El Niño muito forte ameaça reduzir em 20% população de vertebrados das Galápagos

Temperatura do Pacífico pode superar em cerca de 2,2°C a média, comprometendo alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies endêmicas do arquipélago equatoriano.

por Redação
El Niño muito forte ameaça reduzir em 20% população de vertebrados das Galápagos

Um El Niño de intensidade excepcional coloca em alerta cientistas e ambientalistas nas Ilhas Galápagos. O aquecimento das águas do Pacífico pode provocar escassez de alimento, interromper ciclos de reprodução e causar elevada mortalidade entre animais que existem apenas no arquipélago.

Segundo pesquisadores que acompanham o ecossistema, a população de vertebrados das Galápagos poderá cair pelo menos 20% caso o fenômeno alcance a magnitude prevista.

Leia em 30 segundos

  • O El Niño deve atingir intensidade considerada muito forte em 2026.
  • As águas do Pacífico podem ficar cerca de 2,2°C acima da média.
  • Cientistas estimam queda de pelo menos 20% na população de vertebrados das Galápagos.
  • Pinguins, leões-marinhos, cormorões e aves marinhas estão entre os animais ameaçados.
  • Florestas endêmicas de Scalesia também podem sofrer com chuvas intensas e plantas invasoras.
  • A Organização Meteorológica Mundial prevê que o El Niño persista até fevereiro de 2027.

Aquecimento do oceano ameaça a cadeia alimentar

El Niño muito forte ameaça reduzir em 20% população de vertebrados das Galápagos

As Galápagos estão particularmente expostas às alterações provocadas pelo El Niño porque boa parte de sua biodiversidade depende das águas frias e ricas em nutrientes que normalmente chegam ao arquipélago.

Quando a temperatura do mar aumenta, a produtividade das águas diminui. Plâncton, algas e pequenos peixes tornam-se mais escassos, afetando toda a cadeia alimentar.

Washington Tapia, diretor da organização de conservação Biodiversa Ecuador, explica que o desaparecimento desses organismos reduz diretamente a quantidade de alimento disponível para animais marinhos de maior porte.

Entre as espécies mais vulneráveis estão os pinguins-de-galápagos, atobás-de-patas-azuis, petréis, cormorões-não-voadores, albatrozes e leões-marinhos.

Colônias de corais também podem sofrer impactos significativos, enquanto alterações na disponibilidade de peixes podem atingir até atividades econômicas como a pesca de atum.

Falta de alimento pode interromper reprodução

A escassez de alimento representa um dos efeitos mais graves para as espécies das ilhas.

Segundo Gustavo Jiménez, cientista da Fundação Charles Darwin, colônias inteiras podem interromper a reprodução quando não conseguem encontrar alimento suficiente. Os animais também passam a percorrer distâncias maiores em busca de comida, elevando o gasto energético e o risco de morte.

Se o El Niño atingir a intensidade projetada, Jiménez estima que a população de vertebrados do arquipélago possa diminuir pelo menos 20% ao longo de 2026.

Os pinguins-de-galápagos são considerados particularmente sensíveis às mudanças na temperatura oceânica.

Eventos anteriores demonstram o tamanho do risco. Durante o forte El Niño de 1997–98, a população da espécie caiu para aproximadamente 400 animais, segundo registros históricos da Fundação Charles Darwin.

A instituição aponta que eventos intensos de El Niño estão entre as principais ameaças à sobrevivência desses pinguins.

Plantas e florestas endêmicas também estão ameaçadas

Os impactos não ficam restritos ao ambiente marinho.

As chuvas intensas associadas ao fenômeno podem alterar profundamente a vegetação das ilhas, especialmente por favorecer espécies invasoras capazes de se reproduzir mais rapidamente que as plantas nativas.

Heinke Jager, cientista da Fundação Charles Darwin, alerta que as três últimas áreas de floresta de Scalesia podem enfrentar sérios riscos caso as condições previstas se confirmem.

Espécies endêmicas de cactos Opuntia encontradas em áreas costeiras também estão ameaçadas.

O avanço de plantas invasoras, principalmente da amora-silvestre, representa um problema porque essas espécies conseguem ocupar rapidamente áreas utilizadas pela vegetação nativa.

A perda dessas plantas pode provocar efeitos em cascata. Insetos, aves e outras espécies dependem delas para alimentação, abrigo ou reprodução.

Cientistas preparam plano para proteger espécies

Pesquisadores e organizações ambientais começaram a reforçar ações de conservação diante da possibilidade de um evento excepcional.

Entre as medidas estão a retirada de plantas invasoras, a coleta preventiva de sementes e a criação de viveiros para preservar espécies nativas ameaçadas.

O trabalho envolve pesquisadores, organizações não governamentais e autoridades equatorianas.

As ações procuram aumentar a capacidade de recuperação dos ecossistemas depois da passagem do El Niño, principalmente em áreas ocupadas por espécies encontradas exclusivamente nas Galápagos.

El Niño deve permanecer até 2027

O cenário climático reforça a preocupação dos pesquisadores.

O mais recente diagnóstico do Centro de Previsão Climática da NOAA indica que o El Niño continua se fortalecendo e apresenta probabilidade superior a 90% de atingir intensidade considerada muito forte durante o outono e o inverno de 2026–27 no Hemisfério Norte.

A Organização Meteorológica Mundial também avalia como próxima de 100% a probabilidade de permanência do fenômeno até fevereiro de 2027.

As projeções indicam fortalecimento nos próximos meses, com possibilidade de o El Niño atingir seu pico perto do fim de 2026.

Para as Galápagos, a intensidade do fenômeno será determinante. Quanto maior e mais prolongado for o aquecimento das águas do Pacífico, maior tende a ser a pressão sobre um dos ecossistemas mais singulares do planeta.

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