O El Niño está oficialmente instalado no Oceano Pacífico equatorial. O Centro de Previsão Climática (CPC), órgão da agência americana NOAA, confirmou o estabelecimento do fenômeno em boletim divulgado na manhã de 11 de junho de 2026. A projeção que acompanha o anúncio eleva o alerta. Há 63% de probabilidade de intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o boletim.
A confirmação encerra meses de transição acelerada no oceano e abre um período de risco climático global. Eventos dessa magnitude alteram regimes de chuva, seca e calor em escala planetária. No Brasil, o fenômeno tende a agravar a seca no Norte e no Nordeste e a concentrar chuvas volumosas no Sul, segundo o Inmet.
Destaques
- O CPC da NOAA confirmou em 11 de junho de 2026 que o El Niño se estabeleceu no Pacífico equatorial.
- O boletim projeta 63% de probabilidade de intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
- As anomalias na região Niño 3.4 chegaram a +0,9°C em meados de maio de 2026, segundo o IRI da Universidade Columbia.
- A OMM projetou em 31 de maio de 2026 domínio quase universal de temperaturas acima do normal entre junho e agosto.
El Niño confirmado: o que diz o boletim da NOAA de 11 de junho
O El Niño confirmado pela NOAA em 11 de junho de 2026 se estabeleceu após semanas de aquecimento acelerado das águas e mudança nos padrões de vento no Pacífico equatorial. O boletim do CPC registra temperaturas da superfície do mar acima da média entre as regiões central e leste do oceano.
A virada foi rápida. As condições de La Niña persistiram até o fim de 2025, e o Pacífico tropical passou por uma fase neutra no início de 2026. Em meados de maio, as anomalias semanais na região crítica do Niño 3.4 já haviam saltado para +0,9°C, bem acima do limiar de +0,5°C que define o fenômeno. O Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, atribuiu probabilidade de 98% à ocorrência das condições entre maio e julho de 2026.
Outras agências haviam se antecipado. A PAGASA, agência meteorológica das Filipinas, confirmou em 9 de junho de 2026 a presença das condições de El Niño. O órgão estima 80% de chance de o evento persistir até o início de 2027. A Agência Meteorológica do Japão já avaliava como certa a continuidade do fenômeno ao longo do outono no Hemisfério Norte.
Por que o evento pode ficar entre os mais intensos desde 1950
A projeção de intensidade é o dado que mais preocupa os meteorologistas. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) projeta aquecimento superior a 3°C acima da média no Pacífico equatorial central até o fim de 2026. O nível é comparável aos recordes de 1877 e 2015, segundo o instituto. Alguns conjuntos de modelagem indicam picos acima de +4,5°C no Pacífico oriental.
O cenário evoluiu depressa. Em maio, a avaliação do próprio CPC reconhecia que nenhuma categoria de intensidade passava de 37% de probabilidade. O boletim de 11 de junho de 2026 elevou para 63% a chance de um El Niño muito forte na virada do ano. Esse patamar colocaria o evento entre os mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou em 31 de maio de 2026 que o evento será pelo menos moderado, possivelmente forte. O acoplamento entre oceano e atmosfera ao longo do verão boreal, processo que caracterizou os episódios mais intensos da história, já está em curso, segundo o CPC.
Efeitos esperados no Brasil e no mundo
O El Niño redistribui chuva e calor em escala global. Nas Filipinas, a previsão é de precipitação abaixo da média e possíveis perdas agrícolas. No Japão e no Pacífico ocidental, esperam-se tufões menos numerosos e mais intensos, com trajetórias deslocadas para o norte. A Califórnia e o Sudoeste dos Estados Unidos têm maior chance de chuva acima do normal. O excesso alivia a seca, mas eleva o risco de enchentes em áreas atingidas por incêndios.
No Brasil, o padrão típico divide o país. O fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste e favorece grandes volumes de chuva no Sul, segundo o Inmet. Inpe, Inmet, Funceme e Censipam divulgaram nota técnica conjunta em abril de 2026 alertando para o risco de eventos climáticos extremos no segundo semestre.
A dimensão política acompanha a curva dos modelos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu em 2 de junho de 2026 que as nações tratem o fenômeno como o alerta climático urgente que ele representa. A OMM projetou domínio quase universal de temperaturas acima do normal entre junho e agosto. O climatologista Zeke Hausfather indicou que 2026 caminha para figurar entre os anos mais quentes já registrados.
| Projeção | Probabilidade |
|---|---|
| Condições de El Niño entre maio e julho de 2026 (IRI/Columbia) | 98% |
| Persistência até o início de 2027 (PAGASA) | 80% |
| Intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 (CPC, junho) | 63% |
O calendário agora aponta para a primavera e o verão. O próximo boletim mensal do CPC, previsto para meados de julho de 2026, deve refinar a projeção de intensidade à medida que o acoplamento oceano-atmosfera avança. O pico do fenômeno, esperado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, definirá se o episódio entra para a história ao lado de 1997 e 2015. Até lá, governos e agências têm uma janela curta de preparação para secas, enchentes e calor extremo já incorporados às previsões sazonais.
Perguntas frequentes
O que é o El Niño?
O El Niño é o aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial, com anomalias de pelo menos +0,5°C sustentadas por meses. Ele integra o sistema ENOS, que alterna entre El Niño, La Niña e fase neutra, e altera regimes de chuva, seca e temperatura em escala global.
Quando o El Niño 2026 deve atingir o pico?
O El Niño 2026 deve atingir o pico entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o boletim do CPC de 11 de junho. Nesse intervalo, a agência projeta 63% de probabilidade de intensidade muito forte, patamar comparável aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016.
Quais são os efeitos do El Niño no Brasil?
Os efeitos do El Niño no Brasil se dividem por região, segundo o Inmet. O fenômeno eleva o risco de seca na faixa norte do Norte e do Nordeste e favorece chuvas volumosas no Sul. Nota técnica conjunta de Inpe, Inmet, Funceme e Censipam, de abril de 2026, alerta para eventos climáticos extremos.

