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Solo da cana

Solo da cana

A bailarina Izabel de Barros Stewart lança-se como atriz e dramaturga em solo no qual reflete sobre um mundo desgastado, relações que precisam ser repensadas e afetos. A performance tem direção de João Saldanha e fará temporada em outubro no Espaço Abu

por Redação

A cana de açúcar foi (?) uma das principais commodities do Brasil. Entre 1530 e 1700, encheu os cofres da Coroa Portuguesa. Vários séculos depois, a cana de açúcar ainda é um forte pilar para o agronegócio brasileiro. Ela injeta aproximadamente R$ 60 bilhões na economia, segundo dados da União das Indústrias de Cana de Açúcar (Única). Izabel de Barros Stewart é uma artista brasileira, sensível e atenta às transformações ocorridas no mundo – e em especial no Brasil. O mundo passou de analógico a cibernético, e a relação da sociedade com o Meio Ambiente (e com o próprio ser humano) mostra que algo vai mal. Suas visões do mundo contemporâneo foram colocadas no papel e chegam agora ao palco. Com direção do coreógrafo João Saldanha, o Solo da cana fará temporada no Espaço Abu, em Copacabana, de 06 a 29 de outubro, de sexta a domingo.

A voz central do espetáculo é a da cana de açúcar. Poderia ser a da soja ou a do milho, mas a escolha revelou-se mais que acertada; assertiva. O vegetal foi e ainda é uma das principais commodities do país. Bailarina com longos anos dedicados à dança, ela começou a colocar no papel seus questionamentos sobre uma sociedade que vem se deteriorando e parece que nada aprendeu com a pandemia. As palavras foram levadas ao coreógrafo e diretor João Saldanha, a quem Izabel tem parte de sua trajetória ligada.

As coisas mudaram, meus caros. Vocês acompanharam ou ficaram plantados no tempo? (fala do espetáculo)

Os dois começaram uma investigação que culmina agora no primeiro espetáculo de Izabel como atriz e dramaturga. A eles junta-se o músico Antonio Saraiva, que acrescenta à cena climas e intervenções sonoras, o figurinista Mauro Leite e as produtoras Ana Paula Abreu e Renata Blasi, da Diálogo da Arte Produções.

Outras palavras nasceram, e o corpo e a voz da artista foram ganhando novas matizes. Da bailarina surge a dramaturga e, a partir desta a atriz – ou performer, como queiram. “Eu to aqui pelo que me encandeia a pele”, diz ela num trecho do solo. E desse encantamento nascem outras vozes entre humanas, animais e poéticas.

Todas elas refletem (também no sentido de espelhar) a forma como vivemos pautados por valores impostos por segmentos como o mercado financeiro, a economia, os avanços tecnológicos, a urgência e a superficialidade das relações humanas. Sim, pois Izabel acaba por falar também de relações, que precisam ser transformadas, e de afeto, a partir do qual elas se estabelecem.

O palco está praticamente vazio. Em cena, um pequeno banco, levado pela atriz pelo espaço cênico, e uma garrafa. A união entre texto, direção e demais colaborações ocupa o todo com forte carga imagética. Izabel de Barros Stewart não está sozinha em cena.  Não mesmo.

A bailarina e atriz:

Izabel de Barros Stewart é dançarina, performer, preparadora corporal, professora e, desde 2003, mestra em Dança pela Universidade Paris 8. Iniciou sua trajetória na dança nos anos 1990, integrando o Atelier de Coreografia, sob a batuta de João Saldanha. Trabalhou, na década seguinte, como bailarina e assistente de direção de Dudude Hermann, na Cia Benvinda de Dança,  e como professora no Departamento de Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais.

Ficha técnica:

  • Texto, atuação e idealização Izabel de Barros Stewart
  • Direção João Saldanha
  • Artista sonoro Antonio Saraiva
  • Preparação Vocal Pedro Lima
  • Figurinos e adereços Mauro Leite
  • Iluminação João Saldanha
  • Assistente de iluminação Vitor Emanuel
  • Artista Visual
Roberto Unterladstaetter
  • Assessoria de Imprensa Christovam de Chevalier
  • Gestão e Conteúdo das Mídias Sociais
Top na Mídia Comunicação
  • Fotografia Arte e Divulgação
Carol Pires
  • Coordenação Administrativo-Financeira
Grupo Saúva
  • Assistente de Produção Flavio Moraes
  • Direção de Produção Ana Paula Abreu e Renata Blasi
  • Produção Diálogo da Arte Produções Culturais
  • Realização Grupo Saúva

Serviço:

  • Temporada: de 06 a 29 de outubro, de sexta a domingo
  • Horário: 20h
  • Onde: Espaço Abu (Av. Nossa Senhora de Copacabana, 249, loja E Rio de Janeiro. Tels: 2137-4183 ou 84)
  • Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
  • Vendas de ingresso na bilheteria ou pelo sympla (www.sympla.com.br)
  • Classificação indicativa: 10 anos

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