A OpenAI passou a recusar pedidos para o ChatGPT escrever no estilo de autores específicos, vivos ou mortos. Testes publicados pelo Ars Technica em 27 de julho de 2026 registraram o novo comportamento. No lugar da imitação, o sistema oferece texto original inspirado em traços gerais do escritor.
A mudança não foi anunciada pela empresa e não corresponde a nenhum padrão de mercado. Uma auditoria comparativa da publicação No Latency, feita em julho de 2026 com cinco assistentes, encontrou cinco comportamentos distintos diante do mesmo tipo de pedido. A recusa da OpenAI é, portanto, decisão de política interna, não exigência legal consolidada.
Para quem acompanha o setor, o detalhe relevante está no que a empresa escolheu proteger. A lei de direitos autorais dos Estados Unidos protege a expressão concreta de um texto, não o estilo abstrato de quem o escreveu.
Destaques
- A OpenAI passou a recusar pedidos para o ChatGPT escrever no estilo exato de autores nomeados, vivos ou mortos, segundo testes do Ars Technica publicados em 27 de julho de 2026.
- A auditoria da No Latency de julho de 2026 aplicou sete tipos de prompt a cinco assistentes e obteve 35 primeiras respostas, com apenas ChatGPT e Perplexity recusando o pedido sobre autores vivos.
- O Google Gemini atendeu ao pedido de imitação sem restrição, enquanto Claude e Microsoft Copilot atenderam com ressalvas, segundo a mesma auditoria de julho de 2026.
- O juiz federal Sidney Stein negou em 27 de outubro de 2025 o pedido da OpenAI para arquivar a alegação de que saídas do ChatGPT violam direitos de escritores.

O que o ChatGPT responde ao pedido de estilo de autores
O ChatGPT hoje entrega uma recusa parcial. Ao receber um pedido de abertura no estilo de Stephen King, o sistema citou marcas do horror atmosférico e do medo em cidade pequena. Escrever na voz exata do autor está fora de alcance, respondeu, segundo o Ars Technica.
O mesmo padrão apareceu com J.K. Rowling e Amy Tan, ambas vivas, e com Charles Dickens e Ernest Hemingway, ambos mortos. A Engadget replicou o teste com Agatha Christie e recebeu uma justificativa explícita de direito autoral. A Fast Company pediu uma história da Grande Depressão na voz de John Steinbeck e obteve recusa seguida de proposta alternativa.
A fronteira não é a morte do autor. É a proteção que ainda pesa sobre a obra. Em teste da Android Authority, o sistema aceitou reescrever trechos no estilo de William Shakespeare e de Christopher Marlowe, ambos em domínio público há séculos. O resultado prático interessa a quem usa a ferramenta em redação publicitária, roteiro e ficção comercial. O pedido não é bloqueado, é redirecionado.
Cinco assistentes, cinco regras diferentes
Nenhum padrão comum governa a imitação literária entre os grandes assistentes. A auditoria da No Latency submeteu sete tipos de prompt a cinco sistemas em julho de 2026. O estudo registrou apenas a primeira resposta de cada um, sem tentativa de contorno. O resultado foi um leque de políticas.
Como cada assistente respondeu ao pedido de imitação de autor vivo
| Assistente | Comportamento registrado |
|---|---|
| ChatGPT (OpenAI) | Recusou e redirecionou para traços gerais de ofício |
| Perplexity | Recusou, incluindo autores já falecidos |
| Claude (Anthropic) | Atendeu com ressalvas ou avisos de processo |
| Microsoft Copilot | Atendeu com ressalvas ou avisos de processo |
| Google Gemini | Atendeu diretamente, sem restrição |
Fonte: No Latency, auditoria comparativa de julho de 2026 (5 sistemas, 7 tipos de prompt, 35 primeiras respostas) · dados de julho de 2026.
