Todas as cores artísticas se unem na QueeRIOca

QueeRIOca
QueeRIOca - Foto: Ana Alexandrino

Música, artes plásticas, teatro, performance, cinema, literatura, programação infantil, gastronomia carioca de rua, festas noturnas e muita boemia ditam o ritmo e dão as cores da QueeRIOca, primeiro centro de referência de arte e cultura  LGBTQIAPN+ do Brasil. Idealizado pela atriz e fundadora da companhia de teatro os dezequilibrados Cristina Flores e da roteirista, escritora, compositora e atriz Laura Castro, o espaço de 200m2 está instalado em um casarão colonial do século 19, na Travessa do Comércio, n.16, no histórico Arco do Teles, bem ao lado da Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. A QueeRIOca aposta na multifuncionalidade e na interseção de linguagens para se tornar o mais novo ponto de encontro LGBTQIAPN+ da cidade.

As possibilidades da programação se desdobram em um diálogo plural: uma performance inédita, seguida de uma roda de conversa no piano-bar, uma exposição imersiva em meio a uma festa noturna, o lançamento de um livro ocorre simultaneamente a uma leitura dramática. Em paralelo, pode-se aproveitar uma sessão de cinema independente ou presenciar uma apresentação teatral inovadora. De repente, surge um animado bate-papo na calçada em meio ao cenário arquitetônico que respira história e, agora, volta a brilhar. A inauguração da QueeRIOca será no dia 27 de abril, com abertura da exposição DiferENTRE, e um dia dedicado à Zélia Duncan e suas múltiplas expressões artísticas. 

 “Nossa expectativa é oferecer um centro de referência da produção de artistas queer, com uma programação intensa, unindo várias formas de representação artística e proporcionando a circulação de muitas obras e artistas nessa troca. E, claro, atraindo o público, que pode chegar de manhã para uma programação infantil e ficar até de noite para um show, uma festa, uma exposição. E isso tudo acontecendo em pleno centro histórico do Rio de Janeiro, dentro de um projeto que representa um renascimento artístico da própria cidade.”,  destaca Laura Castro.

A iniciativa faz parte do projeto de revitalização da região promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro a partir do edital Reviver Cultural, que busca viabilizar novos empreendimentos no Centro da cidade, a fim de ampliar a oferta cultural da região e recuperar o patrimônio arquitetônico de uma das áreas mais emblemáticas da cidade com base na pluralidade de opções e afinidades de atividades.

“Revitalizar o Centro do Rio, um espaço urbano abandonado, meio falido, meio assustado, parece ser um desafio ousado, e, ao mesmo tempo, instigante para a comunidade queer, um segmento da população forjado a partir das dificuldades que aprendemos a reconhecer desde que existimos. Resistimos, assim como o Centro do Rio, um tanto alquebrados, mas sem nunca abrir mão de nossa imensa potencialidade.”,  contextualiza Cristina Flores.

A QueeRIOca conta com uma equipe multidisciplinar, que a partir de uma curadoria residente organiza as programações fixas e flexíveis, com atrações gratuitas e pagas. No campo das artes visuais, o artista plástico Daniel Toledo, um dos fundadores do coletivo OPAVIVARÁ!, direciona a programação fixa e itinerante, vislumbrando diferentes pontos de vista da pluralidade queer e da cena artística contemporânea. Sob sua curadoria, nos primeiros três meses de funcionamento a casa abrigará a exposição DiferEntre, reunindo obras de 32 artistas tão diversos quanto o mundo queer é e deve ser, convidando o visitante a entrar e conhecer o espaço.

Na seara literária, a Livraria Pulsa, original de São Paulo e recém-chegada ao Rio de Janeiro, é pioneira em destacar a autoria de obras LGBTQIAPN+, contemplando no catálogo, principalmente, livros escritos por gays, lésbicas e trans. A programação literária também terá como foco atividades e lançamentos para crianças, tendo em vista as famílias homoparentais. 

Desenvolvido pela Junta Arquitetura, o projeto arquitetônico ousa com o neon high tech, mistura estilos e descontextualiza referências, explorando os espaços que compõem a QueeRIOca a partir dos conceitos de flexibilidade, integração, multifuncionalidade e, acima de tudo, personalidade. No nível da rua, está localizado um bar que oferece música ao vivo e se estende até a calçada, ocupando a rua, tendo como cenário o casario histórico, onde se destaca logo à frente o antigo sobrado em que morou Carmem Miranda. O subsolo abrigará um teatro, que também pode ser usado como cinema, performance ou pista de dança. Um verdadeiro ambiente cultural multiuso.

“No espaço da rua, por exemplo, optamos por trabalhar com móveis que preservam a autenticidade. Nossa ideia é guardar a história desses móveis, mas subverter o contexto, criando outra narrativa. Cada cadeira é diferente da outra. Cada mesa é diferente da outra. Isso cria uma linda unidade de diferenças que a gente acha muito pertinente dentro de uma circunstância que é nomeada queer.”, explicam Cristina e Laura.

