Trump ameaça tarifa de 100% contra países que taxarem big techs dos EUA

A ameaça mira impostos sobre serviços digitais e reabre a tensão entre Washington e países europeus sobre a tributação de Google, Amazon, Meta e Apple.

por Redação
Donald Trump - Lisens: Begrenset gjenbruk

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Donald Trump ameaçou impor tarifa de 100% sobre importações de qualquer país que adote imposto sobre serviços digitais contra empresas americanas. A medida foi anunciada como ameaça política, não como tarifa formal já implementada, e mira principalmente países europeus.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, aplicar uma tarifa de 100% sobre produtos importados de países que cobrem impostos sobre serviços digitais de empresas americanas. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e teve como alvo direto governos europeus que discutem ou mantêm tributos voltados a grandes plataformas digitais.

A ameaça amplia uma disputa antiga sobre a tributação de big techs como Alphabet, Meta, Amazon e Apple. Para Washington, esses impostos tendem a atingir de forma desproporcional companhias dos EUA; para governos europeus, eles buscam tributar receitas digitais geradas em seus mercados locais.

Leia em 30 segundos

Trump disse que países com imposto sobre serviços digitais poderiam sofrer tarifa de 100% nas exportações aos EUA. A fala pressiona a Europa dias após a UE avançar na implementação de um acordo comercial com Washington, mas a aplicação jurídica da ameaça ainda não está clara.

Destaques

  • Trump ameaçou tarifa de 100% contra países que taxarem serviços digitais de empresas americanas.
  • A mira principal são países europeus que mantêm ou discutem tributos sobre receitas de plataformas digitais.
  • A ameaça surge após a UE avançar na implementação de um acordo comercial com teto tarifário de 15% para a maioria das exportações do bloco aos EUA.
  • Ainda não está claro qual instrumento legal seria usado para impor a tarifa de forma imediata.

Trump ameaça tarifa de 100% contra países que taxarem big techs dos EUA

Raio-X da disputa

Ponto O que está em jogo
Tarifa ameaçada 100% sobre bens enviados aos Estados Unidos por países que adotem imposto digital
Alvo político Países europeus e outros governos com digital services tax
Empresas afetadas Grandes plataformas americanas, como Alphabet, Meta, Amazon e Apple
Acordo UE-EUA Teto de 15% para a maioria das exportações europeias aos EUA, sem resolver a disputa digital
Incerteza Base legal, prazo de aplicação e lista de países atingidos

Fontes: AP, Reuters, Wall Street Journal, Comissão Europeia e Centre for European Reform.

O que Trump ameaçou fazer

Trump afirmou que qualquer país que implemente imposto sobre serviços digitais contra empresas americanas seria atingido por tarifa de 100% sobre todos os bens enviados ao mercado dos EUA. Ele também disse que a medida prevaleceria sobre acordos comerciais já negociados ou em discussão.

A declaração foi dirigida a países europeus que, segundo Trump, estariam próximos de avançar com novos tributos digitais. A ameaça, porém, não equivale automaticamente à aplicação da tarifa: até a publicação, as reportagens consultadas tratavam o episódio como aviso público, sem detalhamento formal de instrumento legal ou cronograma de implementação.

Por que o imposto digital irrita Washington

Os impostos sobre serviços digitais costumam incidir sobre receitas obtidas por grandes plataformas em publicidade online, intermediação digital, marketplaces, redes sociais e uso de dados de usuários. Como os maiores grupos desse setor são americanos, os EUA argumentam que essas cobranças discriminam empresas do país.

A França aplica desde 2019 uma taxa de 3% sobre receitas digitais de grandes empresas que superam determinados limites de faturamento global e local. O Reino Unido, fora da União Europeia, cobra desde 2020 uma taxa de 2% sobre receitas de buscadores, redes sociais e marketplaces que geram valor a partir de usuários britânicos.

Acordo comercial da UE não encerrou a disputa digital

A ameaça ocorre dias depois de a União Europeia avançar na implementação de sua parte de um acordo comercial com os EUA. O Parlamento Europeu aprovou em 16 de junho de 2026 a redução de tarifas sobre vários produtos americanos, e os governos da UE adotaram a legislação em 25 de junho.

