Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe 4ª edição da Mostra de Cinema Africano Espelhos d’Africa

por Redação
Still do longa Variations on a Theme/Divulgação

O cinema africano contemporâneo vira protagonista no Rio de Janeiro com a chegada da 4ª edição da Mostra de Cinema Africano Espelhos d’África à CAIXA Cultural Rio de Janeiro. De 3 a 15 de novembro de 2026, o público confere gratuitamente uma seleção de filmes de diferentes países do continente, além de poder participar de debates e atividades formativas. Esta será a primeira vez que a mostra, criada em Salvador, em 2019, fica em cartaz na capital fluminense.

A sessão de abertura será dedicada a Variations on a Theme, de Jason Jacobs e Devon Delmar, vencedor do Tiger Award, principal prêmio do Festival Internacional de Cinema de Roterdã em 2026. O filme foi escolhido por representar a proposta da mostra de aproximar o público brasileiro de narrativas africanas contemporâneas que articulam experiências particulares e questões universais.

Realizada pela Aiocá Produções, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil, a mostra de cinema busca ampliar o acesso do público brasileiro às cinematografias africanas contemporâneas, reunindo obras que exploram temas como memória, identidade, pertencimento, juventude, relações familiares e transformações sociais.

A programação foi criada pensando em apresentar diferentes perspectivas sobre o continente africano, rompendo com representações que frequentemente reduzem o continente a imagens de pobreza, conflitos e dificuldades.

“Não queremos apresentar o continente como uma realidade única, mas como um conjunto de sociedades e experiências diversas, que produzem suas próprias imagens e maneiras de compreender o mundo”, afirma Sabrina Andrade, cineasta, produtora cultural e idealizadora da mostra, ao lado da curadora Chantal Durpoix.

Para Sabrina, a chegada ao Rio representa um novo momento na trajetória do projeto, que nasceu na Bahia e vem ampliando sua atuação desde a primeira edição. Ao longo das três edições anteriores, a mostra alcançou mais de 7.500 pessoas, realizou 95 sessões e exibiu 56 filmes.

“Apesar dos vínculos históricos e culturais tão profundos entre o Brasil e os países africanos, o público brasileiro tem poucas oportunidades de conhecer os filmes produzidos nesses territórios, especialmente as obras contemporâneas. Queremos contribuir para transformar esse cenário, criando oportunidades para que essas obras sejam vistas, discutidas e reconhecidas”, diz a produtora cultural.

 

Filme premiado e destaques

Além de Variations on a Theme, a mostra reúne outras obras que merecem bastante destaque na programação, como por exemplo Katanga, la danse des scorpions, do cineasta burquinense Dani Kouyaté, vencedor do Étalon d’Or no FESPACO, um dos principais festivais de cinema do continente africano. O longa dialoga com a tradição oral africana, as disputas políticas e as relações de poder.

A seleção também inclui O Profeta, produção angolana que integrou a competição Tiger do Festival Internacional de Cinema de Roterdã em 2026. O filme aborda a fé, a espiritualidade e as relações de poder na sociedade contemporânea.

Já Atcha Atcha, de Mamadou Dia, apresentado no Festival de Locarno em 2026, acompanha jovens dançarinos na École des Sables, no Senegal, instituição de referência internacional para a dança africana contemporânea. A obra explora o corpo, o movimento, a juventude e a criação artística como formas de expressão e afirmação cultural.

A programação completa reúne ainda curtas-metragens que transitam por questões como memória, identidade, relações comunitárias e experiências contemporâneas. A seleção de filmes valoriza produções que circulam por festivais internacionais, mas ainda encontram pouco espaço de distribuição e exibição no Brasil.

Formação, conversas e debates

A mostra também contará com programação extra, como as atividades formativas. Entre elas está a Oficina de Crítica Cinematográfica, ministrada por Sabrina Andrade e voltada a jovens e adultos de 16 a 35 anos. Dividida em dois módulos complementares, a atividade abordará fundamentos da crítica, linguagem audiovisual e ferramentas de análise, além de propor exercícios práticos a partir de filmes da programação.

Todos os nomes dos convidados e a programação completa podem ser acompanhadas pelo site https://www.caixacultural.gov.br.

Como surgiu Espelhos d’África

Criada a partir das experiências de Sabrina Andrade e Chantal Durpoix em países africanos, a mostra Espelhos d’África surgiu da percepção de que, apesar das relações históricas e culturais entre Brasil e África, as produções audiovisuais contemporâneas do continente ainda circulam pouco no país.

A primeira edição aconteceu em Salvador, em 2019. Em 2024, o projeto chegou também a Porto Seguro e Vitória da Conquista. Na terceira edição, realizada entre março e abril de 2026, a iniciativa aprofundou o trabalho de formação de público, com sessões em escolas públicas, comunidades periféricas e espaços culturais de Salvador.

Com a estreia no Rio de Janeiro, a organização pretende ampliar a circulação da mostra para outras cidades brasileiras e fortalecer o intercâmbio entre realizadores, obras e públicos de diferentes territórios.

“Conhecer o cinema produzido hoje nos países africanos é também uma maneira de construir relações contemporâneas, descobrir novas referências e compreender melhor as sociedades com as quais compartilhamos tantas histórias”, conclui Sabrina.

Sabrina Andrade

Sabrina Andrade é cineasta, documentarista e produtora cultural, formada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). É diretora da Aiocá Produções, onde desenvolve projetos de criação audiovisual, difusão cinematográfica e formação cultural.

Em 2018, participou de um programa de mobilidade artística na Nigéria, realizando estudos em produção cinematográfica e criação de roteiros no Yoruba Institute for Art and Culture, em Ikeja, experiência durante a qual realizou o documentário Nkenda.

É idealizadora e curadora, ao lado de Chantal Durpoix, da Mostra de Cinema Africano Espelhos d’África, criada a partir das experiências de ambas no continente africano e do interesse em ampliar o acesso do público brasileiro às cinematografias africanas contemporâneas.

Em 2021, roteirizou e dirigiu Memórias Perdidas, curta-metragem documental sobre as histórias e memórias do Subúrbio Ferroviário de Salvador. O filme conquistou dois prêmios de Melhor Filme Nacional no XVII Panorama Internacional Coisa de Cinema, concedidos pelo Júri APC-BA e pelo Júri Popular, além dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia no Festival Cine Virada e do Prêmio SescTV Apresenta no 7º CineBaru. A obra também foi selecionada para representar o Nordeste no programa Artistas de Impacto 2023.

Sua trajetória reúne a direção de documentários, o desenvolvimento de projetos audiovisuais e a criação de iniciativas de circulação cinematográfica. Atualmente, dirige a série documental ODARA para o Canal Futura.

Programação:

Serviço:

4ª Mostra de Cinema Africano Espelhos d’África

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio (Endereço: Rua do Passeio, 38 – Centro (RJ) | Metrô e VLT: Estação Cinelândia

Data: 03 a 15 de novembro de 2026 (terça-feira a domingo)

Horários: Consultar programação no site – https://mostraespelhos.com/programacao // https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/RiodeJaneiro.aspx

Informações: (21) 3083-2595

Ingressos: programação gratuita, com distribuição de senhas para retirada presencial na bilheteria 30 minutos antes de cada sessão. Sujeito a lotação.

Duração: Consultar programação.

Classificação Indicativa: Consultar programação.

Capacidade: 64 lugares, sendo 2 espaços destinados a pessoas em cadeira de rodas e 4 para pessoas obesas.

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil

Realização: Aiocá Produções

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