Renato Noguera discute racismo, afetos valiar e ancestralidade no Clube de Leitura CCBB

Escolhido pelo público, Por que amamos? inspira encontro de novembro e traz o afeto para o debate no Mês da Consciência Negra

por Redação
Renato Noguera - Foto: Vitor Carlos

Em novembro, mês da Consciência Negra, o Clube de Leitura CCBB propõe olhar para as relações étnico-raciais a partir da vida afetiva. Como o racismo atravessa os padrões de beleza, o desejo e o reconhecimento amoroso? Por que determinadas pessoas são historicamente associadas ao cuidado, mas nem sempre reconhecidas como aquelas que também precisam ser cuidadas? E que outras formas de amar podemos imaginar quando questionamos os modelos que herdamos?

A partir de Por que amamos? O que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor, escolhido pelo público para o encontro de 11/11, às 17h30, no CCBB Rio, o filósofo, escritor e educador Renato Noguera propõe uma reflexão que aproxima relações raciais, gênero e ancestralidade. Em diálogo com filosofias africanas, indígenas e ocidentais, a conversa parte dos afetos para investigar as ideias que naturalizamos sobre o amor e discutir a possibilidade de construir relações que não se baseiem na posse, no sacrifício ou na renúncia de si.

Para Noguera, a escolha dos leitores demonstra o interesse em compreender o amor para além das idealizações, investigando por que nos relacionamos de determinadas maneiras, por que sofremos e como podemos cuidar melhor dos nossos vínculos. “O amor faz parte da nossa vida, mas isso não significa que saibamos amar: esse aprendizado exige escuta, reflexão e disponibilidade para mudar”, afirma.

Em seu livro, o autor coloca diferentes tradições filosóficas em diálogo e questiona a ideia de que exista uma única maneira de compreender os afetos. A ancestralidade, nesse contexto, reúne memórias, saberes e formas de cuidado transmitidos entre gerações, enquanto uma perspectiva antirracista permite reconhecer como as desigualdades também se manifestam na intimidade.

“O racismo também atravessa a vida afetiva: influencia padrões de beleza, expectativas sobre os corpos e as possibilidades de receber carinho, cuidado e reconhecimento amoroso”, observa Noguera. O filósofo destaca especialmente a experiência das mulheres negras, frequentemente submetidas à combinação entre racismo e sexismo e reduzidas a estereótipos. Para ele, pensar o amor sob uma perspectiva antirracista exige questionar essas hierarquias e reconhecer cada pessoa em sua singularidade.

A reflexão passa ainda pela possibilidade de rever modelos que associam o amor à posse e exigem das mulheres sacrifício e renúncia. Ao trazer para o debate perspectivas como a da pensadora Sobonfu Somé, Noguera propõe pensar a intimidade para além do casal, considerando a importância da comunidade e dos vínculos de cuidado. Em suas reflexões atuais, sua proposta é investir em uma “ética da hospitalidade”, capaz de acolher a outra pessoa em sua singularidade, sem fazer do amor uma relação de posse. Por que amamos? lança as bases de uma das teses mais originais que o autor continua desenvolvendo, o que torna a escolha do livro especialmente bem-vinda para essa conversa. “Como construir relações em que cada pessoa possa amar e ser amada sem precisar abrir mão de quem é?”, pergunta.

Uma perspectiva diferente para o mês da Consciência Negra

A escolha de Renato Noguera para a programação de novembro partiu do desejo de ampliar a abordagem das relações raciais no Clube de Leitura CCBB. “Pensei que esse mês de novembro dedicado a Zumbi dos Palmares merecia uma abordagem das relações raciais diferente. Justamente aquela que Renato Noguera propõe enquanto filósofo e educador, ativista das causas étnico-raciais”, explica Suzana Vargas, curadora e mediadora do projeto.

Para Suzana, o pensamento do autor amplia as referências que orientam nossa compreensão da existência ao valorizar filosofias africanas e afro-brasileiras e colocá-las em diálogo com outras tradições. A proposta é aproximar questões sociais e históricas de experiências cotidianas, mostrando como a literatura e a filosofia podem ajudar a questionar ideias que muitas vezes reproduzimos sem perceber.

A votação aberta ao público reuniu três livros do autor: Por que amamos? O que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor; Mulheres e Deusas: como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual; e ABC do amor – o que a poesia e a filosofia têm a dizer sobre o amor.

Todos os encontros do Clube de Leitura CCBB ficam disponíveis no canal do Banco do Brasil no YouTube, com tradução em Libras, ampliando o acesso à programação para todo o país.

Clube de Leitura CCBB completa cinco anos com interface entre as artes por meio de palavras

Com mediação de Suzana Vargas, também curadora do evento, e do poeta Ramon Nunes Mello, a edição de 2026 do Clube de Leitura CCBB segue com o propósito de aproximar as pessoas dos livros de forma afetiva, crítica e plural; fortalecendo esse espaço de escuta, troca e reflexão, mostrando que a leitura pode transformar trajetórias e ampliar horizontes. A edição deste ano amplia o diálogo entre literatura, sociedade, educação e pensamento crítico, reúne autores brasileiros e estrangeiros, pesquisadores, artistas e intelectuais para discutir temas como feminismo, diversidade, memória, meio ambiente, ciência, identidade, antirracismo e bem-estar.

Segundo Suzana Vargas, a programação reflete a complexidade do nosso tempo. “Reunimos vozes femininas, negras, indígenas, LGBTQIA+, autores consagrados e pensadores internacionais para criar um panorama vivo da literatura contemporânea”, destaca.

