Daniel Kowalski transforma escuta, natureza e improviso no álbum instrumental “Simples”

Já disponível nas plataformas, disco de dez faixas parte de uma viagem ao Japão e reúne piano, gravações de campo, shakuhachi, violoncelo e eletrônica sutil

por Bruno Pirozi

O músico tocantinense Daniel Kowalski acaba de lançar “Simples (シンプルズ)”, álbum instrumental que transforma paisagem, silêncio e acaso em matéria musical. Já disponível nas plataformas, o trabalho nasceu de uma viagem ao Japão e parte das captações realizadas em Oshino Hakkai, conjunto de oito nascentes alimentadas pelas águas do degelo do Monte Fuji.

Os sons da água, dos ambientes e dos silêncios registrados no local atravessam as dez faixas ao lado de piano, sintetizadores e programações executados por Kowalski. Em vez de funcionarem apenas como ambientação, as gravações de campo participam da própria construção das composições e guiam um disco entre minimalismo, ambient, eletrônica e improviso.

Com formação em piano erudito e teoria musical iniciada em Palmas, Daniel vem construindo uma obra autoral voltada à relação entre escuta e paisagem. “Simples” amplia uma pesquisa presente em trabalhos anteriores, como “Música de Água e Pedra”, “Sambaíba” e “Vibração das Serras Gerais”, agora em diálogo com referências japonesas.

O álbum reúne Mamoru Ogata no shakuhachi em quatro faixas, Sérgio Rabello nos violoncelos em quatro composições e PH Souza na bateria de “Oshino Hakkai”. O primeiro single, “Luz e Sombra do Sol Entre as Folhas (木漏れ日)”, antecipou esse encontro entre piano, cordas, eletrônica e o conceito de komorebi, expressão japonesa que define a luz do sol atravessando as folhas.

“Minha mente é barulhenta quase o tempo todo. Quando entro em contato com a natureza, encontro fragmentos de uma paz que não sei explicar. ‘Simples’ é a tentativa de registrar essas partículas fugidias antes que desapareçam”, afirma Daniel Kowalski.

O título do disco também vem de uma experiência concreta. Em Shizuoka, o músico conheceu o restaurante Simples, do chef Yasuhiko Inoue, e pediu autorização para registrar a paisagem sonora da cozinha. A faixa “Uma Mesa Entre as Estrelas (星々の食卓)” foi gravada ali em uma única tomada, com teclado sobre a bancada, sem metrônomo, harmonia pré-definida ou edição posterior do piano.

As faixas receberam títulos em português e japonês, pensados como leituras complementares de cada composição. A capa é assinada pela artista japonesa Yui Sugiyama, que ouviu o álbum e conheceu a história do projeto antes de desenvolver a obra. A mixagem e a masterização são de Jordan Macedo, enquanto a produção executiva é da Kowalski Produções, com coordenação de Rafael Mozan.

Em “Simples”, Daniel Kowalski propõe uma escuta desacelerada: um álbum que faz da atenção aos pequenos sons uma forma de presença.

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