

20/09 – Hip-Hop Rima no Viaduto: das 11h45 às 13h30, em Madureira; 31/10 – Cine Debate: das 10h às 12h, no Ponto Cine, em Guadalupe; 14/11 – Encerramento: no Rooftop do Ensaio Rua (local a confirmar).

Seminário e Festival Ubuntu

A programação chega ao seu momento de maior articulação em novembro, com a realização do Seminário Ubuntu: Diálogos de Resistência e Justiça Racial e do Festival Ubuntu, embaixo do Viaduto de Madureira.

O seminário, marcado para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, reunirá participantes das oficinas, especialistas, mestres locais e potenciais parceiros para discutir caminhos de fortalecimento dos territórios e da produção cultural negra.

  • Além do aprendizado em sala, o Ubuntu deixa como legado uma rede fortalecida de conexões e uma via de incidência política direta através da realização do seminário, onde os alunos das oficinas vão compor os grupos de trabalho (GTs) para elaborar propostas de políticas públicas e soluções comunitárias — explica Sheila.

As propostas produzidas durante os grupos de trabalho serão encaminhadas à Fundação Nacional de Artes (Funarte), ao Poder Legislativo e a instâncias governamentais das esferas municipal, estadual e federal. A expectativa é que a articulação construída durante o projeto também amplie o acesso dos participantes a editais públicos, oportunidades profissionais e redes de atuação no mercado cultural.

  • O seminário também será um espaço de intercâmbio entre os jovens, especialistas, mestres locais e potenciais parceiros, deixando os participantes articulados em rede e incentivados a acessar editais públicos e oportunidades formais no mercado de trabalho cultural — completa.

Confira a programação do Festival e do Seminário Ubuntu: 19 de novembro

  • Roda Fuzuê de Aruanda – 21h, como parte da programação do Festival Ubuntu. 20 de novembro – Dia da Consciência Negra
  • Seminário Ubuntu: Diálogos de Resistência e Justiça Racial – das 9h às 18h;
  • Show Awure – 19h.

21 de novembro

  • Sementes de Aruanda: Histórias e Encantaria – atividades infantis das 8h às 13h, com atrações em definição;
  • Matrizes de Madureira: Samba, Jongo e Tradição – roda de samba, com participação de artistas e representantes importantes da cultura do território

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