Arlete Salles  em ‘Mande Notícias do Mundo de Lá’, no Teatro dos 4

por Waleria de Carvalho
Mande Notícias do Mundo de Lá

Há um cemitério, um caixão e uma amiga que partiu. E surpreendentemente, muito riso. É nesse território incomum, entre a dor da despedida e a graça de uma vida inteira de cumplicidade, que Arlete Salles estreou seu novo espetáculo, “Mande Notícias do Mundo de Lá”, no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea. Escrito e dirigido por Carlos Jardim, o espetáculo marca um divisor de águas na trajetória de uma das atrizes mais celebradas do país que, depois de décadas, encara o primeiro monólogo da sua carreira. A temporada vai até 4 de outubro, sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h. 

Em cena, Arlete Salles dá vida a Eulália Eugênia, uma mulher exuberante e cheia de histórias de pavor da morte. Ainda assim, ela precisa enfrentar seu pior pesadelo: ir ao cemitério dar adeus a Rosimere, amiga de muitos anos e de muitas aventuras. Como ninguém mais compareceu ao velório, é Eulália quem se aproxima do caixão para que a amiga saiba que não foi totalmente abandonada, e ali, entre lembranças e implicâncias antigas, nascem o humor afiado e a emoção genuína.

“Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco, falando, falando… Eu achava bonito assistir a outros colegas fazendo isso. Achava muito corajoso”, conta Arlete. A veterana decidiu aceitar o desafio ao conhecer profundamente o texto de Jardim. “Eu senti muitas qualidades e me identifiquei em vários pontos. Você precisa ler mais de uma vez, mais de duas, mais de três, para descobrir as sutilezas, as voltas, as subidas e descidas de um bom monólogo”, explica.

Para a consagrada atriz, dar vida a essa personagem é também falar de si mesma:  “Em vários momentos, me identifico com a Eulália, porque é um trabalho sobre etaridade. Ele trata da vida de uma mulher com a minha idade. Então, falo de muitas coisas que estão presentes na minha vida, que eu conheço, que eu sinto, que eu vivencio diariamente”, afirma a atriz, que resume sua visão sobre envelhecer com uma frase definitiva: “envelhecer é um grande desafio, mas é muito pior partir jovem, sem ter aproveitado essa maravilha que é a vida, que é viver.

O luto que vira comédia

Apaixonado por teatro e jornalista  com 41 anos de experiência em coberturas factuais, e por isso mesmo, um grande conhecedor de personagens e histórias, Carlos Jardim construiu o texto para explorar a versatilidade de Arlete, capaz de ir do riso fácil à emoção mais profunda em segundos. 

“Arlete tem um tempo de comédia raro, sabe fazer pausas e entonações que valorizam imensamente o texto. E tem uma emoção genuína, que aflora com facilidade e emociona a todos. No texto, abuso das passagens quase bruscas entre o drama e a comédia. E Arlete pula de uma emoção à outra com uma facilidade que impressiona”, revela.

A escolha pelo humor, segundo Jardim, não é acaso: é uma forma de encarar de frente temas que costumam ser tratados com peso excessivo, como a passagem do tempo. Para ele, falar de perdas que a vida traz, também é falar de lembranças.

“O envelhecimento traz a inevitável constatação de que o fim pode chegar a qualquer momento. Isso pode gerar angústia ou despertar em nós uma urgência de fazer valer o tempo que nos resta. Acredito sinceramente que o humor é a chave para deixar tudo mais leve, inclusive na maneira de encarar essas limitações”, diz. 

O diretor e autor ainda resume o tamanho do desafio que é ver uma atriz consagrada se lançar, pela primeira vez, sozinha em cena. 

“Acho fascinante uma atriz gigante como a Arlete, que não precisa provar nada a ninguém, aceitar se desafiar a essa altura da carreira fazendo seu primeiro monólogo. É se jogar no trapézio sem rede de proteção. Como diretor, tento facilitar esse voo. E posso garantir que será um voo lindo e surpreendente”, conclui.

