A psicóloga corporal reichiana e pesquisadora Ana Clara Pequeno — cuja trajetória inclui imersões diretas em instituições e espaços dedicados à preservação do legado histórico de psiquiatra e psicanalista, como o Wilhelm Reich Museum, no Maine, Estados Unidos — lança sua obra de estreia, Mecanismos Invisíveis de Controle Social: Wilhelm Reich e a função política da repressão da sexualidade (Via Verita).
Fruto de anos de pesquisa acadêmica, clínica e imersão teórica — desenvolvida a partir de sua formação no Centro de Análise do Movimento Vivo (AMV) —, o livro propõe uma investigação profunda sobre a intersecção entre a organização social, a repressão sexual, o patriarcado e o avanço do capitalismo neoliberal.
A autora mergulha nas raízes existenciais que formaram Wilhelm Reich (1897-1957). Criado em uma fazenda isolada na Galícia, à época uma província do antigo império austro-húngaro, o jovem Wilhelm teve uma infância marcada pelo contato visceral com a natureza e com a liberdade dos ciclos biológicos, mas também por uma tragédia familiar profunda: o autoritarismo patriarcal e a rigidez moral de seu ambiente doméstico culminaram no suicídio de sua mãe após a revelação de um caso com seu tutor particular. Essa vivência traumática precoce com a repressão moral dos afetos e com o sufocamento da vida pulsional tornou-se a semente empírica de toda a sua revolta contra a moral burguesa e do seu futuro compromisso clínico com a desalienação dos corpos.
Partindo desse pano de fundo hu Jumano e intelectual, o trabalho apoia-se majoritariamente na construção social do autor. Embora os experimentos laboratoriais com os bions e o percurso sobre os desdobramentos de sua obra apareçam no texto para contextualizar como o autor chegou a essas formulações sem tratá-las como delírio, o foco permanece na articulação política e clínica de sua teoria.
Marcada por perseguições políticas, censura implacável com a queima pública de seus livros e um trágico desfecho com sua prisão e falecimento na penitenciária norte-americana de Lewisburg em 1957, a trajetória do psicanalista serve de base para a autora analisar como o controle sobre os corpos e os afetos sustenta estruturas de poder. Como o livro demonstra, a repressão sexual promovida pelo social limita o acesso ao prazer e à potência orgástica — definida como a capacidade de entrega genuína ao fluxo energético e afetivo, longe da falsa ideia de redução ao ato sexual —, gerando neuroses individuais e um profundo senso de conformidade. A obra aborda detalhadamente como a sociedade impacta na formação dos sujeitos, em sua constituição psíquica e corporal. “O controle social atua menos pela regra e pela obediência direta e mais na formação de sujeitos capazes de serem seus próprios prisioneiros e carcereiros”, aponta Ana Clara Pequeno, evidenciando como essa dinâmica alimenta as bases do capitalismo neoliberal.
O livro conduz o leitor por um percurso histórico instigante: parte de comunidades tribais plurais — ressaltando que não eram orientadas pela lógica do poder e da propriedade privada, o que lhes permitia uma outra forma de organização da vida, sem romantizações simplistas —, e avança para o exame específico dos arapesh, analisados sob a ótica da antropóloga norte-americana Margaret Mead (1901–1978). Em seguida, a obra passa pela consolidação da propriedade privada, da família monogâmica e do patriarcado, chegando ao cenário atual dominado pela financeirização, pelo hiperconsumo e pela digitalização da vida no neoliberalismo.
Ao analisar a trajetória de Reich, Ana Clara destaca, ainda, sua luta contra o fascismo. Por fim, o estudo busca oferecer ferramentas críticas para que o seu leitor compreenda os mecanismos de sua própria alienação e recupere a conexão com a sua essência.
Mais do que um diagnóstico do adoecimento psíquico na contemporaneidade, a obra busca oferecer ferramentas de reflexão crítica para o enfrentamento das pressões sociais, resgatando a importância da reconexão do ser humano com sua natureza essencial, com o afeto genuíno e com a potência da vida. Uma leitura indispensável tanto para profissionais da área quanto para o público em geral, que tenha objetivo de descobrir-se no melhor sentido da palavra.
Ana Clara Pequeno
É psicóloga, mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e especialista em Psicologia Social Crítica. Estuda a obra de Reich há cerca de uma década e desenvolve pesquisas sobre subjetividade, cultura e política a partir da teoria reichiana.
Ficha Técnica:
ISBN: 978-65-88337-78-3
Número de Páginas: 228 pg
Preço: R$ 69,90
Locais de venda: site da Via Verita, Instituto Dasein, Amazon, livrarias como Travessa, Martins Fontes, Loyola, Psicólogo e Educador, entre outras.
Serviço:
Obra: “Mecanismos Invisíveis de Controle Social: Wilhelm Reich e a função política da repressão da sexualidade”, de Ana Clara Pequeno
Lançamento no Rio de Janeiro:
• Quando: 7 de novembro, a partir das 18h30
• Onde: Casa Tao – Lapa, Rio de Janeiro (Rua Joaquim Silva, 77, Lapa, RJ)
Lançamento em São Paulo:
• Quando: 14 de novembro, a partir das 16h
• Onde: Instituto Dasein (Rua Paracuê, 157, Sumaré, SP)
Informações para a Imprensa:
George Patiño
GBP Assessoria de Imprensa
Tel/WhatsApp: (21) 98758-7282
