A Promotoria de Paris abriu uma investigação judicial sobre a plataforma X, de Elon Musk, em uma nova etapa de um caso que envolve suposto abuso de algoritmos, uso irregular de dados e conteúdos gerados pelo Grok. A medida, confirmada nesta quinta-feira, 7 de maio, transfere o caso para juízes de instrução e ocorre após Musk não comparecer a uma convocação para depoimento voluntário em 20 de abril.
A Promotoria pediu que X.AI Holdings Corp, X Corp, xAI, Elon Musk e a ex-CEO Linda Yaccarino sejam colocados sob investigação formal. Segundo a Reuters, os juízes podem convocá-los para esse fim ou, em caso de ausência, emitir mandado com efeito equivalente à abertura formal da investigação contra os alvos.
• A investigação judicial foi aberta em 6 de maio e confirmada pela Promotoria de Paris em 7 de maio.
• O caso envolve suspeitas ligadas a algoritmos, dados, deepfakes sexuais, material de abuso sexual infantil e negação de crimes contra a humanidade.
• Musk não compareceu à convocação de 20 de abril; autoridades francesas afirmaram que a ausência não impede a continuidade do caso.
• A apuração ocorre em meio a tensões entre Europa, Estados Unidos e big techs sobre moderação, IA generativa e liberdade de expressão.
O que muda com a investigação judicial
A abertura de uma investigação judicial, no sistema francês, eleva o caso porque coloca juízes de instrução à frente da apuração. Isso não significa condenação nem decisão final contra Musk, X ou Yaccarino.
A etapa permite que magistrados conduzam diligências, convoquem investigados e reúnam elementos para decidir se o caso deve avançar. A Reuters informou que a medida representa uma escalada em relação à investigação anterior sobre suposto abuso de algoritmos e dados fraudulentos.
As suspeitas envolvendo X, Grok e dados de usuários

A investigação começou em janeiro de 2025 após denúncias de parlamentares franceses sobre possível manipulação algorítmica no X para interferir no debate público francês. O Le Monde informou que a fase preliminar tratava de duas suspeitas centrais: manipulação deliberada do algoritmo e uso irregular de dados sensíveis para publicidade direcionada.
O escopo foi ampliado nos meses seguintes. A Associated Press relata que a Promotoria investiga acusações como cumplicidade na posse e distribuição de imagens de abuso sexual infantil, disseminação de imagens íntimas sem consentimento, coleta e segurança irregular de dados, além de negação de crimes contra a humanidade associada a conteúdos gerados pelo Grok.
O Grok é desenvolvido pela xAI e integrado ao X. Segundo a AP, o chatbot gerou publicações e imagens que passaram a integrar a apuração francesa, incluindo conteúdos ligados a deepfakes sexuais não consensuais e negacionismo do Holocausto.
A ausência de Musk e o papel de Linda Yaccarino
Musk não compareceu ao depoimento voluntário marcado para 20 de abril em Paris. O Guardian, citando a Promotoria, informou que a presença ou ausência dos convocados “não é um obstáculo” para a continuidade da investigação.
Linda Yaccarino também foi chamada no caso por sua função como executiva da plataforma no período investigado. A AP registrou que ela foi CEO do X de maio de 2023 a julho de 2025 e foi convocada na condição de gestora da plataforma à época dos fatos apurados.
Tensão com os EUA e possível impacto de mercado
A investigação também ganhou uma dimensão financeira. Em março, a Promotoria de Paris enviou informações à SEC e ao Departamento de Justiça dos EUA, sugerindo que a controvérsia sobre deepfakes gerados pelo Grok poderia ter sido deliberadamente estimulada para elevar a valorização de X e X AI antes de uma possível abertura de capital da nova estrutura ligada à fusão SpaceX-xAI.
A Reuters informou separadamente que a SpaceX planejava iniciar um roadshow de IPO na semana de 8 de junho, em uma oferta que poderia levantar US$ 75 bilhões e avaliar a companhia em até US$ 1,75 trilhão. A agência também registrou que a SpaceX havia se fundido à xAI em fevereiro, em uma avaliação combinada de US$ 1,25 trilhão.
Há disputa sobre a cooperação americana. O Wall Street Journal reportou que o Departamento de Justiça dos EUA teria recusado colaborar com a investigação, mas a Promotoria de Paris disse à Reuters não ter conhecimento da carta citada e reafirmou a independência do Judiciário francês.
Por que o caso importa para big techs
O caso coloca três temas no centro da regulação digital: responsabilidade de plataformas por conteúdo ilícito, governança de sistemas de IA generativa e transparência de algoritmos. Para empresas de tecnologia, a investigação francesa mostra que autoridades europeias estão dispostas a tratar problemas de moderação, dados e IA como potenciais questões criminais, não apenas administrativas.
A X nega irregularidades e já classificou a apuração como politizada. Segundo Reuters e Le Monde, representantes de Musk, X ou advogados da plataforma não responderam imediatamente a pedidos de comentário sobre os desdobramentos mais recentes.
FAQ
O que a França investiga no caso Musk e X?
A França investiga suspeitas envolvendo a plataforma X, o Grok e empresas ligadas a Elon Musk. O caso inclui alegações sobre manipulação algorítmica, uso irregular de dados, deepfakes sexuais, material de abuso sexual infantil e negação de crimes contra a humanidade.
Elon Musk já foi condenado na França?
Não. A abertura da investigação judicial não equivale a condenação. A Promotoria de Paris pediu que Musk, X, xAI e Linda Yaccarino sejam colocados sob investigação formal, etapa que ainda depende da atuação dos juízes de instrução.
O que é um juiz de instrução na França?
O juiz de instrução é um magistrado responsável por conduzir investigações em casos criminais complexos. Ele pode ordenar diligências, convocar investigados, reunir provas e decidir se há base para o caso avançar.
Qual é o papel do Grok na investigação?
O Grok, chatbot de IA desenvolvido pela xAI e integrado ao X, aparece na investigação por supostamente ter gerado conteúdos ligados a deepfakes sexuais não consensuais e mensagens de negação do Holocausto, segundo veículos que acompanharam o caso.