FICHA TÉCNICA:

  • Com Arlete Salles
  • Texto e direção: Carlos Jardim
  • Direção de Movimento e Preparação Corporal: Roberta Serrado e Natacha Travassos
  • Iluminação: Sarah Salgado
  • Figurino: Antônio Rocha
  • Assistente de Figurino: Joana Galli
  • Trilha Sonora Original: Liliane Secco
  • Diretora Assistente: Flavia Rinaldi
  • Assistente de Interpretação: Theodora França
  • Desenho de som: Nildo Bitencourt
  • Operação de luz: Alexandre Fernandes
  • Operação de som: Gabriel Kirin 
  • Camarim e Tec de Palco: Fefo Fernando
  • Beauty: Elcides Freitas
  • Produção de cabelo e aplique: Arnaldo Silva
  • Fotos: Léo Aversa
  • Assessoria de Imprensa: Prisma Colab
  • Comunicação e Marketing: Lucas Sancho e Luis Rodrigues
  • Gestão de Performance e Redes Sociais: Nucleus
  • SAC: Carinne Namba
  • Produção Executiva: Marly Silva, Marina Paiva e Xandy
  • Direção de Produção: Miçairi Guimarães e Sandro Chaim
  • Realização: Magic Arts

SERVIÇO:

Mande Notícias do Mundo de Lá

“Legalmente Loira” chega ao Teatro Multiplan no Shopping Morumbi em agosto para curtíssima temporada

Legalmente Loira

Com elenco de 27 atores e direção geral do maestro Paulo Nogueira, a produção da Casa Cultural Reverbera traz aos palcos de São Paulo a história inspiradora de Elle Woods em três apresentações.

 Nos dias 29 e 30 de agosto, o Teatro Multiplan, localizado no Shopping Morumbi, recebe o musical “Legalmente Loira”. Realizado pela Casa Cultural Reverbera, o espetáculo conta com um elenco expressivo de 27 atores para dar vida à célebre e inspiradora trajetória de Elle Woods. As sessões ocorrem no sábado, dia 29, às 17h, e no domingo, dia 30, em duas apresentações, às 14h e às 16h.

Baseado na obra que se tornou um fenômeno da cultura pop, o musical acompanha Elle Woods, uma jovem carismática que decide desafiar estereótipos e expectativas ao ingressar na prestigiada Faculdade de Direito de Harvard. Em meio a grandes descobertas, dilemas acadêmicos e preconceitos, Elle prova que a determinação, a autenticidade e a confiança em si mesma são os verdadeiros pilares para transformar sonhos em realidade.

A montagem conta com a direção do maestro Paulo Nogueira, assistência de direção de Julia Pronio e coreografias assinadas por Gabriela Melo. A produção geral é comandada por Victoria Dermargos, Beatriz Dixon, Dom Aroeira e Rafael Pacheco.

Para o diretor e maestro Paulo Nogueira, levar a obra aos palcos com uma estrutura robusta reforça o compromisso da produção com a excelência artística.

“‘Legalmente Loira’ é um espetáculo vibrante, que exige precisão tanto na construção musical quanto na dinâmica cênica. Reunir um grupo talentoso de 27 atores nos permite entregar um espetáculo grandioso, cheio de energia e com arranjos marcantes que vão contagiar o público do início ao fim.”

Além de atuar na produção, a atriz Victoria Dermargos assume o desafio de dar vida à protagonista Elle Woods:

“Dar voz e presença à Elle Woods é uma experiência incrível. Por trás de toda a leveza e do humor da personagem, existe uma mensagem muito potente sobre não se podar para caber nas expectativas dos outros. Tenho certeza de que a plateia vai se divertir e, ao mesmo tempo, sair do teatro inspirada pela força e pela humanidade dessa história.”

Os ingressos para as apresentações já podem ser adquiridos pelos canais oficiais de venda do Teatro Multiplan Shopping Morumbi e na bilheteria do local.

A montagem conta com patrocínio da Pousada do Vale Fernando de Noronha, Soulloop, Fast Escova Morumbi, Santa Lolla, Dot Clothing e Pandora Box Brasil e parceria da Vivara, Intimissimi e ZeeDog, todas do Shopping Morumbi. Apoio de divulgação Rádio Kiss FM e Rádio Estilo FM.

