“Nada ficou no lugar, eu quero quebrar essas xícaras. Eu vou enganar o diabo. Eu quero acordar sua família. Eu vou escrever no seu muro. E violentar o seu rosto. Eu quero roubar no seu jogo. Eu já arranhei os seus discos. Que é pra ver se você volta”. A letra de “Mentiras”, de Adriana Calcanhotto, faz parte da adolescência de Flávia Santana. “Lembro que tinha brigado com um namorado da escola e ficava sentada na porta da casa dele às sete da manhã pensando em fazer tudo o que aquela música falava”, conta Flávia. É esse tipo de repertório que inundou os ouvidos da geração dos anos 80 e 90 que
Flávia apresenta no espetáculo “Como a MPB Acabou Com Minha Vida Amorosa”, reafirmando uma carreira sólida e multifacetada construída entre o teatro, a televisão e o audiovisual.
A comédia musical, estrelada por ela, com texto e direção de Renata Mizrahi e produção de Sandro Rabello, estreia dia 17 de abril, no Teatro Rival. No palco, ao lado do músico João Callado, Flávia constroi uma narrativa a partir das próprias histórias e as da diretora Renata. São canções emblemáticas da música brasileira, criando uma experimentação cênica envolvente, acessível e emocionalmente conectada ao público.
Indicada ao Prêmio Cesgranrio de Melhor Atriz por sua atuação em montagens como “A Cor Púrpura – O Musical” e “Beetlejuice”, ambas dirigidas por Tadeu Aguiar, com destaque também na novela “Dona de Mim” e na série “Dom”, Flávia reúne sua bagagem no teatro e no audiovisual para conduzir um espetáculo que mistura interpretação, música e humor, explorando com sensibilidade e ironia os impactos da MPB no imaginário afetivo de uma geração. “De certa forma, as canções sabotaram as expectativas amorosas de uma geração. A MPB, com suas letras intensas, poéticas e melancólicas, ensinou a viver o amor com uma profundidade quase impossível de sustentar na vida rea”, diz Flávia.
A autora e diretora Renata Mizrahi complementa: “É um trabalho de muita escuta para deixar o texto na embocadura de Flávia e seu jeito peculiar e extrair o melhor de sua atriz com suas versatilidades. Queremos compartilhar com o público essas histórias tragicômicas moldadas pelas letras das músicas, fazer com que ele se identifique e cante com a gente. a ideia é que todo mundo saia leve do espetáculo”.
A proposta da comédia é investigar, de forma bem-humorada e emocional, o impacto cultural dessas canções na formação afetiva do brasileiro. Cada verso de Cazuza, Caetano Veloso, Kid Abelha ou Marisa Monte se transforma em espelho, conselho e armadilha. A personagem revisita suas histórias de amor sob a trilha sonora de uma MPB que, ao mesmo tempo que consola, também idealiza.
Trata-se de uma reflexão sobre como crescemos acreditando no amor como ele é cantado — e não como ele realmente é vivido. O espetáculo mistura música, humor e confissão, transformando a dor e a desilusão em arte e catarse. Mais do que um desabafo pessoal, o monólogo é uma declaração de amor à própria MPB e à capacidade que a arte tem de nos afetar profundamente — até o ponto de confundirmos a canção com a vida.
Serviço:
Musical “Como a MPB Acabou Com Minha Vida Amorosa”, com Flávia
Santana
17 de Abril
Sexta às 19h30
Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim ,33 – subsolo, Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
Ingressos: de R$ 60 a R$ 140 Classificação etária: 18 anos
Flávia Santana é atriz com trajetória consolidada no teatro, cinema e audiovisual. Trabalhou com Mauro Diniz, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha e Reinaldo (o príncipe do pagode). Também fez parte das bandas de Fernanda Abreu e Sandra de Sá. Foi integrante do grupo As Sublimes, o que lhe rendeu reconhecimento nacional. Já fez trabalhos de composição, como “Eu Não Vou”, que foi gravada pelo Fat Family, e uma versão para a música “My Cherie Amour”, de Stevie Wonder, que foi gravada pelo seu próprio grupo, As Sublimes. Em 2009, começou sua carreira como atriz e cantora no musical “O Bem do Mar”. Destaque para os seguintes trabalhos: 2023 – O Incidente (dir. Tadeu Aguiar),
2022 – Sob Pressão (Globoplay), 2021 – Dom (Amazon Prime, dir. Breno Silveira) Indicada ao Prêmio Cesgranrio de melhor atriz por A Cor Púrpura: o musical (dir. Tadeu Aguiar) e Beetlejuice, (dir. Tadeu Aguiar), O Incidente (dir. Tadeu Aguiar), O Poeta Aviador (Dir, Renata Mizrahi)
Renata Mizrahi é uma premiada autora e diretora de teatro e cinema. No teatro ganhou Shell de melhor texto e foi indicada ao APTR por Silêncio! Foi a autora de Chica da Silva- O Musical que rendeu prêmio Shell de melhor atriz para Vilma Melo e Mãe de Santo, que rendeu indicação de melhor atriz também para Vilma Melo. Escreveu mais de 30 peças entre adultos e infantil.
João Callado é compositor, com várias músicas gravadas e lançadas, e tem parcerias com Adriana Calcanhotto, Abel Silva, Zélia Duncan, Teresa Cristina e Moyseis Marques, entre outros. Ganhou, com o Grupo Semente, em 2015, o Prêmio da Música Brasileira (melhor grupo de samba); e em 2018, o prêmio APTR de melhor música pra teatro, com o musical Zeca Pagodinho, Uma História de Amor ao Samba.
Sandro Rabello é parceiro de Renata há mais de 13 anos. Juntos, realizaram as bem sucedidas peças: Caixa de Phosphorus, Os Sapos, Silêncio! e Vale Night.