O acordo, negociado em 2025, prevê que a UE remova tarifas sobre bens industriais americanos em troca de uma tarifa americana de 15% sobre a maioria dos produtos europeus. Segundo a AP, os impostos digitais ficaram fora do pacto e continuaram como ponto de atrito entre os dois lados.

Pressão vai além dos impostos digitais

A tensão não envolve apenas tributação. O Centre for European Reform avalia que as demandas de Trump sobre tecnologia também miram a Lei de Mercados Digitais, a Lei de Serviços Digitais e a Lei de IA da União Europeia, que tratam de concorrência, segurança, transparência e governança de plataformas digitais.

A Comissão Europeia descreve a Lei de Serviços Digitais como um conjunto de regras para marketplaces, redes sociais, lojas de aplicativos e plataformas de viagem e hospedagem. Já a Lei de Mercados Digitais busca tornar mercados digitais mais justos e contestáveis, impondo obrigações a grandes plataformas classificadas como “gatekeepers”.

A Lei de IA, por sua vez, estabelece uma estrutura regulatória baseada em risco para sistemas de inteligência artificial na Europa. Para Washington, esse pacote regulatório pode funcionar como barreira contra empresas americanas; para Bruxelas, trata-se de soberania regulatória e proteção de usuários e concorrência.

França já havia sido alvo de ameaça semelhante

A escalada desta sexta-feira veio após Trump ameaçar, em 15 de junho de 2026, impor tarifa de 100% sobre vinhos franceses caso Paris não retirasse seu imposto digital. Emmanuel Macron respondeu que a França não cederia à pressão e afirmou que tarifas entre países do G7 não beneficiam ninguém.

A Reuters informou também que, em agosto de 2025, Trump já havia ameaçado países com “tarifas adicionais substanciais” e restrições à exportação de tecnologia e chips caso mantivessem impostos, regras ou regulações digitais consideradas discriminatórias contra empresas americanas.

O que ainda não está claro

A principal dúvida é como a tarifa de 100% seria aplicada. A AP informou que ainda não estava claro se Trump usaria investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, se miraria países específicos ou se tentaria impor a tarifa de forma ampla contra todos os governos com impostos digitais.

Também não há, até agora, uma lista oficial de países atingidos. A ameaça menciona genericamente países europeus, mas impostos digitais existem em diferentes formatos e alíquotas, como mostram os casos de França e Reino Unido.

Para empresas e investidores, o ponto central é que a disputa digital voltou a se misturar à política comercial. Se a ameaça avançar para uma medida formal, poderá afetar exportadores europeus para os EUA e reacender retaliações em setores que não têm relação direta com big techs.

FAQ

O que é imposto sobre serviços digitais?

Imposto sobre serviços digitais é uma cobrança aplicada sobre receitas obtidas por grandes empresas digitais em atividades como publicidade online, redes sociais, marketplaces e intermediação digital. Em geral, esses tributos têm limites de faturamento que fazem a cobrança recair sobre grandes multinacionais.

A tarifa de 100% já está valendo?

Não há confirmação de que a tarifa de 100% já esteja em vigor. As informações disponíveis indicam uma ameaça pública feita por Trump em 26 de junho de 2026, sem detalhamento formal sobre base legal, data de início ou lista de países atingidos.

Quais empresas seriam protegidas pela ameaça de Trump?

A ameaça busca proteger empresas americanas de tecnologia afetadas por impostos digitais no exterior. O debate envolve principalmente grupos como Alphabet, Meta, Amazon e Apple, frequentemente citados em disputas sobre tributação e regulação digital.

O acordo comercial entre UE e EUA resolve o tema?

Não. O acordo comercial UE-EUA avançou em junho de 2026 com medidas sobre tarifas de bens industriais e acesso a mercado, mas os impostos digitais permaneceram fora do pacto e continuam como ponto de tensão entre os dois lados.

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