“Iniciamos com muito fôlego o quinto ano do Clube de Leitura CCBB. A programação de 2026 tem elementos para conectar os leitores brasileiros com sua diversidade, estimulando o diálogo, o gosto pela leitura, o desenvolvimento do repertório cultural e aproximando a Biblioteca Banco do Brasil do público. Instalada no 5º andar do CCBB Rio, hoje nosso acervo disponibiliza mais de 250 mil títulos aos leitores. Outro ponto forte do Clube é sua característica híbrida, que conjuga redes sociais e a oportunidade de um contato mais próximo com os escritores nos encontros presenciais. Um de seus objetivos fundamentais é despertar nos mais jovens a atração pela literatura, o que vemos acontecer gradativamente ao longo dos anos e é muito gratificante. A literatura tem tudo para ser pop, no melhor sentido do termo”, afirma Sueli Voltarelli, Gerente Geral do CCBB Rio de Janeiro.

O livro:

Por que amamos? O que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor: investiga o amor para além das experiências individuais e das explicações convencionais. A obra percorre mitos e tradições filosóficas para refletir sobre as diferentes formas de amar e compreender os afetos. Ao aproximar referências culturais diversas, o autor amplia o debate sobre as relações humanas e a construção dos vínculos. O livro também convida a reconhecer outras perspectivas de pensamento, incluindo as filosofias africanas. Uma reflexão sobre como o amor atravessa nossa existência, nossa cultura e nossa maneira de ver o mundo.

O convidado

Renato Noguera é doutor em Filosofia, professor da UFRRJ, palestrante e escritor – publicou dentre outros: “Por que amamos” (2020), “ABC do Amor” (2025), “Medo e raiva” (2026). Noguera investiga teoria dos afetos e relações amorosas, coordena a pesquisa interdisciplinar Ética de Amar”, possui vivência familiar griot, celebrante de casamentos, além de ser  autor e intérprete do espetáculo “Stand-Up Love: vamos falar de amor?”

Clube de Leitura CCBB

Os encontros do Clube acontecem no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do Brasil, localizada no quinto andar do CCBB Rio, até dezembro, sempre na segunda quarta-feira de cada mês, com entrada gratuita, mediante retirada dos ingressos na bilheteria do CCBB RJ ou pelo site bb.com.br/cultura. A mediação é da curadora Suzana Vargas e do poeta Ramon Nunes Mello e o microfone será aberto para a plateia nos 30 minutos finais dos encontros.

A gravação integral será disponibilizada no canal do Banco do Brasil no YouTube, na semana seguinte ao evento. Mais de 3.500 pessoas participaram presencialmente entre 2022 e 2025 e foram feitos milhares de acessos na playlist do Clube. A edição do ano passado recebeu os escritores Igiaba Scego e Márcia Tiburi ; Ney Matogrosso; Juliana Dal Piva e Marcelo Rubens Paiva ; José Miguel Wisnik ; Carla Madeira ; Márcia Kambeba e Daniel Munduruku ; Arthur Nogueira; Scholastique Mukasonga ; Nei Lopes, Luiz Antonio Simas e Gênesis; Gilda Santos, Geraldo Carneiro e Caetano Galindo ; e Monja Coen e Leonardo Boff.

A Biblioteca Banco do Brasil foi fundada em 1931, voltada para as áreas de Administração, Finanças e Economia. Com a criação do Centro Cultural, em 1989, o acervo foi ampliado para as áreas de Artes, Literatura e Ciências Sociais e hoje possui mais de 250 mil exemplares, em constante atualização, ocupando todo o quinto andar deste prédio centenário.

Os mediadores

Suzana Vargas é poeta, ensaísta, escritora e professora e mestre em Teoria Literária pela UFRJ. Publicou 16 livros, entre os quais Caderno de Outono, finalista do prêmio Jabuti. Tem poemas traduzidos em países como Itália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e França. Fez a curadoria de importantes projetos literários para feiras e eventos nacionais e internacionais como as Bienais do Livro do Amazonas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, a Primavera dos Livros, a campanha Paixão de Ler e os Encontros com a Literatura Latino-Americana do Centro Cultural do Banco do Brasil. Assina a coluna mensal “Escrever para Lembrar” no portal Publishnews – 2021. Há 29 anos criou e coordena o espaço de oficinas de criação literária Estação das Letras, único no país.

Ramon Nunes Mello é poeta, escritor e ativista dos direitos humanos. Autor dos livros Vinis mofados, Poemas tirados de notícias de jornal, Há um mar no fundo de cada sonho e A menina que queria ser árvore. Organizou “Tente entender o que tente dizer: poesia + HIV / Aids” (2018), “Ney Matogrosso, Vira-Lata de Raça – memórias” (2018) e “Escolhas, autobiografia intelectual de Heloisa Buarque de Hollanda”. Poeta convidado do Rio Occupation London no Battersea Arts Centre (Londres, 2012) e da Festa Literária Internacional de Paraty (2016).

CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.

Serviço:

Clube de Leitura CCBB – edição novembro de 2026
Tema: Amor, Mulheres e Ancestralidade: afetos e questões raciais

Convidados: Renato Noguera
Mediação: Suzana Vargas e Ramón Nunes Melo
Encontro presencial: 11 de novembro de 2026

Horário: 17h30
Entrada gratuita: Ingressos disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura a partir das 9h do dia do encontro.

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ.
Biblioteca Banco do Brasil – 5º andar
Contato: 21 3808-2020 | [email protected]
Mais informações em bb.com.br/cultura

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