Festival Favela Cria encerra primeira edição com mais de 40 mil pessoas no Centro do Rio

Com público crescente ao longo dos quatro dias, evento gratuito reuniu 95 artistas expositores, 20 empreendedores de gastronomia e 116 novos artistas em palcos e apresentações. Mais de R$ 200 mil foram distribuídos em prêmios a novos talentos.

por Redação
Festival Favela Cria

O Festival Favela Cria encerrou sua primeira edição com mais de 40 mil pessoas circulando pela Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro. Segundo o balanço da organização, o público cresceu a cada dia. Foram mais de 32 horas de programação gratuita, com shows, exposições, feiras e batalhas que deram visibilidade à produção cultural e ao empreendedorismo das favelas.

“O Favela Cria nasceu de um sonho que levou quatro anos para sair do papel. Foram muitos desafios, aprendizados e momentos em que quase desistimos, mas nunca deixamos de acreditar. Ver mais de 40 mil pessoas ocupando o coração do Rio, celebrando a cultura, o talento e a potência das favelas, é emocionante. Mais do que realizar um festival, mostramos que a favela tem capacidade de criar, produzir, gerar oportunidades e realizar grandes projetos com excelência. Nosso maior orgulho é saber que tudo isso foi construído majoritariamente por profissionais periféricos. Essa primeira edição é apenas o começo. Queremos transformar o Favela Cria em um legado para a cidade, para a cultura e, principalmente, para a nossa gente. Porque transformar a favela é transformar o mundo”, afirma Raull Santiago, um dos idealizadores do Festival Favela Cria.

O festival reuniu 95 artistas expositores nas áreas de artes contemporâneas, literatura, moda e grafite, além de 20 empreendedores de gastronomia. Ao todo, 116 novos artistas participaram dos palcos e das apresentações, e mais de R$ 200 mil foram distribuídos em prêmios a novos talentos. O Palco Complexos Petrobras, principal do evento, recebeu 20 artistas de origem periférica.

A programação musical reuniu nomes como MC Hariel, NandaTsunami, Tasha & Tracie, Duquesa e Ebony, além da celebração dos dez anos do Favela Vive. No Palco Cria, as batalhas de rima e de slam abriram espaço para novos nomes da poesia falada. A Batalha dos Barbeiros também integrou a programação, com disputas de corte, reflexo alinhado e desenho.

Das atrações aos bastidores, a favela fez o festival

Dos 112 profissionais da equipe de produção, 108 eram de origem periférica, o equivalente a mais de 96% da equipe. Artistas, escritores e empreendedores que participaram das feiras e exposições foram selecionados por curadorias ligadas a cada área de atuação.

Concebido durante a pandemia, o Favela Cria nasceu com a proposta de abrir espaço para quem produz nas favelas e criar conexões que continuem depois do evento.

Backstage de Cria discutiu caminhos para viver da arte

Braço de formação do festival, o Backstage de Cria teve três dias de programação, de 30 de outubro a 1º de novembro. Apresentada pelo YouTube Brasil, com curadoria do Instituto Papo Reto, a iniciativa reuniu artistas, empreendedores e profissionais do mercado criativo em palestras, debates e rodas de conversa.

A programação abordou construção de marca e de carreira, leis de incentivo, direitos culturais e estratégias para tirar projetos do papel. O objetivo foi aproximar os participantes de profissionais do setor e ampliar as possibilidades de circulação e continuidade dos projetos apresentados no festival.

O Festival Favela Cria 2026 foi realizado pelo Instituto Papo Reto, Voz das Comunidades, Instituto Ademafia, Instituto Favela Cria e Instituto Pro Bono Brasil.

Realizado através da Lei Rouanet Governo Federal , apresentado pela Petrobras, contou com patrocínio de Vale, Light, Santander, YouTube e Sebrae, e apoio da Prefeitura do Rio e Grupo Águas do Brasil, por meio de mecanismos de incentivo à cultura nas esferas federal, estadual e municipal.

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