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Cinco gotinhas debaixo da língua no Cândido Mendes

por Redação
Cinco gotinhas debaixo da língua

O ano era 2018 e o ator Vinicius Cattani estava vivendo um momento de redefinição e mudanças de rumo em sua vida. Com os nervos à flor da pele, procurou ajuda profissional e foi medicado com um ansiolítico. Até que um dia, achando que as gotinhas diluídas em água não estavam mais fazendo efeito, ele virou o frasco inteiro direto na boca. Além de servir de alerta sobre a própria saúde mental, o episódio inspirou Cattani a criar “Cinco gotinhas debaixo da língua”, peça teatral que está em temporada no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, até 26 de junho.

Com direção de Nello Marrese, Vinicius Cattani, hoje com 36 anos, entra em cena para interpretar o próprio texto, que marca sua estreia como dramaturgo. Em uma hora de espetáculo, o público acompanha um dia na vida de um funcionário de escritório que, incapaz de lidar com a própria infelicidade, busca aliviar sua caótica rotina com a ingestão descontrolada de um ansiolítico em gotas. A comédia faz uma bem-humorada crítica ao imediatismo dos tempos atuais, reflete sobre sentimentos como solidão e carência e brinca com a ansiedade do personagem.

“Apesar de ser uma comédia, a peça fala de tristeza, só que de uma maneira divertida e alegre; ela aborda assuntos bem delicados e traz também uma mensagem que vai gerar muita identificação com a vida das pessoas no momento atual”, avalia Vinicius Cattani. “O texto tem um ritmo frenético do início ao fim, indo direto ao ponto, sem rodeios, passando por uma análise que aponta uma conclusão e vai seguindo adiante”, acrescenta.

O inédito monólogo marca o retorno de Cattani ao ofício de ator, iniciado por ele em 2000, como integrante da Cia Os Fodidos Privilegiados, de Antônio Abujamra. Desde 2010, quando deixou o teatro para ser piloto de avião, ele não interpretava uma montagem presencial. Em janeiro deste ano, voltou à cena no elenco de “Touch”, espetáculo online da Cia Teatro Epigenia, dirigido por Gustavo Paso.

Como autor teatral, Vinicius Cattani tem uma dupla estreia. Enquanto “Cinco gotinhas debaixo da língua” cumpre temporada no Teatro Cândido Mendes, outro texto do artista está no roteiro teatral carioca. “Ele, ela e uma garrafa de vodka”, criação de 2009, ganha montagem com Jaqueline Macóeh e Marcelo Argenta. Com direção de Marcos Ácher e Marcos Breda, companheiro de Vinicius na Cia Epigenia, o drama romântico estáem temporada no Solar de Botafogo.

Mais sobre Vinicius Cattani

Hoje com 36 anos de idade, Vinicius Cattani deu os primeiros passos no teatro atuando em Michelangelo, de Doc Comparato, em uma montagem da Cia Os Fodidos Privilegiados no teatro João Caetano, no ano 2000. “Desde então, eu trago duas grandes referências:  a emoção de Camila Amado, com quem pude fazer vários trabalhos, e a lente de aumento de Antônio Abujamra (criador da Cia Os Fodidos Privilegiados)”, conta Vinicius.

Adepto do Método Stanislavski, o ator estudou no Teatro de Arte de Moscou, na Rússia, entre 2004 e 2005. Ao voltar, o artista juntou-se à Cia Teatro Epigenia, de Gustavo Paso. Em 2007, fez parte do elenco de “Ariano”, peça em homenagem aos 80 anos de Ariano Suassuna, de autoria de Gustavo Paso e Astier Basílio. Com a montagem, Cattani viajou em temporada por teatros de cidades ao longo do Velho Chico, de Minas a Pernambuco, terminando na Paraíba, terra de Suassuna.

Em 2008, rodou o Brasil dividindo a cena com Cristina Pereira, no sucesso de bilheteria “Alzira Power” (texto de Antônio Bivar, 1969). Em 2009, encenou “O túnel”, obra de Dias Gomes, também sob direção de Paso.

Em 2010, Cattani resolveu realizar o sonho de trabalhar na aviação. Virou piloto de jatos executivos e acumulou mais de 1.500 horas de voo entre Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Oito anos depois, largou os céus para voltar aos palcos, retorno que adiou por dois anos por conta da pandemia de Covid-19.

SERVIÇO – Teatro

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