Em 22 dias de exibição, o documentário “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe” vem consolidando sua trajetória nos cinemas e junto ao público escolar. No circuito comercial, segundo dados da ANCINE (até 09 de setembro de 2026), o filme acumula 5.070 espectadores em 575 sessões, tendo alcançado 49 salas em 39 complexos exibidores.
Na ação escolar, a iniciativa de democratização de acesso já recebeu solicitações de mais de 26 mil professores e estudantes. Desses, mais de 4.000 pessoas receberam ingressos individuais e 321 escolas se inscreveram para levar suas turmas, totalizando mais 23.747 alunos e educadores beneficiados.
O filme, dirigido coletivamente por mulheres indígenas e que aborda a cosmologia, a ancestralidade e a defesa do território Munduruku, estreou em 42 salas de cinema na primeira semana e permaneceu em mais de 30 na segunda. A procura das escolas, porém, superou a capacidade de atendimento dentro da programação regular do circuito comercial.
“Documentários ainda têm pouco espaço no circuito comercial. Levar estudantes ao cinema também é uma forma de ocupar essas salas, formar público e mostrar que existe demanda. Esse é o convite do CurtaENEM: vá ao cinema assistir a um documentário, leve sua turma e ajude a ampliar esse espaço. A procura por ‘Mundurukuyü’ mostra que esse público existe”, afirma Vanessa de Araújo Souza, diretora da Curta Distribuidora e do CurtaENEM.
Para atender as instituições que não conseguiram participar das sessões comerciais, “Mundurukuyü” será o filme de estreia do Cineclube CurtaENEM, com programação prevista para iniciar em setembro. As escolas já inscritas e ainda não atendidas serão automaticamente incluídas nessa nova etapa, que prevê exibições nas próprias unidades de ensino e sessões de impacto em centros culturais e espaços parceiros. Novas escolas interessadas também poderão se inscrever pelo site do CurtaENEM.
A circulação do filme será acompanhada por uma ação pedagógica do CurtaENEM, que preparou oito planos de aula fundamentados na obra. O material reúne propostas para diferentes áreas do conhecimento e oferece possibilidades para seu uso como repertório sociocultural para o ENEM. Os planos didáticos estão disponíveis gratuitamente e podem ser acessados por professores de todo o Brasil dentro da plataforma do projeto.
Professores que já utilizaram o material têm reforçado a potência da obra em sala de aula. “Assistimos ao filme e ao final da sessão levantei algumas questões para os alunos refletirem para trabalharmos posteriormente em sala de aula. Gostaria de agradecer pela oportunidade, o filme é lindo”, elogiou a professora Cláudia Lobo (RJ) após a experiência. Ela complementa: “Muito rico, muitas ideias para trabalhar a partir do filme. Agradeço mais uma vez”.
Sobre a importância da mediação, Katia Souza, coordenadora pedagógica do CurtaENEM, reforça: “Assistir a um filme, por si só, não constitui uma experiência pedagógica. É a mediação do professor que pode transformar a experiência estética em experiência de aprendizagem. Uma cena pode provocar uma pergunta, uma narrativa pode confrontar um preconceito e uma imagem pode ampliar o repertório do estudante”.
Os materiais abordam temas como povos originários, território, ancestralidade, memória, diversidade cultural, patrimônio imaterial, meio ambiente e relações étnico-raciais, tomando como base trechos e debates propostos pelo documentário.
“Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe” é dirigido por Aldira Akay Munduruku, Beka Munduruku e Rilcélia Akay Munduruku, integrantes do Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi. O documentário é falado majoritariamente em língua Munduruku, com legendas em português.
A distribuição é da Curta Distribuidora, e o Cineclube CurtaENEM é uma iniciativa do CurtaEducação.