Serviço

Espetáculo: Legalmente Loira — O Musical

  • Datas: 29 e 30 de agosto
  • Horários:
  • 29/08 (Sábado): às 17h
  • 30/08 (Domingo): às 14h e às 16h
  • Local: Teatro Multiplan — Shopping Morumbi
  • Vendas pelo Sympla:   Link aqui!
  • Direção Geral e Regência: Maestro Paulo Nogueira
  • Assistente de Direção: Julia Pronio
  • Coreografia: Gabriela Melo
  • Produção: Victoria Dermargos, Beatriz Dixon, Dom Aroeira e Rafael Pacheco
  • Realização: Casa Cultural Reverbera

Musical resgata a trajetória de Benjamim de Oliveira em nova temporada na Cia. da Revista

Espetáculo que revisita a história do primeiro palhaço negro do Brasil e coloca um pioneiro apagado da história no centro de uma criação coletiva sobre memória, identidade e permanência. 

Palhaço Benjamim de OLiveira

Foto: Kaio Raffael / Complexo

Poucos artistas exerceram tanta influência sobre a cultura brasileira e, ao mesmo tempo, foram tão esquecidos pela história quanto Benjamim de Oliveira. Primeiro palhaço negro do Brasil e um dos principais responsáveis pela consolidação do circo-teatro nacional, o artista voltou ao centro da cena no último 18 de agosto, quando “Benjamim – O Palhaço Negro” em nova temporada no Espaço Cia. da Revista, em São Paulo. Durante uma curta temporada, com sessões às terças-feiras e ingressos à venda pela Sympla, o musical propõe mais do que revisitar sua biografia: convida o público a redescobrir um homem que rompeu barreiras raciais, reinventou o fazer artístico e ajudou a moldar a identidade do teatro brasileiro. Com coprodução da Parasol Storytelling, a montagem é uma realização da Belfort Produtora.

A história do espetáculo também começa de forma pouco convencional. No fim de 2018, ainda estudante do ensino médio, Isaac Belfort recebeu a sugestão de pesquisar Benjamim de Oliveira para um trabalho escolar. O que parecia um exercício acadêmico rapidamente se transformou em uma pesquisa que atravessaria anos e mudaria os rumos de sua trajetória artística. À medida que avançava nos estudos, Belfort percebeu que aquele personagem extrapolava qualquer formato tradicional e que sua história precisava ganhar os palcos em forma de musical.

“Quanto mais eu estudava, mais entendia a dimensão de Benjamim e o quanto ele havia sido apagado da nossa memória. Contar essa história deixou de ser apenas uma ideia de espetáculo e passou a ser um compromisso artístico”, afirma Belfort, que idealizou a montagem, assina a direção de produção da obra e também integra o elenco.

A pesquisa iniciada há sete anos, no entanto, nunca foi encerrada. Diferentemente de uma obra concluída, “Benjamim – O Palhaço Negro” continua sendo reconstruído a cada temporada. Novos estudos, descobertas históricas e experiências do elenco passam a integrar a encenação, fazendo com que o espetáculo permaneça vivo e em constante transformação.

Essa evolução também reflete o próprio processo criativo da montagem. Embora tenha partido de uma ideia de Isaac Belfort, o espetáculo foi sendo construído coletivamente ao lado do diretor e dramaturgo Tauã Delmiro, da diretora artística Manu Hashimoto e dos artistas envolvidos no processo criativo. Improvisações, pesquisas e vivências pessoais passaram a moldar a dramaturgia, aproximando a trajetória de Benjamim das experiências de jovens artistas negros da atualidade. “Em determinado momento, o espetáculo deixou de ser só meu. Ele passou a ser de todos que decidiram contar essa história comigo”, resume o idealizador.

Essa proposta distancia a montagem de uma biografia convencional. Em vez de apenas reconstituir fatos históricos, o musical estabelece um diálogo entre passado e presente, mostrando como muitas das barreiras enfrentadas por Benjamim continuam ecoando nas trajetórias de artistas negros contemporâneos. O resultado é um espetáculo que alterna humor, emoção e crítica social sem perder de vista a potência criativa daquele que transformou as vaias em aplausos e abriu caminhos para gerações inteiras de artistas brasileiros.