 “Conversando com muitos artistas que convidamos para trabalhar com a gente neste projeto, fomos nos dando conta que a maioria das pessoas estava desistindo da cidade, após uma série de tentativas muito complicadas, um lugar difícil de empreender.”, observam as idealizadoras, casadas há seis anos, com quatro filhos (a bebê Luz, filha das duas, e os adolescentes Clarissa, Rosa e José, frutos do primeiro casamento Laura com outra mulher). Abrir novas portas é sempre um movimento de ousadia, escancarar as portas dos armários é (re)inventar o desejo e a própria identidade. Mas quem resiste e faz acontecer. Os cariocas têm muito a ganhar, as queeriocas, celebram o novo point de vanguarda.

QueeRIOca será inaugurada em 27 de abril com Zélia Duncan e uma ampla programação cultural:

A inauguração, no dia 27 de abril, sábado, contará com um dia inteiro dedicado às múltiplas expressões artísticas de Zélia Duncan, madrinha da casa, e será marcado também pela abertura da exposição DiferEntre, com obras de 32 importantes artistas contemporâneos, reunindo trabalhos de nomes como Dyó Rastros de Diógenes, Gabriela Marinho, Juca, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Matheus Rocha Pitta, OPAVIVARÁ, Pedro Victor Brandão, Ana Alexandrino, Felippe Moraes, João Penoni, Yhuri Cruz, Tom Grito, Victor Arruda, Vinícius Pinto Rosa e Fudida Silk, entre outros talentos.. 

“Ter a Zélia Duncan na abertura da QueeRIOca faz um sentido enorme pra gente, Zélia é uma artista agregadora, sempre presente na cultura do nosso país, nossa ídola pé no chão, que canta nossa vida queer com uma poesia poderosa e aquela voz que há décadas enche nossos corações de coragens”, exulta Cristina Flores. “DiferENTRE é o melhor passaporte de entrada que poderíamos ter para uma casa que é de todes nós, construída junto de coletivos de artistas queer desse Rio de Janeiro! É emocionante demais esse teto!”, complementa Laura. 

E muito mais está por vir! Com uma programação intensa, que prima pela diversidade, a QueeRIOca conta com uma equipe multidisciplinar que, a partir de uma curadoria residente, organiza as atrações fixas e flexíveis, gratuitas e pagas. Entre os parceiros estão o artista plástico Daniel Toledo, os grupos teatrais Buraco da Lacraia e Teatro do Afeto, a Livraria Pulsa, pioneira em destacar a autoria de obras LGBTQIAPN+, o produtor e diretor Gabriel Bortolini, o coletivo Mães Para a Diversidade, e as DJs Tata Ogan e Tatiana Supernova. 

Confira aqui a PROGRAMAÇÃO

As idealizadoras da QueeRIoca:

Laura Castro é roteirista e codiretora da série ARQUIS (HBO e HBO Max) e roteirista, atriz e produtora do longa Aos Nossos Filhos, dirigido por Maria de Medeiros (coprodução Brasil/França 2022). É também autora dos livros Aos Nossos Filhos (2019) e Outro Mundo é Possível Embaixo do Temporal (2023). Indicada pelo deputado Jean Wyllys ao Prêmio Mulher Cidadã do Congresso Nacional em 2016, Laura é ativista pelos direitos LGBTQIAPN+ há 15 anos, diretamente relacionada à conquista do casamento igualitário e ao registro de crianças por famílias homoafetivas. É mestre em artes cênicas pela UNIRIO e professora de História do Teatro na faculdade CAL.

Cristina Flores é atriz carioca indicada aos principais prêmios da cena brasileira, roteirista, poeta, jardineira, artista plástica, diretora, fundadora da cia os dezequilibrados há 25 anos, e do coletivo de artistas jardineiros, Jardins Portáteis há 10 anos. Com mestrado em Artes da Cena pela UNIRIO, em 2023, Flores publicou sua pesquisa sobre penalidade de gênero e performance chamada Mamilos, Sintomas e Antenas: A invenção da performance Mamilo Broche de Mamilo e o Paradoxo do Triiunfo sobre a necessidade sob orientação da Prof. Dra. Ana Bernstein.

Serviço:

QueeRIOca
Travessa do Comércio, n.16 (Arco do Teles), Centro, Rio de Janeiro

Horário de funcionamento:  
Quarta a sexta: das 16h à meia-noite
Sábado: das 11h às 5h
domingo: das 14h à meia-noite 

E-mail para contato:  queerioca@queerioca.com

Capacidade: 200 lugares
Instagram: @queerioca

Site: www.queerioca.com 

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