Os cinco sistemas liberaram, sem exceção, pedidos de estilo literário genérico e de análise de estilo. A divergência se concentra no pedido nomeado. Isso indica que a restrição da OpenAI responde a cálculo jurídico próprio, e não a uma leitura compartilhada da lei. A auditoria também tem limites declarados pelos próprios autores. Foram poucas amostras, sem teste de jailbreak, e o comportamento pode variar por versão, região e tipo de conta.
Por que a mudança importa nos tribunais
O ajuste chega enquanto a OpenAI defende a maior ação de direitos autorais em curso contra uma empresa de inteligência artificial. Em 27 de outubro de 2025, o juiz federal Sidney Stein negou o pedido de arquivamento da companhia. A alegação em disputa é que as respostas do ChatGPT violam direitos dos autores. A decisão liberou a fase de produção de provas.
O processo consolidado em Nova York reúne ações de escritores como John Grisham, George R.R. Martin, Jodi Picoult e Jonathan Franzen, ao lado do Authors Guild. Uma das petições cita a capacidade do modelo de gerar texto semelhante ao material protegido. Stein escreveu que um observador atento poderia concluir que certas saídas guardam similaridade substancial com as obras dos autores.
O volume de litígio explica a cautela. O levantamento Chat GPT Is Eating The World contabilizava 87 ações de direitos autorais nos Estados Unidos e 112 no mundo em 5 de março de 2026. O Copyright Alliance registrou mais de 80 casos americanos em fevereiro de 2026. No mesmo período, a Anthropic fechou acordo de 1,5 bilhão de dólares com autores, o maior da história do direito autoral americano.
Estilo, isoladamente, não costuma ser objeto de proteção. Produzir texto substancialmente similar, porém, é outra discussão, e é exatamente essa a fronteira que o tribunal de Nova York examina. Bloquear o estilo de autores nomeados reduz a chance de um usuário gerar, com poucos cliques, a prova que os escritores procuram.
O próximo marco não depende de nova política de produto. Segundo o rastreador AI Lawsuit Tracker, o juiz Stein confirmou uma ordem em 5 de janeiro de 2026. A OpenAI deve entregar 20 milhões de conversas anonimizadas do ChatGPT aos advogados dos autores. A análise pericial desse material tende a definir os termos de qualquer acordo.
Serviço
Auditoria comparativa da No Latency com cinco assistentes (https://nolatency.co/ai-chatbot-author-imitation/)
Decisão do juiz Sidney Stein sobre o pedido de arquivamento, em PDF (https://www.courthousenews.com/wp-content/uploads/2025/10/open-ai-motion-to-dismiss-infringement-opinion.pdf)
Teste de replicação publicado pela Engadget (https://www.engadget.com/2224867/chatgpt-refusing-to-write-in-famous-authors-styles/)
Teste com John Steinbeck publicado pela Fast Company (https://www.fastcompany.com/91580949/openai-tells-chatgpt-to-stop-impersonating-famous-authors)
Perguntas frequentes
O ChatGPT ainda escreve no estilo de Stephen King?
O ChatGPT não escreve mais na voz exata de Stephen King. Em teste do Ars Technica de julho de 2026, o sistema ofereceu um texto original com marcas de horror atmosférico e medo em cidade pequena, sem reproduzir a assinatura do autor. A recusa vale também para escritores já falecidos.
Estilo de escrita é protegido por direito autoral nos Estados Unidos?
O estilo de escrita, tomado isoladamente, não costuma receber proteção autoral nos Estados Unidos. A lei protege a expressão concreta de um texto, não o método ou a atmosfera. O risco jurídico surge quando a saída gerada é substancialmente similar a uma obra registrada, questão hoje em análise no tribunal federal de Nova York.
Outros chatbots também recusam imitar autores?
Outros chatbots não seguem a mesma regra. Na auditoria da No Latency de julho de 2026, o Perplexity recusou pedidos sobre autores vivos e mortos, o Google Gemini atendeu sem restrição, e Claude e Microsoft Copilot atenderam com ressalvas. Os cinco sistemas testados aceitaram pedidos de estilo literário genérico.