Desde a estreia, em 2022, no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro, “Benjamim – O Palhaço Negro” percorreu teatros, festivais e cidades brasileiras, incluindo apresentações em Pará de Minas (MG), cidade natal do homenageado. Em 2025, recebeu duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID), nas categorias Destaque Letra Original e Musical Destaque – Voto Popular, consolidando-se entre as produções autorais de maior destaque da nova geração do teatro musical brasileiro. 

A temporada paulistana marca mais uma etapa desse processo contínuo de criação. Entre as novidades estão a evolução da encenação e os novos figurinos assinados por Ellias Kalleb, desenvolvidos especialmente para esta fase da montagem. A equipe criativa reúne ainda direção musical de Thalyson Rodrigues, supervisão musical e co-arranjos vocais de Edyelle Brandão, vencedora do Latin Grammy, trilha original de James Lau, direção de movimento de Marcelo Vittória, cenografia de Alex Carvalho e Jovanna Souza, desenho de luz de JP Meirelles e desenho de som de Breno Lobo e Gabriel D’Ângelo.  

Essa construção coletiva também se revela em cena. Formado por Sara Chaves, Isaac Belfort, Lakís Farias, Douglas Motta e João Cortins, o elenco dá vida não apenas aos personagens que atravessam a trajetória de Benjamim de Oliveira, mas também às reflexões propostas pela montagem. Nesta temporada, o espetáculo conta ainda com a participação especial da atriz Mafê Alcântara, que se junta ao elenco em mais um capítulo dessa construção coletiva. Em constante diálogo entre biografia, memória e contemporaneidade, o espetáculo reafirma sua proposta de uma obra construída coletivamente, em que as experiências de cada intérprete seguem incorporadas à narrativa a cada nova temporada.

Para Belfort, porém, o verdadeiro sentido do espetáculo permanece o mesmo desde o início da pesquisa. “Um legado só desaparece quando deixa de ser contado.” É essa convicção que move “Benjamim – O Palhaço Negro”: devolver ao palco a trajetória de um dos artistas mais importantes da história do teatro brasileiro e garantir que sua memória continue ocupando o lugar que sempre lhe pertenceu.

Ficha Técnica:

  • Elenco: Sara Chaves, Isaac Belfort, Douglas Motta, Lakís Farias e João Cortins.
  • Participação Especial: Mafê Alcântara 
  • Idealização e Direção de produção: Isaac Belfort
  • Direção geral e dramaturgia: Tauã Delmiro 
  • Direção musical: Thalyson Rodrigues
  • Direção de Movimento de coreografias: Marcelo Vittória
  • Letras e músicas: Tauã Delmiro, Nakiska Muniz e Peter
  • Direção artística, ass. de direção geral e direção residente: Manu Hashimoto
  • Trilha sonora: James Lau
  • Supervisão musical e co-Arranjos vocais: Eddyell Brandão 
  • Texto criado coletivamente por: Isaac Belfort, Sara Chaves, Marcelo Vitória, Peter, Layla Santos, Elis Loureiro, Igor Barros e Manu Hashimoto.
  • Design de Luz: JP Meirelles
  • Design de Som: Breno Lobo e Gabriel D’Angelo
  • Figurinista: Ellias Kaleb
  • Cenografia: Jovanna Souza 
  • Pintura de arte: Alex Carvalho 
  • Visagismo: Keila Santos 
  • Design: Marião 
  • Operação de luz e adaptação: Adriel Pareira 
  • Canhão e 2º operação de luz: Carol Dourado
  • Operação de som e trilhas: Clauber Fonseca 
  • Identidade visual: Gabriel Barbosa
  • Social media: Sami Felipe 
  • Assessoria de Imprensa: GPress Comunicação
  • Produção executiva: Mariana Safra (Jazz Rider) e Lucas San
  • Direção de produção: Manu Hashimoto e Isaac Belfort
  • Assistente de produção: João Cortins e Amanda Azul
  • Co-produtora: Parasol Storytelling
  • Realização: BELFORT PRODUTORA 
  • Apoio: In Cena Produções, Color Maker, Estúdio 7.8, 220 Decibéis – Solução em
  • Áudio, Matinali Complexo Real Time

SERVIÇO:

  • Local: Espaço Cia da Revista
  • Alameda Nothmann, 1135 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, 01216-001
  • Temporada: de 18 de agosto a 15 de setembro  – Terças às 20h30
  • Valor: R$100 (inteira) R$50 (meia-entrada)
  • Vendas: Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/benjamim-o-palhaco-negro/3471510?share_id=copiarlink)
  • Duração: 1h30 – sem intervalo
  • Classificação Indicativa: 10 anos
  • Redes Sociais:
  • @musicalbenjamim (espetáculo) | @belfortprodutora (produtora)

Cia. do Tijolo revisita a Guerra de Canudos pelo olhar dos personagens anônimos em espetáculo vencedor do Prêmio APCA de Melhor Direção

“Restinga de Canudos” chega à Arena do Sesc Copacabana com teatro, música ao vivo e elementos da cultura popular brasileira

Restinga de Canudos

Foto: Alecio Cezar

Mais de um século após a Guerra de Canudos (1896-1897), um dos episódios mais marcantes da história brasileira, o espetáculo “Restinga de Canudos”, da Cia. do Tijolo, chega ao Rio de Janeiro para uma temporada na Arena do Sesc Copacabana. Vencedora do Prêmio APCA de Melhor Direção com a montagem, a companhia propõe uma releitura do conflito baiano que se afasta da narrativa oficial para lançar luz sobre aqueles que raramente protagonizam os relatos históricos. A temporada acontece de 20 de agosto a 13 de setembro, com apresentações às quintas e sextas, às 20h, e aos sábados e domingos, às 18h.

Em vez de reconstruir a trajetória de Antônio Conselheiro ou concentrar a narrativa nos combates que marcaram o massacre de Canudos, o espetáculo mergulha no cotidiano dos moradores de Belo Monte e acompanha personagens como professoras, agricultores, indígenas, beatos, cantadores, uma poeta popular e praticantes da Jurema Sagrada. São essas vozes que conduzem o público por uma comunidade viva, construída pela coletividade e pela invenção de formas próprias de existência.

Dirigida por Dinho Lima Flor, que também assina a criação e dramaturgia ao lado de Rodrigo Mercadante, a montagem parte da imagem das ruínas da antiga Canudos, hoje submersas pelas águas do açude de Cocorobó, para reconstruir a memória de uma comunidade que existiu antes de sua destruição no conflito com as forças da recém-instalada República. Em vez de reconstituir batalhas ou privilegiar personagens históricos já conhecidos, a peça recupera histórias de resistência de moradores anônimos de Belo Monte, cujos ecos permanecem atuais.

“No imaginário brasileiro, Canudos costuma ser lembrada pelo massacre ou pela figura de Antônio Conselheiro. Nós quisemos olhar para outra direção: a Canudos dos comuns, das pessoas que repartem, resistem e inventam outras formas de viver. É essa memória coletiva que ainda pode inspirar esperança e resistência no presente”, afirma o diretor e dramaturgo Dinho Lima Flor.

Duas professoras conduzem a narrativa e simbolizam o papel da educação na formação da consciência crítica e ajudam a costurar as histórias dos diferentes moradores da comunidade.

Ao aproximar passado e presente, a montagem estabelece diálogos com questões que continuam atravessando a sociedade brasileira, como a violência de Estado, a desigualdade social e a luta por direitos.

No palco, um grande elenco reúne atores, músicos e compositores de diferentes regiões do Brasil em uma encenação que combina teatro, música executada ao vivo e elementos da cultura popular brasileira. Participam da montagem, além dos criadores Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante, os artistas Karen Menatti, Odília Nunes, Artur Mattar, Jaque da Silva, Danilo Nonato, João Bertolai, Marcos Coin, Dicinho Areias, Jonathan Silva, Juh Vieira, Vanessa Petroncari, Leandro Goulart e Lakis Farias. A direção musical é assinada pela Cia. do Tijolo e por William Guedes, com composições originais de Jonathan Silva.

SERVIÇO

Restinga de Canudos 

  • Temporada: 20 de agosto a 13 de setembro de 2026
  • Horários: quintas e sextas, às 20h; sábados e domingos, às 18h
  • Local: Sesc Copacabana
  • Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro
  • Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados
  • empresário); R$ 28 (Credencial Plena Sesc); gratuito para público PCG.
  • Bilheteria: terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 19h
  • Classificação indicativa: 12 anos.

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